O que você tem que saber para negar a ciência

A ciência tem enfrentado obstáculos por séculos, de Galileu a Mendel. Mas parece que a tendência de negar a ciência está voltando com força total recentemente. Pessoas colocam em dúvida abertamente teorias científicas que já estão estabelecidas e tem diversas evidências – como a teoria da evolução, os efeitos humanos sobre as alterações climáticas, a importância das vacinas e outras ideias que tem alcançado um consenso esmagador na comunidade científica.

Pesquisadores e escritores científicos se reuniram na Universidade de Wisconsin em uma reunião intitulada “Escrita sobre ciência na Idade da Negação”. Eles observaram que a negação aparentemente espontânea da ciência pela população é muitas vezes um ataque cuidadosamente coreografado.

Sean B. Carroll, um biólogo evolucionista da Universidade do Wisconsin-Madison, traçou semelhanças entre um movimento de vacina anti-pólio por quiropráticos na década de 1950 e as tentativas posteriores de outros negarem a evolução. De acordo com ele, houve várias semelhanças entre os movimentos. Os negadores começaram a duvidar da ciência, apesar das evidências. Depois, começaram a questionar os motivos dos pesquisadores e citaram “autoridades” para dar a impressão de uma discordância entre os cientistas. Os céticos apelaram até para a liberdade pessoal – como o direito de não se vacinar.

De acordo com Carroll, para aceitar a ciência, as pessoas começaram a achar que precisariam repudiar algumas filosofias individuais ou de grupo. No caso da vacina da poliomielite, isto exigiria a aceitação do fato de que um vírus causa a doença – sendo que a quiropraxia rejeitava isso. É o mesmo caso da evolução, rejeitada pelos ensinamentos bíblicos.

A historiadora Naomi Oreskes da Universidade da Califórnia fez estudos semelhantes em relação às mudanças climáticas. Pouco tempo depois de surgirem evidências de que o aquecimento global é, em parte, causado por humanos, nas décadas de 1980 e 1990, logo surgiram grupos negando a hipótese. “Isso surgiu como uma campanha politicamente motivada dizendo que a ciência estava instável e que, portanto, era prematuro agir para limitar as emissões de dióxido de carbono na atmosfera”, disse ela. Esta estratégia funcionou, em parte, porque as dúvidas iniciais, uma vez semeadas, podem ser difíceis de superar.

Parte da estratégia para colocar a ciência em dúvida é exigir “equilíbrio” da parte dos jornalistas, mesmo quando a comunidade científica já está em acordo sobre um tema. Pesquisadores afirmam que mais de 97% dos cientistas climáticos concordam que as alterações climáticas tem uma mãozinha humana. Mesmo assim, pessoas que escrevem sobre ciência correm risco de criar um falso equilíbrio nos textos. Dizer que alguém “acredita” na mudança climática ou na evolução acaba por menosprezar as ideias, por exemplo. É como se a ciência fosse um sistema de crenças, em que as evidências podem ser descartadas

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