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A hora do vice e versa
Dos primórdios da história da humanidade, até os dias de hoje, o
preconceito sempre participou da construção das idéias da população em geral.
Passando pelos índios, pelas muitas Inquisições, pelos negros,
pelas mulheres e chegando hoje na aparição mais assídua de grupos tidos como
minoritários no contexto de vida em sociedade, no sentido mais público da
palavra. O dito preconceito vem sempre acompanhando este avanço todo.. Ele vem
como sombra negra, com suas idéias pré-concebidas de coisas que não se ousa
discutir e muito menos respeitar. Vem como um escuro de sangue, carregando
mortes no caminho por onde passa (inocentes são levados, sem ao menos terem
direito a um justo julgamento....o punhal é cravado sem que haja modo de
recorrer da triste sentença). Ele vem para se estabelecer como o verdadeiro "Mal
do nosso século".
Em se tratando de mudança de milênio, faz-se mister ressaltarmos
mais uma vez o preconceito, não somente como discussão, mas principalmente como
reflexão. Refletir nossos próprios preconceitos escondidos no lado escuro de
nossa alma e repensarmos em que somos tão diferentes dos muitos que discriminam
a torto e a direito.
Será que os segmentos minoritários, e também os discriminados em
geral, não estão fazendo o caminho inverso a tudo contra o que lutam? Será que
os apedrejados não estão buscando a paz com atiradeiras a tiracolo?
O preconceito dos discriminados contra os discriminantes é tão
grave quanto o destes, e deve ser aniquilado, e não propagado. Os tempos são
outros, e a mudança de consciência deve acompanhar todo este trâmite.
Ser gay "pode" ser legal; se gay você for. Ser hetero "pode" ser
normal, se hetero você for. Não importa o que se seja, importa que se possa ser
o que se é, sem cobranças, sem mesquinharias, sem discriminações de qualquer
ordem e principalmente sem precisar usar máscaras ou ficar se aniquilando em
função de um modelo pré-determinado por convenções que não estão mais em
voga.
O caminho da construção é árduo e requer muito trabalho. E
trabalho mútuo, recíproco, com efeitos vice e versa neste sentido. Nada se
constrói sem discussão, sem debate, sem cooperação e principalmente sem
parcerias. Não se está sozinho neste processo de edificação. Sozinho, pouco se
faz, e neste momento é necessário que muito seja feito para que as nossas metas
e desejos sejam conquistados e a coletividade possa colher estes frutos, antes
que a própria humanidade acabe se extinguindo.
As parcerias devem ser entrelaçadas paralelo a tudo isto. Só
assim conseguiremos a tão sonhada conquista da diversidade, ou seja, o respeito
e a igualdade de chances e oportunidades em todos os segmentos da vida.
Que este texto seja o início de uma discusão construtiva e
fértil, no sentido de analisarmos a nós mesmos e avaliarmos nossas posições mais
íntimas. Que sem preconceitos de nenhuma ordem, consigamos ponderar sobre esta
questão tão simples que é a vida em sociedade e dela tirarmos o maior benefício,
não para o meu lado, não para o seu lado, mas o lado do bem comum e da
coletividade em geral, seja ela vice-vice, versa-versa, ou o apenas vice e
versa.
Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com







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