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Falando de Todd Solondz
Uma decepção! Onze anos separam “Felicidade”, a obra-prima de Todd Solondz, de “A Vida Durante a Guerra”. Em um, como em outro, os temas e circunstâncias são absolutamente os mesmos: os fracassados, os pervertidos, os marginais; gente movida por traumas bizarros e atormentada por determinadas culpas judaico-cristãs, que chagas abertas, acumulam-se, porque como disse um dia o diretor: “o passado nos faz”.
Mas, o que acontece? Por que “Hapiness” me pareceu um filme tão original e inovador em 1998, e esse “Life During Wartime” parece tão deslocado e... enfadonho? Apesar de atualizações como a inclusão do medo pós 11 de setembro? Talvez porque soava a alerta, crítica, sei lá; enquanto neste, Solondz fica tentando compreender o incompreensível. O menino de 12 anos, talvez seu alter ego, em “Hapiness” libertava-se quando encarava a realidade e descobria seu primeiro orgasmo. Agora, o mesmo garoto desfigura-se da sua contraditória humanidade e, racional precoce, apresenta-se medroso, impotente e de um reacionarismo latente.
O medo e a culpa dão as cartas. Na sessão que assisti algumas pessoas riam em determinados momentos, porque afinal, é uma comédia; mas por que em outros, o mesmo espírito de crueldade e humor negro não consegue provocar o riso? Penso que os piores mistérios da vida, porque indecifráveis, não podem ser generalizados, e isto é uma tragédia. O olhar caridoso de Solondz desaparece por trás do diretor, agora fascinado pelo bizarro. Na verdade, onze anos depois, Solondz, contando as mesmas histórias, dá um passo atrás.
O que era ironia virou fetiche e o que era humor inteligente virou afetação. Solondz, com um pé no reacionário, fala demais e quanto mais fala, mais corre o risco de dizer besteiras, o que acontece. E o filme vira um catálogo repetitivo de neuroses e culpas. Solondz adora cutucar feridas abertas, mas virou um voyeur das próprias imagens. O filme? Afunda-se em si mesmo.
EDSON BUENO
http://efranbueno.blog.uol.com.br/







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