Travestilidade e transexualidade são características humanas como bondade ou nacionalidade

Eram os deuses astronautas? Talvez tenham sido médicos, afinal, tão investidos que são da legitimidade para decidir o ideal humano e seus limites de correção, o certo, o patológico. Alto demais, baixo demais, magro demais… gigantismos, nanismos, raquitismos e tantos outros “ismos” são denominações condenatórias de nossa humanidade.

Derrubar um desses e transformá-lo em homossexualidade, por exemplo, demandou não apenas uma forte manifestação social, mas todo um movimento multidisciplinar de cientistas apoiados em seus estudos campais e lógicos. Ainda temos o termo transgenerismo que inclui o transexualismo e o travestismo descritos na medicina, balançando entre as luta de forças de todo o mundo científico.

A verdade, que carrega esse mais belo sufixo, reconhece a travestilidade e a transexualidade como meras características humanas, da mesma forma que a capacidade, a bondade, ou mesmo a nacionalidade. Hitleristas, que sofriam terrivelmente de um doentio racismo, procuraram embasar suas ilógicas crenças em dados médicos e religiosos exatamente da mesma forma que certos (ou deveria dizer incertos?) líderes o fazem ainda hoje.

Lógica

Essa questão toda, afirmo eu, trata-se menos de lógica, mas de relações de poder, da tentativa de uniformizar e controlar seres humanos dede a infância, como os adolescentes que caminham na esteira de Pink Floyd – The Wall (foto), inconscientes do moedor de carne que lhes aguarda: a vida sem vida, a existência de negação da própria essência e de uma culpa cuja aparente redenção somente é atingida pela dissimulação ou submissão. Se não somos o ser humano tido como ideal, fingimos ser ou acatamos uma classificação inferior impregnada de consequências.

Nós não somos todos iguais e a aceitação plena de nossa imensa pluralidade individual é o único caminho para a justiça igualitária. Todo e qualquer modelo de ideal humano, seja em razão da aparência física, sexo, raça, gênero, classe social, capacidades ou crenças, leva consigo a origem da discriminação na medida em que cria imediatamente indivíduos “menos ideais”. Não queiramos, pois, um mundo de seres perfeitos. Antes, aprendamos a amar esse nosso belo mundo de seres humanos.

*Márcia Rocha é advogada, militante e travesti. Livre como poucas, vive sua vida o mais intensamente possível, criando suas próprias regras da mesma forma como criou seu corpo escultural. Uma mulher especial com algo a mais, que vive para ser e fazer feliz.

www.paupraqualquerobra.com.br/2013/04/26/travestilidade-e-transexualidade-sao-caracteristicas/

 

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