"É injusto tratar todos os filhos da mesma forma", diz John Davis

ohn Davis, 55 anos, é professor de gestão para empresas familiares na Universidade Harvard. Nasceu no Ohio, e descreve seu trabalho como combinação de padre católico e banqueiro suíço, dizendo que talvez se saia bem nele porque seu pai é protestante e sua mãe, católica. Ele acredita que as melhores decisões políticas são as de centro, e que o mundo muda e devemos acompanhá-lo. Eis o que afirmou em sua entrevista:

Misturar família e negócios é boa idéia?
O que nossas pesquisas sobre dados estatísticos indicam é que as empresas familiares hoje conseguem resultados melhores do que as companhias sem sobrenome.

Por quê?
Para começar, as empresas familiares têm estrutura de propriedade e gestão mais estável, e isso permite estabelecer objetivos de longo prazo e, com freqüência, cumpri-los. As empresas com outras estruturas societárias, em lugar disso, vivem dependendo de resultados trimestrais. Famílias pensam mais no longo prazo e as grandes famílias empresariais acumulam e transmitem outros valores muito eficazes para competir no mercado.

Por exemplo...
Uma combinação sábia de orgulho e humildade. Orgulho no fazer e simplicidade no ser.

É o dever do poder.
O orgulho dessas grandes famílias continua a emanar de sua busca de excelência: elas fazem o que "é delas" melhor que ninguém, da mesma maneira que, na Idade Média, uma família de artesãos apreciava mais a obtenção de um selo especial para seus produtos do que conseguir preços maiores.

A marca da casa.
Mas, ao mesmo tempo, elas têm humildade no que tange a ostentar seus sobrenomes e sua riqueza, e preferem trabalhar como qualquer funcionário em suas empresas.

O senhor acredita que haja mesmo famílias assim?
Os Ferragamo, na Itália; a família Marriott; a família Sulzberger, do New York Times; os Rotschild; os Keypper; os Kikkoman, do Japão, que produzem óleo de soja... São todas famílias que já passaram da sexta geração e seguem criando valor para todos.

A primeira geração funda a empresa, a segunda a expande e a terceira a afunda.
Sou consultor de empresas familiares em 59 países, e o mesmo ditado existe em todos eles. Temo que ele tenha algo de correto.

Os netos e bisnetos sempre dilapidam?
O princípio geral que observamos é que, à medida que as gerações se sucedem, o patrimônio familiar vai se distribuindo.

Por quê?
Obviamente porque aumenta o número de herdeiros com direito a dividi-lo, mas esse inconveniente poderia ser resolvido com acordos patrimoniais benéficos para todos, não fosse a tendência das famílias humanas a se redefinir de forma natural em três gerações. Pouquíssimas visões empresariais familiares persistem até os bisnetos.

É difícil chegar a um acordo sobre objetivos.
Isso é uma das minhas metas: criar acordos familiares que permitam que as empresas continuem a criar riqueza para além da quarta geração.

Mas e se os herdeiros se forem, ou não surgirem?
Isso acontece sempre, e o problema então passa a ser que as famílias nem sempre são realistas na hora de julgar as verdadeiras capacidades e os verdadeiros desejos vitais de seus filhos.

George Soros classifica os herdeiros incompetentes como "lucky sperm" ("esperma sortudo").
A fortuna é hereditária, mas o caráter necessário a continuar criando riqueza é a pessoa mesma que forma, e é preciso caráter para dispor de uma fortuna sem cair na indolência e na preguiça mental inimigas da criatividade e liderança necessárias a um empresário de sucesso.

Como decidir uma sucessão, nesse caso?
Ah, é nesse ponto que surge o pior inimigo das empresas familiares: o medo de conflitos.

Por quê?
Se a pessoa se esforça demais no trabalho, procura refúgio em casa. Mas o que acontece quando casa e trabalho são o mesmo ambiente?

Melhor não procurar conflitos...
O que é muitas vezes a melhor maneira de encontrá-los. Às vezes, o empresário familiar não confronta seus parentes porque teme cindir a família e o negócio, mas a verdade é o oposto: conflitos que nunca são expostos nunca são resolvidos.

Suponho que seja preciso sentar e conversar.
Sim, com naturalidade, porque é natural que haja conflitos em todas as famílias, e o mesmo vale para as famílias de empresários. No final, apesar dos temores iniciais, todos se saem melhor depois de enfrentar um conflito do que acreditavam antes que ele começasse.

Como solucionar a questão da transmissão de responsabilidades?

Com justiça, o que não quer dizer de forma igualitária. O mais injusto, muitas vezes, é tratar a todos igualmente. Meu critério é que se deve designar a cada um as responsabilidades que lhe permitam propiciar mais valor à empresa.

E se todos colaborarem?
Se todos os herdeiros demonstrarem que podem trabalhar juntos, excelente, mas caso isso não aconteça não se deve nunca forçar um acordo nesse sentido. O mais recomendável é diversificar e designar a cada um uma linha de trabalho.

Para conseguir diversificar um grupo familiar, é preciso planejar bem.
Esse é outro dos meus conselhos: planeje soluções antes que elas se tornem necessárias. Quanto mais cedo forem planejadas, melhores serão quando a empresa precisar delas.

É melhor trabalhar para uma família?
Depende de suas ambições profissionais: as empresas familiares costumam desenvolver aversão a riscos. Vão longe, mas demoram a chegar.

E se quero chegar longe, mas fazê-lo rápido?
Se você deseja uma carreira fulgurante, que o leve ao topo e seja muito bem remunerada, elas não servem. Lembre-se de que por mais que faça por uma família, jamais será parte dela. A essência da empresa familiar é o sobrenome.

Evidentemente.
Mas se você acredita que o sucesso também envolve construir relações duradouras e de confiança, uma empresa familiar é uma boa opção.

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200703281949_RED_30895189&idtel=

 

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Linhas e parágrafos quebram automaticamente.

Mais informações sobre opções de formatação

ANTISPAM
Usamos este sistema para evitar spam dentro do Casa da Maite.
5 + 0 =
Resolva a simples operação matemática de soma acima e coloque o resultado. Por exemplo 1+ 3, digite 4