Ale Saraiva conta sua vida em três capitulos - Mais uma transexual? - Parte Final
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Ale Saraiva assina a coluna Trans-E. |
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Quase igual às outras ... (última parte) Fui questionada da minha sexualidade no local onde eu dava aula. A diretoria da casa, pela primeira vez, depois de 9 anos, veio conversar comigo pela minha suposta "homossexualidade assumida" que podia "prejudicar" os jovens. Resolvi tomar uma atitude e decidi colocar essa mulher que viveu esse tempo todo sufocada dentro de mim pra fora. Tinha 25 anos, já tinha plena consciência que não era gay. Parei de dar aulas e sai da equipe de teatro, diminuindo assim minha carga de trabalho para poder me encarar bem de frente. Me dediquei a melhorar minha qualidade de vida e comecei a fazer terapia. Na terapia buscava fortalecer minha identidade feminina, recém resgatada. Meus amigos e sócios acharam que eu estava louca, mas eu sabia o que estava fazendo, busquei dar um tempo e me isolei temporariamente. Mostrei meu material sobre homossexualidade para Maite Schneider, e ela me convidou para escrever uma coluna. Eu topei, mas achei que deveria falar da minha experiência pessoal, não da homossexualidade. Comecei então a ficar conhecida e resolvi falar para meus pais, antes que eles soubessem pela boca de outras pessoas.
1 mês de transição. Chamei os meus pais para uma segunda conversa. Revelei a eles que eu não era um homossexual como pensara estes anos todos, mas sim, que eu era uma mulher transexual e que iría começar minha transição de homem para mulher. Não sabia como ia fazer isso, mas eu estava decidida e não tinha mais volta. Meus pais entenderam, e me pediram apenas que eu me sustentasse e que continuasse sendo uma mulher digna, como eles me ensinaram a ser. Agradeço aos meus pais pela compreensão até hoje, e todos começaram os esforços, fazendo aquilo que estava a seu alcance para me ver feliz. A terapia continuava, e meus pais me apoiavam. Minha irmã foi incansável em me ensinar a me portar, maquiar, tirar dúvidas e inclusive me acompanhar a todos os lugares possíveis buscando me tranqüilizar quanto à transição. Minha mãe me dava vestidos seus e também buscava comprar roupas e acessórios para mudar meu guarda-roupa. Meu pai também a acompanhava. Meu pai encarou tudo numa boa, como deveria ser mesmo. Passei por vários exercícios terapêuticos para libertar a mulher que estava em mim. Fortaleci a minha identidade, busquei minha personalidade feminina, e em alguns meses eu já estava encarando as ruas, meus amigos, seus pais, meus vizinhos, meus sócios e clientes como menina. Transformei-me em Alessandra Saraiva.
5 meses de transição. A transição começara a mil, a decisão pela hormônio-terapia também. Procurei uma médica endocrinologista do meu plano de saúde e não tive uma resposta satisfatória. Como estava à mercê da ignorância dos profissionais da área, resolvi tomar fôlego e me automedicar. Fui em frente, me sentindo uma criminosa, mas infelizmente esta era a realidade, você não tem muitas opções. Tomei 2 meses dos hormônios indicados por amigas, já avaliados pela endocrinologista, mas não receitados, e voltei ao médico onde enfim pude receber uma avaliação decente. Também procurei informações sobre o laser, onde só encontrei em uma única clinica. Caro e por um tratamento parcial. Às vezes queria desanimar, mas tinha de seguir adiante. Tinha um escritório tipo home office, onde continuei trabalhando, e acabei conhecendo numa entrevista aquele que mais tarde chamaria de Anjo da Guarda. Comecei a prestar serviços gráficos para sua empresa e continuei fazendo outros serviços para Porto Velho, São Paulo e Manaus. Meus estudos via Internet me permitiam conhecer muitas pessoas. Estava apaixonada pelo meu Anjo da Guarda e vivendo uma relação muito difícil a distancia e mais difícil ainda pela sua ausência e pelo fato de trabalharmos juntos. Foi neste ínterim que me apaixonei por um T-Lover. Ambos éramos conhecidos pela net, e fantasiei a relação perfeita entre t-lover e t-girl. Pela primeira vez quis casar com alguém e inclusive ser mãe. Puxei forças do fundo da alma e terminei a minha relação com meu Anjo da Guarda, mesmo sabendo que poderia perder tudo, inclusive os serviços que prestava para sua empresa. Mesmo assim, sabia o que queria e meu Anjo da Guarda me entendeu e continuou do meu lado, respeitando minha decisão. Bem, a minha relação com o T-Lover foi maravilhosa, mas minhas expectativas foram interrompidas. Eu fiquei completamente depressiva. Havia recebido um convite de estudar em São Paulo, onde meu Anjo da Guarda me apoiaria. A resposta da Bolsa veio no último dia de Dezembro e prometi pra mim mesma que jamais choraria tanto como naquele Reveillon em Caponga-CE. Estava em Fortaleza com minha família e pude vivenciar minha feminilidade plenamente e curtir os meus momentos como Filha.
Eu e minha irmã, Praia do Futuro, Fortaleza-CE Voltei para Manaus, já bem adiantada da minha transição. Fui convidada para integrar a equipe de planejamento de um Encontro de Auto-Ajuda com mais 4 mulheres. O Encontro foi um sucesso e três dias depois estava embarcando para São Paulo. Encontrei meu Anjo da Guarda e pela primeira vez me senti mulher nas mãos de um homem. Fui assumida totalmente e não vou esquecer o passeio de mãos dadas pelos Jardins. Mesmo assim, não poderíamos ter uma relação nos moldes comuns. Moramos a distancia e trabalhamos juntos. Deixamos Deus fazer sua parte e cada qual foi pro seu canto, mas nos encontramos esporadicamente, pois estamos juntos no mesmo projeto.
Com 8 meses de transição. Em São Paulo, a realidade se apresentou. Fui convidada a me retirar do Flat onde morava com meu melhor amigo, por causa do preconceito. Não pude me defender e conheci aquilo que chamo de Preconceito Legal, ou aquele que a pessoa usa de uma tática legal pra te julgar sem que você possa se defender. A busca por um novo apartamento foi cruel, e sem ter como comprovar renda acabei sofrendo mais e mais preconceito. Neste período, fui na Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, perguntar quando aconteciam as reuniões de Trans e acabei deixando um currículo. Em alguns dias estava fazendo uma entrevista e fui contratada temporariamente para ajudar na organização da Parada GLBT. Minha vida começou a acontecer em São Paulo. Comecei a ter amigos e a trabalhar naquilo que sempre quis, na militância GLBTT. Na Escola Panamericana de Artes fui acolhida como a mulher que sou e tenho ótimo relacionamento com meu professor e minha turma. Não sofri nenhum tipo de preconceito e sou tratada de igual para igual. Estou me dando super bem, e agora estamos no final do curso, me preparando para o ultimo ano de Design.
Em março 2005, no aniversário do TV TUDO, Boate Tunnel, São Paulo. Também conheci uma pessoa maravilhosa. Ficamos 4 meses juntos, e hoje posso considerá-lo minha família em Sampa. Sua grandiosidade, generosidade e preocupação com minha pessoa me faz perceber que existem pessoas boníssimas no mundo. Até hoje ele me acolhe e estende os ombros nos momentos de tensão. É sem sombra de dúvida alguém que eu confio de olhos fechados. Lindinho, obrigada por tudo. Continuei também os estudos sobre a sexualidade humana. Comecei a visitar os grupos de Crossdressers, T-Lovers, Travestis e Transexuais e recentemente os de BDSM e Podolatria. Fui descobrindo mundos fantásticos e pessoas que vieram a somar. Grandes amigos. Continuei trabalhando e buscando trabalho. Não é fácil e nem adianta se iludir, mas hoje estou mil vezes mais madura. Tenho 1 ano e meio de transição e ainda tem muito chão pela frente Quero colocar silicone, mas estou estudando a melhor possibilidade, principalmente por conta da saúde e do financeiro. Também penso na cirurgia de readequação sexual, ou a mudança de sexo, mas não sei como viabilizá-la ainda. Chegar nos HCs da vida é uma tarefa árdua e no particular você precisa ter uns 20 mil reais, no mínimo, no bolso. Hoje entendo que não é a cirurgia que vai me tornar uma mulher, mulher eu já sou. A cirurgia vai me deixar mais confortável com meu corpo e com minha realidade feminina, mas também vou fazê-la por mim, e não pela sociedade, por que não preciso provar nada a ela. Por este motivo, não tenho mais pressa, quero realizá-la consciente de que a faço no momento certo e muito bem preparada.
Eu hoje, com 1 ano e meio de transição. Continuo trabalhando nos projetos, e hoje sou eu quem coordena as reuniões de trans, aquelas que cheguei para perguntar que horas aconteciam. Estou numa fase muito feliz da minha vida, apesar de saber que estamos sempre expostas a todo tipo de discriminação. Sou militante e faço por missão pessoal. Se puder sair desse mundo ajudando 1 trans que seja, já me dou por feliz. Estou solteira, esperando ficar mais legal com minha auto-estima. Mas acredito que essas coisas acontecem espontaneamente, sem a gente precisar criar expectativas. Saúde vai bem, Família idem... E a vida continua...
A minha foto mais recente, DiaT Sampa. Ale Saraiva São Paulo, 31 de Outubro de 2005
Dúvidas, críticas, comentários, depoimentos: alessandrasaraivapinheiro@gmail.com Ale Saraiva tem 26 anos, amazonense, mora em São Paulo, é Administradora de Empresas e trabalha como Designer Gráfico. Amante da Sexologia, Psicologia Transpessoal e da PNL, em 2000 iniciou um estudo sobre o comportamento homossexual e Continua se descobrindo como Transexual. Para conhecer mais: http://www.ablogada2.theblog.com.br/ |






Historia de Ale
Bom Tarde, Ale Saraiva tudo bem. Me chamo Luiz tenho vinte e nove anos. Sou formada em Fisoterapia, tenho muita vontade de me tornar uma mulher mais tenho pais que nunca aceitaram isso. A familia muito preconceituosa, irma e irmao tbbbb.
Não posso fazer nada perto e na minha cidade. Adorei muito conhecer a sua historia e lindaaaa, bjkas linda vc me merece ser felizzzzzz. gostaria de saber o horminios para tomar bjjjsss meu tel 43 84335145 sou do parana londrina bj
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