Eu quero viver de dia
O escuro do dia traz o único momento mais ou menos calmo, onde travestis e transexuais podem ter um mínimo possível de vida. É quando a noite se aproxima que a vida para algumas pessoas se inicia. Dorme-se durante o dia, e vive-se durante a noite - ou pelo menos tenta-se viver.
A noite traz com seu brilho enigmático, que a muitos encanta, um lado sombrio, que é carregado de marginais, delinqüentes, vândalos, cafetões, e gente da pior espécie.
Junto a todos estes tipos, “ganham o dia” em plena noite, muitas travestis e transexuais, que fazem da vida noturna seu convívio em sociedade, sua felicidade e seu sustento. É na noite que muitos transgêneros podem viver em espaços “gentilmente” cedidos por uma sociedade que prega ser justa e igualitária, tanto em chances como em oportunidades iguais para todos. É nela que travestis e transexuais muitas das vezes têm que se prostituir e até se marginalizar para que consigam viver um pouco mais dignamente a sua realidade de vida.
Durante a noite, aprende-se a lei da selva, onde o mais forte sobrevive, exterminando o mais fraco, onde quem pode mais exige coisas de quem não tem forças e nem auto-estima para poder alguma coisa. Nesta pressão toda, forma-se a personalidade da travesti ou da transexual. É sofrendo as dificuldades que o meio lhe impõe que ela aprende que precisa ser forte e ser a primeira, se quiser sobreviver. Algumas sobrevivem sim, mas são poucas as que conseguem adquirir o status de poder viver dignamente seu caminho traçado.
A noite realça o brilho das roupas, a silhueta bem feita e torneada e o brilho que algumas ainda têm no olhar por acreditarem num mundo mais humano e sem tanta violência e injustas cobranças. Algumas acreditam nisto, enquanto outras morrem anônimas, sem trabalho, sem identidade, sem família, sem poder conhecer o dia, pois até este direito é arrancado das que ousam ultrapassar o limite da mudança de seu próprio corpo em função de sua felicidade.
Maite Schneider
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eu quero falar com a verdadeira maite
eu sou louca pela a maite perroni
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