Aids pode ser erradicada em 40 anos, diz estudo

Cientistas afirmam que o uso em massa de antirretrovirais que compõem o coquetel contra a aids pode erradicar a doença em 40 anos. Segundo os pesquisadores, testar todas as pessoas com risco de infecção e dar medicação para todos os casos de HIV são ações que interromperiam 95% da transmissão do vírus em 5 anos. Atualmente, a aids mata dois milhões de pessoas por ano.

"Se utilizarmos os antirretrovirais eficientemente é possível conter o contágio em cinco anos. Os antirretrovirais no mercado são muito eficazes e produzem poucos efeitos colaterais, mas o problema é que os utilizamos apenas para salvar a vida das pessoas infectadas e não para frear a pandemia", explicou o autor do estudo, Brian Williams, no congresso anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência em San Diego, Califórnia.

Segundo o epidemiologista sul-africano, os antirretrovirais permitem reduzir a concentração do vírus HIV no sangue em 10 mil vezes. Esta forte redução da carga viral faz com que o risco de transmissão do vírus seja 20 vezes menor.

A proposta do epidemiologista será testada em 2011 em um estudo clínico que acompanhará milhares de pessoas na África do Sul, em região com alta incidência de HIV e aids. A pesquisa não será a única: os EUA farão estudo semelhante.

"Nossa melhor esperança a curto prazo é a de utilizar os antirretrovirais não só para salvar pacientes, mas também para reduzir a transmissão do HIV. Acredito que com essa medida podemos efetivamente parar a transmissão", disse o pesquisador. Ele argumenta que o "bloqueio da transmissão só pode ser feito com um programa ou serviço de testes exaustivos, seguido de um tratamento rápido com antirretrovirais a todos com diagnóstico para HIV positivo".

Na prática, usar camisinha ainda é a melhor opção
Para o governo brasileiro, há grandes obstáculos para a erradicação se tornar realidade. "Na prática, é melhor indicar o uso do preservativo", afirma a diretora do Departamento Nacional de DST e aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

Segundo ela, faltam antirretrovirais para os 33 milhões de infectados no mundo. "Para ocorrer a erradicação, seria preciso descobrir todos os infectados, ter antirretrovirais para todos e fazer com que cada um tome todas as doses de remédios nas horas certas por muitos anos", afirma, acrescentando que dos 10 milhões de pessoas com Aids no mundo, apenas 4 milhões têm acesso a remédios hoje.

Ela lembra ainda que os efeitos colaterais da droga são fortes e, por isso, seria questionável indicá-la para pacientes que ainda não precisam da medicação.

 

 

ODIA

 

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