Meninos não choram (ainda bem que nasci gay)
Não poder demonstrar seus sentimentos, não dever exteriorizar
suas emoções e conter qualquer tipo de manifestação de carinho e afeto, estes
são alguns dos requisitos para ser considerado homem em nossa sociedade. Guardar
o choro no peito e não transparecer que é sensível, mais dois critérios para
completar o triste quadro.
O movimento homossexual fica triste, chora suas muitas mortes,
sente-se fragilizado quando se percebe sem direitos comuns à maioria dos
cidadãos e luta dia-a-dia para conseguir um pouco de sombra embaixo da grande
árvore da vida.
Sofre-se por perder um amigo que foi comprar pão e não voltou,
porque era gay. Sente-se por não poder contar na maioria das vezes com a
família, por ser lésbica. Magoa-se quando vai procurar emprego e não consegue,
por ser travesti. Lamenta-se por não conseguir ser si mesmo e ter que muitas
vezes fingir e usar de máscaras, por ser transexual.
Em contrapartida, o movimento homossexual sorri em que cada nova
conquista que tem e em cada luta que inicia, contra as coisas que julga estarem
erradas .O movimento vai aos poucos solidificando-se, ganhando consistência,
tomando forma. A forma da cidadania.
O fato de ser gay transforma-se em algo maior do que a simples
luta pela aceitação ou respeito quanto à orientação sexual. Ser gay passa a ser
secundário na construção de um mundo melhor.
Com a auto-estima em baixa, o gay passa a procurar elevar o
moral de outros gays. Procura passar ensinamentos que teve através das surras
que levou da vida, e mostrar que é possível construir com o nada que foi-lhe
dado algo positivo e concretamente bom.
Com seus direitos ultrajados, o gay aprende a ser um pouco
legislador e um pouco político. Aprende que tem que saber de leis, que tem que
ser “antenado” com o maior número de informações possíveis, mas principalmente
adquire a sabedoria de que tem que passar isto para seus companheiros e amigos.
Aprende o real sentido da palavra “amizade” e seu vínculo com o termo
“sociedade”.
Com a não aceitação da família, o gay aprende a ser sua própria
família e a fazer-se família para os muitos amigos e amigas que se encontram em
igual situação. Muitas vezes o gueto torna-se a célula-mater que todos precisam
em sua vida.
Com tudo isto, percebe-se que ser gay não é ruim, é somente ser
de um jeito diferente de ser hetero. O que é realmente ruim e abominável é não
estar feliz consigo mesmo ou ficar criando regras que impeçam a convivência
feliz e harmoniosa entre dois homens, duas mulheres, um homem e uma mulher, ou
outras tantas possibilidades que a vida nos oferta de presente.
Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com







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