A igreja ainda será perdoada

Milênios, séculos, anos e mais anos se passam, e inquisições
continuam sendo feitas. Torturas são cometidas cotidianamente e atrocidades em
nome de Cristo, Bíblia e “amor divino” fazem vítimas fatais e inocentes todos os
dias a cada novo salmo que é lido, ou melhor, interpretado.

São torturas silenciosas, piores do que gotas pingando na testa
de segundo em segundo ou do que agulhas sendo enfiadas debaixo de nossas unhas
(que são da mesma constituição entre heteros e homossexuais). São inquisições
sem fogueiras mas que nos fazem queimar lentamente por dentro, sofrendo com a
queimadura interna da rejeição familiar, do ódio dos parentes e da repulsa
discriminatória de nossa sociedade vil.

As Igrejas continuam fazendo favores “aceitando-nos” como
pecadores (parcialmente, sempre com abraços distantes e apertos de mão sem muita
vontade) - como sujos que merecem ser limpos por pseudo-religiosos que acreditam
terem o Espírito Santo, como guia de suas atitudes ou como doentes que precisam
ser curados, tratados e muitas vezes convertidos para o pensamento que estes
“religiosos” acreditam ser a verdade de Cristo.

Vivemos num país laico e democrático. Temos uma bela
constituição que nos guia e que serve de fundamento para que nossos direitos
humanos e de cidadão sejam explícitos e respeitados. Vivemos numa sociedade que
é guiada pelo livre arbítrio e pela liberdade de expressão em suas mais diversas
esferas.

Tudo mentira o que foi escrito acima. Sinto informar que leu o
parágrafo anterior à toa. De nada vale o mesmo quando discutimos direitos,
questões sociais ou políticas. Eles se perdem, anulam ou simplesmente mudam
conforme o salmo lido pelo pontífice maior, pelo sacerdote de nossa congregação
ou pelo pastor político.

Sempre com os mesmos chavões e frases prontas, sempre carregando
no coração a tradução errada da Bíblia e dos ensinamentos do Senhor e sempre
trazendo atrás de sua benemerência o “punhal da conversão”, estes que se
denominam “religiosos” demonstram a cada novo discurso que não estão preparados
ainda para a vinda do Salvador.

Se acaso chegue o dia onde consigam tratar as diferenças com
igualdade, o próximo como irmão real (não somente irmão “menos favorecido”) e os
excluídos como seres humanos verdadeiros e inteiros, então acredito que talvez a
Igreja possa até ser perdoada por tudo o que já fez.

 

Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com 

 

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A fé nao tem nada a ver com a homofobia

Eu pessoalmente senti a dor da homofobia nas igrejas.

Por ter sido transexual eu fui vista como um ser terrível.

Como teóloga e alguèm q possui fé, vejo q grande parte sim dos fiéis usam a fé para provar sua homofobia. Porém não ha em Deus esse preconceito e ele abraça a todos q vem a ele.

Eu vejo isso na igreja q faço parte no Rio de Janeiro, onde faço trabalho pastoral. Hoje mesmo, 20 de julho de 2008, estarei realizando um casamento de dois lindos moços, pq o amor é maior do q a forma dos corpos. Deus é maior do q as pessoas dizem ele ser.

A fé é esperança e isso nao pode faltar em nenhum de nós.

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