Órfãos de pais vivos

O amor verdadeiro deveria ser sempre um sentimento incondicional. Um
sentimento que não colocasse condições e poréns. Entretanto, assim não funciona
sempre. O ser humano tem mania de somente fazer as coisas se receber algo em
troca ou se completar uma exigência. Temos que aceitar que são poucos os
felizardos que sabem amar e tem amor para isto.

Amar a si mesmo já é uma dificuldade. Somos eternamente insatisfeitos. Não
gostamos de nosso cabelo, da cor dos olhos, do corpo, de nossas manias. Enfim,
vivemos em busca de nossos defeitos, quem dirá o quanto cruéis seremos com os
defeitos alheios. Sai de perto! Mas esquecemos que o que conseguimos perceber no
nosso próximo são reflexos de nossa essência. Somente observamos nos outros
aquilo que somos e temos. E raras são as pessoas que entendem isto.

E amar o nosso semelhante (respeitando a diversidade que existe no mundo em
que vivemos?) quem consegue esta proeza? Pense, reflita e conte comigo. Isto
mesmo, conte agora. Quantas pessoas você conhece que se amem e consigam amar
INCONDICIONALMENTE seu semelhante? Sem querer mudá-lo e adaptá-lo aos seus
desejos?

Pensou?

Contou?

E a que quantidade chegou?

Tenho certeza, que quase nenhum ou somente alguns raros mortais existentes,
estou certa?

Triste realidade, dura crueldade....

É muito triste mesmo perceber e constatar que não sabemos amar e não estamos
pront@s para amar. Nem para sermos amados estamos preparados ainda. Estamos
preparados para exigir coisas dos outros e para mandar que saciem as nossas
vontades e necessidades. Mas a amar e entregar-se poucos são ainda os
felizardos.

E vai crescendo o número de órfãos de pais vivos. Crianças, adolescentes e
até mesmo adultos que continuam abandonados, largados e sem laços familiares.
Quantas crianças jogadas em lixeiras? Quantos homossexuais odiad@s e repelidos
de seus lares por conta de sua orientação sexual? Quantos deficientes e negros,
ainda sendo tratados como doentes e aberrações?

Eu, que já fui órfã de mãe viva, e fiquei mais de 10 anos, sem ter o convívio
de minha mãe, te digo: - Dói demais a dor da ausência de um amor presente e não
morto. Um amor que deveria ser sempre amor e que não consegue estar pulsando e
vivo. Não deixe esta dor em sua vida.

Hoje tenho minha mãe novamente e seu amor pleno e inteiro. E até mais forte,
pois conseguimos fazê-lo prevalecer. Peço a ti, seja forte, nem que para isto
tenha que pedir desculpas. Isto não é fraqueza, e sim força. Isto não é
vergonha, e sim motivo de orgulho. Se você AMA de verdade, não fique esperando e
nem colocando condições. Vá atrás de seu amor e de quem você ama, pois somente
assim estaremos indo na certeza do caminho correto - o caminho de nossa
felicidade.

 


Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com

 

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