Cientistas confirmam: estresse pode causar infertilidade

Mesmo com mais e mais clínicas de fertilidade adotando programas de gerenciamento de estresse como ioga, terapia cognitiva e biofeedback, o papel do estresse na fertilidade continua sendo uma questão discutida. Alguns especialistas ainda recitam uma antiga máxima: enquanto a infertilidade indubitavelmente causa estresse, o estresse não causa infertilidade.

Agora, pesquisadores sugerem que as duas condições podem realmente estar ligadas. Num estudo publicado online na revista Fertility and Sterility, cientistas relataram que mulheres que pararam de usar contraceptivos demoraram mais para ficar grávidas quando apresentavam altos níveis da enzima alfa-amilase - um indicador biológico de estresse e na saliva.

Os autores dizem que este é o primeiro estudo a ligar um marcador biológico de estresse com o atraso de concepção e mulheres normais e saudáveis, e sugerem que buscar maneiras de reduzir ou gerenciar o estresse pode ser uma solução simples para alguns casais inférteis.

"Mesmo quando os casais acabaram de começar a tentar, ambos ficam realmente estressados", explicou a principal autora do estudo, Germaine Buck Louis, do Instituto Nacional Eunice Kennedy Shriver de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano.

"Há uma expectativa - eles querem iniciar sua família imediatamente", disse Buck Louis. "O estresse é um dos fatores mais consistentes que mostra um efeito no tempo que levará até a gravidez, dentre todos os fatores de estilo de vida estudados até hoje". Repetidos fracassos em conceber, mês após mês, podem potencialmente desencadear um ciclo vicioso, onde engravidar se torna cada vez mais difícil, afirmou ela.

O estudo observou 274 mulheres britânicas, com idades entre 18 e 40 anos, que haviam acabado de começar a tentar conceber, acompanhando-as por seis meses ou até que ficassem grávidas.

As voluntárias receberam kits caseiros de fertilidade para acompanhar seus ciclos mensais, e no sexto dia elas coletavam amostras de saliva. Essas amostras eram testadas pelo hormônio do estresse cortisol e pela alfa-amilase, secretada quando o sistema nervoso produz catecolaminas, que iniciam outra reação de estresse.

Embora não houvesse correlação entre os níveis de cortisol e o tempo que se levava para chegar à gravidez, as mulheres com maiores concentrações de alfa-amilase apresentaram 12% menos chances de engravidar, a cada mês, do que aquelas com os níveis mais baixos.

"Esta é mais uma peça do quebra-cabeça que aponta à mesma conclusão: que o estresse não é necessariamente algo bom para nosso sistema reprodutivo", afirmou Alice Domar, diretora executiva do Centro Domar para Saúde Corpo/Mente do centro de fertilidade Boston IVF, não envolvida na pesquisa.

A descoberta surpreendente foi que mesmo níveis baixos de estresse podem afetar a concepção, segundo a Dra. Sarah Berga, chefe de obstetrícia e ginecologia da Universidade Emory, que estudou o efeito do gerenciamento de estresse em mulheres que não estão ovulando.

"Isso mostra que até mesmo níveis baixos de stress desempenham um papel", disse ela. "Aparentemente, você não precisa ficar estressada ao ponto de perder sua menstruação para sofrer um impacto em sua fertilidade".

Curiosamente, a probabilidade de conceber foi mais alta em mulheres que possuíam concentrações elevadas de cortisol durante o período fértil. O cortisol é secretado quando o sistema endócrino reage ao estresse; a alfa-amilase é parte da reação "lute ou corra", geralmente ativada pelo sistema nervoso simpático em resposta a estresses graves.

Mulheres que foram tratadas para infertilidade dizem que o processo pode ser altamente estressante - na verdade, completamente desgastante. Amy Cafazzo, uma mulher de 38 anos de Framingham, em Massachusetts, disse que as aulas de redução de stress na Boston IVF lhe ensinaram habilidades de superação que ela ainda utiliza - agora, para lidar com seus meninos gêmeos de 19 meses.

"Quando você está passando por isso, geralmente as pessoas falam: 'Relaxe, vai acontecer', e você quer bater nelas", disse Cafazzo. "Você não pode simplesmente relaxar".

As aulas lhe ensinaram técnicas de respiração, ioga e outras estratégias de relaxamento, além de lhe oferecer uma rede de apoio de mulheres atravessando a mesma experiência. E tudo isso realmente a ajudou a conceber?

"Simplesmente não sei", explicou ela. "Mas sou uma personalidade Tipo A, que precisa de um plano de ação, e isso lhe dá algo para fazer - para que você se sinta produtiva e não seja capturada numa espiral descendente de estresse".

THE NEW YORK TIMES

 

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