Edson Bueno faz sua seleção dos melhores filmes de 2010. Imperdível e vale conferir cada um

Eis uma tarefa difícil, porque aconteceram bem poucos filmes de real impacto e pior ainda, quase nenhum que tocasse bem fundo na alma, daqueles que você sai do cinema em estado de graça querendo que o mundo acabe em imagens. Impacto? Para ser sincero tive apenas um: “INCEPTION”, do Christopher Nolan. Um filme que me tirou do sério e quase me deixou em pé na sala Imax. Emoção? Três filmes me emocionaram de verdade: “TOY STORY 3”, que, de verdade, me levou às lágrimas, “PRECIOUS”, porque Mo’Nique dá um show e Gabourey Sidibe conseguem explicar aos trancos e barrancos que aconteça o que acontecer (inclusive nascer no lugar e na família errada) é preciso tocar a vida para frente; e “O SEGREDO DOS SEUS OLHOS” e sua mistura sanguínea de romantismo e ideologia. E Ricardo Darín, o Marcelo Mastroianni da América do Sul é simplesmente o máximo.

E, claro, impossível esquecer dois filmes estilizadíssimos, que exploraram ao máximo as possibilidades plásticas da imagem: “A SINGLE MAN”, de Tom Ford, com Colin Firth arrasando e dando toques minimalistas ao sofrimento de um cara que perdeu o namorado num acidente; e “A FITA BRANCA”, de Michael Hanecke, o ovo da serpente, a nascente do nazismo numa teoria difícil de ser contestada. Marcantes. E minha paixão escancarada por Woody Allen também me impede de não amar seus lados otimista (“TUDO PODE DAR CERTO”) e pessimista (“VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS”). Sempre aprendo com Woody, sobre o cinema e sobre a vida. Cinema que tira a venda dos olhos, que surpreende, que revolta e ainda faz rir? “TROPA DE ELITE 2”! O melhor brasileiro desde “Cidade de Deus” e puro cinema de cumplicidade. Um roteiro perfeito com atores excepcionais.

Se o cinema brasileiro ignorar esse filme, não sabe o que está perdendo. Inclusive o trem da história. E falando em história, Olivier Assayas ensina como contar a vida de um personagem controverso em “CARLOS” um tour-de-force de quase 5 horas, simplesmente eletrizante! A vida do terrorista Chacal é uma experiência de cinema objetivo e afiado. “NINE” de Rob Marshall foi destruído pela crítica e por alguns dos meus amigos, mas eu fico hipnotizado pela experiência de ego musical e por Marion Cotillard cantando “My husband makes movies”. Nada há para se fazer.  Um canadense de apenas 20 anos (Xavier Dolan)  e um sul-coreano (Bong Joon-Ho), falaram de filhos e mães, amor e ódio, humor e tragédia; e fizeram dois filmes modernos e impactantes: “EU MATEI MINHA MÃE” e, simplesmente “MOTHER”.

E o melhor filme do ano, pelo menos na minha modestíssima opinião. Aquele que dá a letra do nosso tempo, das relações sociais do nosso tempo, dos caminhos do capitalismo, do significado das relações amorosas ou não. Não é um inventário, mas uma cruel interpretação de tudo o que se perde e se ganha em nossas 24 horas urbanas do início do século: “THE SOCIAL NETWORK/A REDE SOCIAL”, de David Fincher. Filmaço, que ainda revela um ator excepcional: Jesse Eisenberg. Então é isso aí!

 

EDSON BUENO

http://efranbueno.blog.uol.com.br/

 

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