O inferno somos nós

Sempre aconteceu a recusa de aceitar-se o diferente. O diferente
incomoda pois acentua algo em nós mesmos que não gostamos e que portanto
rejeitamos, criticamos e não queremos discutir.

Desde a adolescência, buscamos alguma identidade qualquer com o
grupo ao qual pertencemos. Buscamos as mesmas marcas de roupas, o mesmo trejeito
comum, o mesmo brinquedo de Natal. Queremos, nesta idade, que nossos pais sejam
iguais aos pais de nossos amigos e que nada fuja deste modelo que
convencionou-se certo e normal.

O que sai deste padrão, é tido como anormal, ruim e sujeito à
punição. Merece ser castigado e deve ser tratado como pecado mortal. Pobres de
nós, meros mortais, que acreditamos nesta ordem caótica.

Não aceitar o diferente é não aceitar em primeiro lugar a si
mesmo; mas significa principalmente matar a diversidade e a grandiosidade que se
é, ou que se pode ser. Não respeitar as diferenças é dar um fim ao potencial que
somos, enquanto cabeças pensantes e dotadas de raciocínio. É exterminar o melhor
de nossa essência em detrimento de um lugar comum que todos podem chegar, e onde
a falta de criatividade e vida são inerentes.

Somos o que nascemos; o meio somente nos transforma em algo pior
ou melhor, nada mais. Ele nos dá as ferramentas necessárias para a luta, mas não
nos ensina a lutar. A tarefa do aprendizado da luta é feita por cada um de nós,
e somente se fará presente no momento em que não aceitarmos sermos somente mais
um, no momento em que quisermos fazer a diferença através de nossas diferenças.

Enquanto gays, lésbicas e transgêneros continuarem sentindo-se
vítimas, o quadro permanecerá o mesmo. Massacres continuarão sendo cometidos, e
atrocidades continuarão sendo abençoadas pela humanidade, pelos governantes e
pela Igreja.

É hora de mudarmos o discurso, de começarmos a lutar, e
não somente ficarmos contabilizando nossos mortos queridos. É hora de dizermos
BASTA aos que sempre nos imputaram pena fatal por sermos o que somos: lutadores
que usam como armas de combate e sobrevivência as diferenças que tanto nos
engrandecem.

Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com 

 

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