Vamos acabar com os mitos?
Os mitos ligados à sexualidade em geral são muito fortes e
estereotipados, devido à pouca discussão que se faz acerca deles e também ao
pouco conhecimento real do assunto.
É mais fácil e cômodo brincar com o rótulo criado do que
discutir seriamente as muitas questões que envolvem o desejo, a atração e o amor
homossexual, bissexual e até mesmo transexual.
"Brincar" parece nos isentar de qualquer tipo de
responsabilidade perante o mundo real. "Brincar" parece ser um jogo de poder
tudo, sem dever nunca explicar o que foi dito. "Brincar" é não ter argumentos e
nem coragem de encarar a si mesmo e as verdades que conhece dentro de si e que
não ousa discutir.
Chega de brincadeiras. Está na hora de tratarmos com a
seriedade devida os mitos da sexualidade, que tantos fantasmas criam e que
acabam assustando pessoas comuns, gente do cotidiano, jovens se descobrindo,
senhoras que nunca encontraram-se plenas e felizes, pessoas como a gente.
Desvendar os mitos criados é o primeiro passo para que se comece alguma
construção positiva do bem-estar da coletividade em geral e do ser humano em
particular.
Precisamos desta discussão para que os mitos não continuem
se propagando de maneira errônea e criando cada vez mais rótulos e limitações na
finalidade maior das pessoas, que é a de amar.
A seguir, alguns mitos criados e o que realmente existe de
verdade nisto tudo:
Ser passivo é ser menos digno.
Ser ativo é ser
superior.
Ser ativo numa relação homossexual é não ser homossexual.
Quem
é ativo é o "homenzinho", quem é passivo é a "mulherzinha" .
Estes rótulos
foram criados pelo machismo de nossa sociedade e pela imposição do
patriarcalismo como única forma da construção de uma sociedade sadia. A
sociedade criou o falso mito de que quem se entrega, doa-se ou "quem é passivo"
torna-se subjugado ou que pode ser dominado.
Bem sabemos que estes rótulos somente levam a aumentar as
muitas diferenças que já nos são passadas através da educação e dos conteúdos
deturpados da realidade. Ao criarmos estas ordens e ao continuarmos estimulando
estes preconceitos estaremos dando margem para que haja sempre um dominador e um
dominado, envolvidos numa relação de oprimido e opressor, onde não há igualdade
alguma que seja respeitada.
Bissexual é um gay enrustido.
O mundo é gay.
Todo
heterossexual é homossexual, só não saiu do armário ainda.
Ser normal é ser
heterossexual.
Bissexual é um homem hetero que transa com outro homem, um
homossexual masculino que transa com mulhers, uma homossexual feminina que
transa com homens ou uma mulher hetero que transa com outra mulher.
Mais
rotulações e crendices que se formaram e continuam fazendo parte do modo de
pensar de muita gente.
Todos devem ser livres para serem o que quiserem, e no
momento em que desejarem. Hipocrisia nossa ficar achando que todos têm que ser
alguma coisa e levar este estigma para o resto da vida. O importante é estar bem
consigo mesmo, não importando a forma de sexualidade vivida.
A travesti é sempre "passiva"
O michê é sempre "ativo"
O gay é quem dá.
Novamente a história de que “quem come" está livre de
toda a culpa e sujeira do pecado que a educação e a religião imputam ao amor
entre iguais, ou qualquer outra forma de amor que ela não julgue ser aceitável.
A travesti pode ser passiva ou ativa, o michê idem, e para
ser gay, homossexual, bissexual, transexual ou travesti você não precisa
necessariamente ter que "dar". Temos que acabar com o mito negativo das
aparências. Nem sempre o que você vê no exterior da pessoa representa a sua
sexualidade. A sexualidade é algo muito mais profundo, está no sentimento e não
somente na roupa que se veste e no trejeito que se possui.
Toda travesti é marginal, drogada e prostituta.
Toda
transexual é linda, inteligente e de bem com a vida.
Todo homossexual é
fanático por sexo e não pensa em outra coisa.
Aqui antagonismos continuam
sendo colocados. Por que sempre temos que colocar opostos para que consigamos
avaliar alguém ou alguma postura??? Por que para que "A" faça sucesso, "B" tem
que ficar na pior???
Há transexuais que se prostituem, travestis inteligentes,
transexuais que sãos marginais. Há travestis de bem com a vida e transexuais
também. Transexuais lindas e travestis mais lindas ainda. Tem travesti que vive
drogada, também tem as que não. Vivemos num universo de diversidades, e como tal
não encontramos pontos comuns em atitudes e maneiras de pensar. É muita
ignorância rotular as pessoas num grupo e querer que todas ajam de igual maneira
e tenham condutas similares.
Com base nos mitos acima citados (e duvido que você nunca
tenha pensado ou exteriorizado pelo menos um deles), podemos perceber o quanto
há de errado em basearmos nossas afirmações e opiniões em cima desta mitologia
toda.
Uma sexualidade sadia somente se constrói quando deixamos
de lado tabus, mitos e preconceitos, e partimos para a vivência real e plena
daquilo que realmente somos: seres sexuados predestinados a viver o amor em toda
a sua plenitude.
Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com







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