Desafio é trabalhar no que gosta e ter vida pessoal tranqüila e feliz

 

Quantas vezes você já não sentiu aquela vontade louca de largar tudo e fugir para um lugar lindo, agradável e bem longe do trabalho? Ora, isso é mais do que normal na vida estressante e diária que todo mundo tem. Mas quando este sentimento se torna cada vez mais freqüente, ele é um alerta para se fazer uma boa análise da vida profissional.

A situação é mais comum do que se pensa. Tanto é que já existe no Brasil a profissão de coach, uma espécie de consultor das situações da vida pessoal e profissional. 'É que ainda não encontramos um nome em português para o termo americano', comenta o work coach Aldo Novak. 'Mas meu trabalho vem da necessidade que algumas pessoas têm de identificar a crise na vida profissional ou um problema de fundo emotivo pessoal que se manifesta no trabalho. Ele nem sempre é algo visível, nem sempre é tão óbvio', continua ele.

Novak diz que a maioria dos seus clientes são pessoas que tem o estilo de vida que todo mundo gostaria de ter: 'São muito bem remunerados, possuem uma excelente qualidade de vida, mas que não estão felizes exercendo suas atividades'. Ele conta que já tratou de inúmeros casos: mulheres que sempre se dedicaram à carreira e, de repente, querem parar com tudo para serem mães; homens que chegam aos 50 anos e querem mudar de profissão, e até mesmo pessoas que não tinham mais satisfação no trabalho porque a vida familiar estava de mal a pior. 'Mas o que mais me chama a atenção são as pessoas que escolhem fazer o que não gostam para ter dinheiro. Isto eu sempre digo que é se vender muito barato', diz Novak.

De fato, dinheiro não é tudo. Buscar satisfação na vida é fundamental. O desafio é conseguir juntar as duas coisas e ser feliz. Para isso ninguém pode ter medo de arriscar, nem que seja um pouquinho. A jornalista Sarah Rodrigues, 24, chegava ao seu trabalho todo dia se perguntando o que estava fazendo naquele lugar. 'Um dia, senti vontade de levantar da minha mesa e pedir demissão na hora para minha chefe', conta.

Mas, como Sarah faria sem o bom salário que lhe pagavam? Ela se ateve a essa idéia por quase um ano, até o dia em que viu que a sua felicidade não valia aquele dinheiro. 'Ninguém da minha família concordou comigo. Realmente, a empresa era uma mãe para os funcionários, mas o fato é que eu queria trabalhar em redação e ser repórter', lembra ela, que acabou se demitindo.

Hoje, dois anos depois, Sarah é sub-editora de uma revista eletrônica onde não só organiza o conteúdo, mas também publica suas matérias. Seu salário caiu pela metade, mas ela não se arrepende nem um pouco da decisão. 'Sou muito mais feliz. Saí do emprego anterior sem nada na manga, tive que pôr currículos em vários lugares. Aqui, a vaga era temporária. Mas uma das repórteres resolveu sair e eu acabei ficando com a vaga', revela.

A história da jornalista é mais uma que faz parte dos números de duas pesquisas do Grupo Foco, consultoria especializada em recursos humanos (RH), feita com 25 mil jovens adultos em todo o Brasil. Os resultados mostram que a geração de Sarah está mais preocupada com a qualidade de vida do que a geração de seus pais. Cerca de 70% dos novos profissionais escolheram a carreira motivados pela vocação, enquanto 22,8% dos entrevistados optaram por uma de rápida ascensão, sendo a maioria deles, homens.

Caminho das pedras

Até descobrir sua verdadeira área profissional a qual hoje lhe traz plena realização pessoal, a professora de espanhol Sêmer Morais percorreu um longo caminho. Recém chegada da Bolívia, país onde foi morar quando ainda era muito pequena, ela voltou a Belém, sua cidade natal, no final da década de 80, quando ingressou no curso de Ciências Contábeis, na Universidade da Amazônia (Unama).

Foram quatros anos de estudos para ao final do curso Sêmer chegar à conclusão de que aquela não era a melhor carreira a seguir. 'Foi durante os estágios ao final do curso que percebi que números e cálculos me irritavam. Por causa disso fui aos poucos me sentindo desestimulada', lembra.

Abandonando a idéia das Ciências Contáveis, a professora sentiu que poderia optar por outra profissão ao observar a pobreza existente no país. 'Queria ajudar as crianças abandonadas e os mendigos, portanto tive a idéia de prestar vestibular para o curso de Serviço Social, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Passei, mas só cursei dois semestres porque percebi que não era cursando Serviço Social que iria mudar o mundo. Além disso, o excesso de teoria presente na grade curricular do curso me sufocava', revela Sêmer.

Dois cursos universitários deixados de lado, Sêmer Morais não desistiu de descobrir sua real vocação. Por conta de uma motivação espiritual, passou em seu terceiro vestibular, dessa vez na Faculdade de Teologia, em Belo Horizonte. 'Estudei Teologia por apenas um ano. Depois, segui para São Luís, onde fiquei por alguns meses dando aulas de espanhol', conta a professora.

Foi dando aulas que ela descobriu que seu futuro estava na sala de aula. Comunicativa, encontrou facilidade em lidar com os alunos sem contar a vantagem de ter sido alfabetizada em espanhol, experiência que contribuiu diretamente na sua fluência com o idioma.

Na volta à Belém, em 1999, continuou dando aulas de espanhol e não parou mais. Há dois anos, Sêmer matriculou-se no curso de Letras com habilitação em Espanhol, na Unama, a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos. 'De fato me encontrei na língua espanhola como professora e como tradutora e intérprete', afirma.

http://www.oliberal.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=827  

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Linhas e parágrafos quebram automaticamente.

Mais informações sobre opções de formatação

ANTISPAM
Usamos este sistema para evitar spam dentro do Casa da Maite.
10 + 2 =
Resolva a simples operação matemática de soma acima e coloque o resultado. Por exemplo 1+ 3, digite 4