Por trás das coisas que digo
Fazer alguma coisa traz sempre consequências em nossas vidas e
muito rapidamente percebemos as manifestações positivas e negativas que
acontecem devido à nossa atitude. Com o falar, muitas vezes não notamos as
reações que surgem do nosso hábito comum de manifestar os pensamentos.
Falamos e emitimos opiniões sobre os mais variados assuntos de
modo tão natural e impensado, que vez ou outra, nem notamos que nos tornamos
agentes modificadores das coisas e mentalidades que nos cercam. Algumas pessoas
falam sem entender o que dizem e nem pensam na repercurssão que vai ter este
amontoado de frases que foram ditas. Precisa-se falar, dizer, manifestar-se a
toda a hora e em todos os momentos possíveis. Talvez falando não encontremos
tempo para refletirmos nossas verdades mais íntimas e consigamos fugir de nossas
culpas e medos.
Está mais do que na hora de refletirmos bastante sobre O QUE
falamos e na responsabilidade que temos sobre as coisas que dizemos. Não se pode
mais imaginar um falar sem esta responsabilidade. Comentários que muitas vezes
podem aparentar inocência, brincadeira ou simples ironia, podem ter um grande
peso negativo dependendo do contexto em que sejam usados ou do momento em que se
encontre a pessoa que os receba, seja direta ou indiretamente.
O ser humano é complexo demais para ser entendido em sua
essência. Cada um não se conhece a si mesmo em sua totalidade. Quantas e quantas
vezes nos surpreendemos com a força que temos para ultrapassar determinadas
situações. E já não foram uma ou duas vezes que voltamos atrás, com medo de
certas coisas, que jurávamos que enfrentaríamos se um dia fosse necessário.
Tod@s já passaram por isto. E não há nada de errado em estarmos num eterno
conhecimento de nós mesmos. Não nos conhecemos, e temos menos saber ainda de
quem é o nosso amigo, amiga ou o desconhecido que cruzamos diariamente nas
ruas.
O que não pode continuar acontecendo, é atuarmos de maneira
negativa sobre as vidas de pessoas que não sabemos quem são. E que talvez nunca
saibamos. Ao dizer algo para alguém, VOCÊ pode estar acabando com a vida daquela
pessoa, com os sonhos que ela carrega no seu coração e com a perpectiva de vida
que ela possui. Lógico que você nunca deve ter parado para pensar nisto. Eu
também nunca tinha imaginado esta possibilidade de ser uma destruidora de seres
humanos ou até quem sabe uma assassina indireta, por ter o poder de ser a “gota”
que faltava para entornar o caldo de baixa auto-estima e sofrimentos que
determinada pessoa carregava em seu íntimo. Esta mesma pessoa que parou em minha
frente, que pediu minha opinião, ou que simplesmente ficou ouvindo as coisas que
eu dizia sem parar (e algumas vezes sem pensar, reproduzindo somente modelos que
foram-me passados e absorvidos por osmose), pode ter se matado ao chegar em
casa, ou pode ter se fechado mais ainda para o mundo, deixando de acreditar que
algo bom possa acontecer em sua vida.
Será que nunca fiz isto? Será que nunca fui uma má pessoa? Será
que sou tão boa quanto imagino ser ou estar sendo? Não sei. Tenho minhas
dúvidas. Foram tantas as palavras e frases que já disse, que juro que não
sei.
Tentarei pensar um pouco da próxima vez, como estou pensando
neste momento em que escrevo.
Quando procuramos por algo, sempre encontramos. Podemos não
encontrar o que desejamos, mas encontramos coisas pelas quais não esperávamos e
estas surpresas tem um valor ímpar nas lembranças que guardamos de nossa vida.
Quando pensamos em algo antes de falarmos sempre ganhamos. Podemos não falar
tudo o que tínhamos vontade de dizer, mas construímos sempre algo de bom e
positivo. Se não podemos acrescentar algo de construtivo, que fiquemos calados e
que deixemos de emitir nossa opinião.
De coisas ruins o mundo está cheio, que nossas palavras não
sejam um acréscimo neste lixo acumulado que se espalha quando abrimos algum
jornal, revista, site ou outro meio qualquer de comunicação.
Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com







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