Bisexuais: culpados ou inocentes

A bissexualidade é antiga. Nasce com todos nós. Todo ser
nasce de uma célula masculina e outra célula feminina e esta bissexualidade,
tanto física como psíquica, perdurará pela vida inteira. O sangue de todo homem
contêm hormônios femininos e o de toda mulher, hormônios masculinos.


Em nossa essência carregamos, em doses variáveis, algo
do masculino e muito do feminino, algo do feminino e muito do masculino ou ainda
temos um equilíbrio entre os dois.


Como possuidores que somos, deste masculino e
feminino, temos atração por coisas masculinas e feminas. Estas coisas poderão
ser objetos, qualidades ou pessoas. Somos, enquanto seres humanos, possuidores
de uma amplitude gigante de possibilidades. Nascemos para acertar e para sermos
felizes, mas infelizmente isto nem sempre é o que acontece.


Devido a preconceitos que nos são ensinados,
continuamos reproduzinho estigmas que nos limitam a ser de um jeito único e
robotizado. O menino continua não podendo usar rosa e sai de perto se a menina
não brincar de boneca. Está certo que as coisas estão mudando, mas é incrível o
número de pessoas e pais, principalmente, que ainda pensam deste
modo.


Passando para a sexualidade e para a orientação do
desejo particular de cada indivíduo, a situação complica ainda mais. O sexo e a
sexualidade ainda são tabús, por mais que digamos o contrário. Quando nascemos,
se temos "pintinho", já nos cobram que o desejo e o objeto deste desejo, que
ainda nem sonhamos em ter, seja uma mulher. O contrário também é estipulado
ainda no nascimento, embora a mulher ainda possa não ter objeto de desejo, que
aceita-se sua condição. O menino, se não tiver desejo e não tiver vocação
religiosa para servir a Deus, "cruz-credo"!


Assim, vamos sendo podados e limitados. Vão dizendo o
que podemos e não podemos, em nome das regras societárias. Vão moldando-nos como
barro, não se importando com nossos reais sentimentos. Sentimentos estes que
também serão moldados, conforme o desejo de nossos pais, professores e da
sociedade em que vivemos.


E cada vez mais ficamos distantes da nossa real
felicidade. De tanto nos moldarem, já não somos mais nós mesmos. Já nem sabemos
mais quem somos. Quanto mais, o que queremos e desejamos. Pobres seres humanos
que somos!


Vamos abrir nossos horizontes, exterminar com as
fronteiras que nos foram impostas e sermos finalmente nós mesmos. Vamos viver e
deixarmos viver. Livres, como sempre deveríamos ser. E quanto ao nosso desejo e
aos objetos de nosso desejo, que sejam tão livres quanto nós mesmos. Que
possamos amar quem nos ama e que consigamos ser recíprocos neste sentimento,
seja por tesão, afeto ou amor.

 


Maite Schneider
http://www.casadamaite.com
casadamaite@gmail.com

 

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