Um velho álbum de fotografias – Parte 1

Vejo fotos antigas da internet
e lembro de histórias que vivi

O Yahoo vai acabar com a seção de fotos e, preocupado, decidi olhar as fotos que tenho guardadas no site para copiar as que me interessam. São fotos que comecei a colecionar desde que mergulhei de cabeça no mundo-T. Acho que muita gente começa assim: colecionando fotos até ter coragem de sair com uma menina. E depois é um caminho sem volta. Quem é desse mundo sabe do que estou falando.

E ao olhar cada foto para decidir quais guardar comecei a ver rostos conhecidos de meninas que sempre admirei, de outras com quem já saí eventualmente, de outras ainda que saí durante anos seguidos, de outras que já morreram vítimas do HIV ou que se mataram na hora do desespero.

Quantos rostos passam diante dos meus olhos nesse momento, quantos corpos maravilhosos, quantas coxas roliças, quantos pintos bonitos, lisinhos, peludos, grandes, pequenos, grossos, finos. Como é bonito o corpo humano, como somos bonitos e muitas vezes nem nos damos conta na pressa do dia-a- dia.

Em cada rosto que revejo lembro de uma história, a maioria das quais deixou saudades, boas recordações. Reencontrei agora depois de uns cinco anos, a foto de uma das primeiras meninas com quem saí, uma linda mulher, corpo miúdo, pernas de modelo, sorriso delicado. Esta foi para a Itália e não voltou mais. Lembro do dia em que, ainda meio calouro no mundo T, liguei para ela e fui visitá-la em seu apartamento nas proximidades da Rua Barão de Limeira, no centro de São Paulo.

Me encantei com sua voz de mulher ao telefone. Me recebu com uma espécie de camisolinha transparente, sem sutiã, mas de calcinha. Sentamos no sofá e ela me mostrou algumas fotos com lindas roupas, casacos de pele. Ela esticou as pernas e colocou-as no meu colo, num jeitinho sapeca. Se desculpou por não estar suficientemente bonita – o esmalte das unhas estava saindo e não tinha feito sua sessão semanal de depilação. Na verdade era excesso de preocupação dela. Ela estava linda, com a pele lisinha. Começamos a dar uns amassos e ela lembrou que não tinha camisinha. Como eu também não tinha (meus amigos, aconselho a nunca andarem sem pelo menos duas camisinhas no bolso, uma para você e outra para a menina), ela me pediu para sair e comprar.  Saí e já estava na calçada quando ela me chamou da janela do apartamento: como a porta da entrada era fechada automaticamente, me jogou seu molho de chaves para que eu pudesse entrar novamente. Na volta, me levou direto para a cama e pude finalmente tirar sua calcinha. Ela tinha um pau lindo, todo depilado, fininho, saquinho bem pequeno e rosado. Ele coube todinho na minha boca. Eu era muito desajeitado em fazer sexo oral em uma t-menina (acho que melhorei um pouquinho nesses anos todos de experiência). Foi a primeira e última vez que a vi. Depois fiquei sabendo notícias dela pelos blogs, dando conta que ela estava na Itália. Mas nunca mais soube dela. Espero que esteja bem e tenha tido sorte na vida.

Continuo minha observação de fotos e encontro a linda garota que se atirou pela janela de seu apartamento. Dizem que estava nua. É um detalhe importante, se for verdadeiro, digno de Nelson Rodrigues. Mas nem por isso menos triste: um ser humano que no momento do desespero decidiu abandonar o barco. Nunca condenei os suicidas e nunca terei palavras que os desabonem. Só nós mesmos podemos saber o peso de nossos problemas e a força que temos ou não para enfrentá-los e vencê-los. Me sinto impotente e frágil diante do drama alheio, de alguém que não teve a quem pedir socorro. E sinto que minha carga no mundo fica um pouco mais pesada.

Mas lá estava essa moça de rosto lindo, corpo maravilhoso. Uma vez vi um filme pornô com ela e fiquei abismado como ela falava bem inglês. A maioria de nossas meninas quando fazem filmes pornôs que são vendidos para o exterior, só conseguem dizer “fuck me, yes, my God”. Eu senti que no filme ela estava sendo atriz e tinha talento para tanto. Hoje ela não mais existe, mas continua sorrindo para mim na fotografia e se exibindo toda. Na internet falavam mal dela, diziam que era arrogante, que tratava os clientes mal. Hoje nada disso mais importa. O que importa é que sua beleza e sua existência ficaram imortalizadas nas fotografias. Nesse momento ela esta viva e parece estar muito feliz.


Continua...

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