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Kauan Von Novack, Nathalia Sevciuc e Suliane Mosele mostram tudinho o que aconteceu de novidades na Semana da Moda em Curitiba
A semana de moda de Curitiba aconteceu no primeiro fim de semana de abril, e reuniu 16 novos talentos da moda curitibana, em um evento de moda novo, com o objetivo de incentivar a produção dessa industria dentro do cenário local trazendo para um publico abrangente dentro do festival de teatro que estava acontecendo desfiles de moda local. O publico era restrito, porem era possível conseguir ingressos em bilheterias, e em alguns momentos foi liberada a entrada do publico sem ingressos. Uma bela iniciativa para pessoas que pela primeira vez viam um desfile, e entendiam que a moda não era distante da realidade deles, como pensavam. O evento teve um ar mais popular, com vários estudantes de moda compartilhando primeiras fileiras com a imprensa especializada. Abaixo, analise dos desfiles:
O desfile da Canalli trouxe a inspiração da efervescencia cultural de Vienna, aliada com o militarismo e o folk trouxeram fascinio aos presentes. Em questão de modelagem, recortes, sobreposições e alfaiataria ficaram em evidência. Nos detalhes a mistura de materiais, produtos artesanais, formas dos anos 70 e o estilo militar e country chic, chamaram a atenção. A cartela de cores foi composta basicamente preto, branco, cinza e tons terrosos com laranja, marrom e verde, criaram harmonia entra as peças.
O desfile da Club.Z foi categoricamente performático, trouxe uma mulher sexy, moderna e cosmopolita. A coleção bastante confortável e elegante tinha uma modelagem bastante minimalista que lembrava um pouco os anos 20.
O mix de tendências que passou por peles, animal print, um tom de romantismo através das rendas e laços acabou afetando negativamente a identidade da coleção.
Curitibanos, no que depender de Renata Luciana, seus problemas meteorológicos estão resolvidos! A estilista/figurinista inspirou-se em guarda-chuvas para desenvolver sua coleção e foi exatamente isso o que vimos na passarela do SMCwb. Vestido-guarda-chuva, capa-guarda-chuva, saia-guarda-chuva, bengala de cabo de guarda-chuva e por aí vai. Um conceito bastante lógico proveniente de um tema um tanto quanto limitador. As hastes do objeto-inspiração serviram para estruturar as peças que eram predominantemente pretas, alguns detalhes de estamparia e quase tudo em tafetá de nylon que é o tecido usado na fabricação de…Guarda-chuvas!
Então se você tem medo de se molhar e não gosta de carregar sua sombrinha, essa é a sua chance! Corre e garanta seu look-guarda-chuva by Renata Luciana!
A galeria Novo Louvre entrou na passarela com uma coleção excelente. Com a referencia do ”eterno efemero” contradiçao presente da moda, as peças levavam a uma reflexao muito interessante sobre isso, apesar de nao tao óbvia. O uso das formas arquitetonicas nas roupas remeteram muito a Balenciaga, e o ponto de sustentação único em varias peças mostraram a forte conexão da marca com a arquitetura. Com cores nudes e tons mais terrenos, mostrou tendencias de mercado de maior conforto, assim como as sobreposições de camadas e as transparencias presentes em varias coleções internacionais.
Segue uma linha muito interessante no perfil curitibano, elegante e ao mesmo tempo sem grandes performances, leva a uma reflexao sem chocar. Estão de parabéns.
Quem disse que simplicidade e sofisticação não podem andar juntas? A estilista Soraya da Piedade mostrou que podem sim e conseguiu alia-las em seu desfile.
Com cartela de materiais e cores bem simplificada, a estilista criou saias, blazers e vestidos, usando renda, tafetá e cetim, nas cores preto, branco, bege, vermelho e rosa.

A inspiração da da Hype foi basicamente as etapas de concepção da roupa. A malharia retilínea foi o forte, um trabalho de vinil contrastando fortemente com o moletom, e como acabamento, muitas rendas nos pulsos, colo, e decote. Tudo isso agregado a maxibijous em formato de botões e agulhas dourados. Com estampas divertidas de réguas, moldes e fitas métricas em tons extremamente chapados. Uma influência arquitetônica muito presente, os paetês estavam ótimos e a relação entre os elementos deu um charme ótimo à proposta da marca.
Ao som de música clássica a feminilidade dominou o desfile de Babi Nogueira. A cartela de cores em rosa, lilás e verde-água reforçavam ainda mais o ar romântico da coleção. Uma silhueta bem marcada com muita transparência através dos tules, rendas, voil e organza. Muito volume nas mangas e saias que ora vinham em camadas ou bem sequinhas. Os cintos em cordão de são francisco e em tecidos torcidos deram uma conotação inusitada, às vezes as modelos me pareciam fadas prontas para voltar pra terra do nunca. Quem é fã de brilho teve que se contentar com o efeito proveniente do cetim, uma dos materiais eleitos para a coleção que também apresentou algumas peças em malharia.
A velvet underwear utilizou um conceito underground fashion que surpreendeu a platéia. A identidade foi super respeitada a ponto que em certos momentos se desligou das tendências e ousou em vários momentos. A apresentação foi performática, e varias vezes dramática.
A modelagem remete a corrente belga do desconstrutivismo, com costuras aparentes e em lugares inusitados, grandes botões e gola trabalhada originalmente, de forma a dar um maior foco ao peito.
A coleção tinha um ar mais esportivo e confortável, com mistura entre listras horizontais e verticais na mesma peça, peças soltas e calças saruel. Remeteu muito à androginia, com influencia da classe trabalhadora e mais que tudo sua identidade sobrepondo-se às tendências, o que é algo a se tirar o chapéu.
Estampas rock, peles, jeans e cetim tiveram presença constante no desfile da Expressionize. Com cartela de cores composta basicamente por preto, branco, cinza e algumas cores terrosas, a variada coleção da estilista Mariana Lazzari é formada por camisetas, coletes, calças, saias, vestidos, entres outros.
Das roupas a trilha sonora, tudo com um toque de rock que sem dúvidas agradou ao público do desfile.\
A coleção de Rennan Negrão, iniciada com o som de sinos e modelos andando como sonambulas pela passarela,foi marcada especialmente pela transparencia, relaçao com a inspiração da coleção, o vidro. A coleção estava interessante, com uma modelagem dinamica onde aliaram tecidos como o neoprene (tendencia vinda da ultima coleção da MiuMiu?) mesclado com artesanato e linhas verticais, aliando bolsas versateis que formavam capuzes e se transformavam em parte da roupa com sobreposições de camadas nas saias de cintura alta que deixavam o streetwear elegante e über sexy.
A coleção de Ana Paula e Juliana Silva foi marcada pela delicadeza e pelo patchowork, com muita linha reta e materiais em malharia. O artesanato e o ar hippie conferiam um ar refinado e comercial a coleção, com cores fortes e ares de menininha, com maxigolas e mangas em artesanato. As cores fortes mescladas com os ares rusticos mostraram a delicadeza das estilistas, assim como as lembraças deixadas nas cadeiras dos convidados, de uma gentileza surpreendente. Parabéns!
A marca conseguiu imprimir na sua coleção o tradicionalismo e elegância da grife Gianni Cocchieri e a modernidade e jovialidade dos estilistas Vinicius Cocchieri, Gianni Jr. e Mariah Marra.
A cenografia que remeteu um pouco ao outono europeu, a trilha sonora e as malas pelo chão nos fizeram viajar até o outro continente. A Cocch seduziu a todos com seu outono em tons terrosos e sua modelagem à altura da sensualidade brasileira. O acabamento impecável e a escolha precisa dos materiais da coleção elevaram consideravelmente o nível e o requinte da passarela da SMCwb.

O desfile da Miha, idealizado com uma identidade rock euma pitada punk, trouxe um frenesi à plateia com musicas sensuais. Roupas desconstruídas foram a sensação do desfile, com alfinetes aparentes usados para marcar penses e costuras, muita relação militar e transparências. As estampas foram usadas com referência anti-moda, como Don’t Feed the Models (nao alimente as modelos) Eat Your heart (Coma seu coração) abordando bem a imagem externa da indústria da moda mas com muito charme na construção da coleção.
“Chocolateira é romântica, baseada na sensibilidade lúdica e nas boas lembranças da vida. … Delicadeza e romantismo alimentam as formas…” O release da Chocolateria já diz tudo sobre a coleção que foi feita “para uma menina com um guarda-chuva”. Super vintage com vestidos 50′s, cintura marcada, estampas liberty, de passarinhos (desenvolvida pela prórpia estilista), de bolsinhas… Super girlie com direito a detalhes de coraçõezinhos vazados nas costas de vestidos e camisetas. Pena que o verão acabou (se é que ele existiu), os looks eram perfeitos para um dia no parque ou campo.

A marca Marry Spisla, com seu conceito de exclusividade para a mulher contemporanea, utilizou modelagem enviesada, detalhes em renda, com transparencia, o preto foi uma constante, e polainas e chapéus de pele conferiam um ar nórdico ao trabalho que assumiu um ar moderno e ao mesmo tempo saudosista, com ajustes bem equilibrados, fluidez e rendas em detalhes nos pulsos. Bela coleção.

Longos ou curtos e sempre muito retos os vestidos de Rubia Dallarmi fecharam com chave de ouro os desfiles da Semana de Moda de Curitiba. Vimos aplicações coloridas (ou não), de couro, bordadas, com plumas, decotes acompanhando o conceito dos adornos, peças construídas inteiramente com rendas, de um ombro só… E o tecido escolhido para os longos conferiu um caimento muito especial às peças que, na minha opinião, são as mais incríveis!

Matéria de Kauan Von Novack, Nathalia Sevciuc e Suliane Mosele
Veja mais fotos em http://positivofashion.files.wordpress.com
Ou fale direto com o super Kauan pelo email kah.von.novack@gmail.com







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