Antirretroviral reduz risco de HIV entre homossexuais

Teste clínico publicado nesta terça-feira pelo New England Journal of Medicine indica que a combinação de antirretrovirais tomados oralmente reduz em 44% o risco de infecção pelo HIV entre os homossexuais masculinos. O teste foi considerado por especialistas muito importante para os esforços da prevenção da aids.

"Os resultados deste teste são extremamente importantes e proporcionam uma prova sólida de que a profilaxia antes da exposição ao HIV pode reduzir o risco de infecção em um grupo da sociedade atingido de maneira desproporcional pela soropositividade e a aids", enfatizou o dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID).

Os homens que mantêm relações homossexuais são um dos grupos com maior risco de serem infectados pelo HIV. Nos Estados Unidos, eles representam 53% das novas infecções anualmente. O estudo clínico foi realizado com 2.499 homens, entre os quais 29 mulheres transexuais, não infectadas, e com idades entre 18 e 67 anos, que tiveram relações homossexuais regulares. A pesquisa aconteceu de julho de 2007 a dezembro de 2009 em seis países: África do Sul, Tailândia, Peru, Equador, Brasil e Estados Unidos.

Cada participante foi selecionado aleatoriamente para que tomasse de forma cotidiana um antirretroviral chamado Truvada - combinação de emtricitabine (200 mg) e de tenofovir (300 mg) - ou um placebo. Todos eles usufruíram, além disso, de extensos serviços de prevenção, entre os quais conselhos para reduzir o risco, preservativos e cuidados médicos para tratar outras doenças venéreas durante a realização do estudo clínico.

A análise dos resultados mostra que houve um total de 100 casos de infecção pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana) entre os participantes durante os 2,8 anos do teste organizado pelo dr. Robert Gran, do Instituto Gladstyone de Virologia e Imunologia de San Francisco, e pelo dr. Javier Lama, do Investigações Médicas em Saúde de Lima, Peru.

Das 100 infecções, 36 foram constatadas entre os 1.251 pacientes tratados com o Truvada e 64 entre os 1.248 participantes do grupo submetidos a um placebo, demonstrando que uma dose cotidiana deste antirretroviral reduz o risco de infecção em 43,8%. Os efeitos colaterais, leves e pouco frequentes, principalmente náuseas, foram observados no início, mas foram se dissipando semanas depois, segundo o estudo, que não revelou qualquer caso de resistência aos retrovirais entre os participantes.

O NIAID financiou a maior parte deste teste clínico, que recebeu, além disso, fundos da Fundação Bill e Melinda Gates. O laboratório americano Gilead Sciences, que comercializa o Truvada, proporcionou o medicamento de forma gratuita.

Os resultados animadores deste teste marcam o terceiro avanço nos últimos 18 meses nos esforços de prevenção da infecção com HIV. Em julho passado, um estudo demonstrou que as mulheres na África que utilizam um gel vaginal microbicida reduziram em 39% sua taxa de infecção e isso aconteceu depois de anos de fracasso com essa iniciativa.

Em 2009, um teste clínico de uma vacina experimental na Tailândia mostrou um efeito positivo modesto contra a infecção. A cada ano, 2,7 milhões de pessoas se infectam no mundo com o HIV, em sua maioria na África subsaariana.

AFP

 

 

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