Gays, lésbicas e bissexuais, vocês tem medo do que?
| Fabrício Viana tem 28 anos, é formado em psicologia e escreve artigos para diversos portais e veículos especializados no público GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Trangêneros) como a revista G Magazine, Sexy Boys, entre outras. Também é idealizador de 3 projetos sociais para o mesmo público na Internet: Em 2002, a Campanha GLBT, espalhou para mais de 2.200 sites, blogs e fotologs, banners de protesto contra o preconceito, sendo lançado também na Europa pela rede Ex-Aequo; Em 2003, o portal Armário X, com mais de 800 páginas, inovou por esclarecer questões sobre a sexualidade e a homossexualidade; |
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Em 2004, a TVTudo.com, o 1º programa independente em banda larga para o público GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), com mais de 15 horas de vídeo on-line, recebeu em 2005 o 6º prêmio “Cidadania em Respeito à Diversidade” da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (ONG responsável pela maior parada gay do mundo).
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| Gays, lésbicas e bissexuais, vocês tem medo do que?
Como outros animais, nós também temos nossos mecanismos de defesas diante do "perigo", seja ele real ou imaginário. O grande problema, que nos impede de viver plenamente, é quando começamos a acumular vários medos "imaginários", aqueles que podem vir a existir mas que em sua maioria só existem mesmo em nossa cabeça. Para um indivíduo homossexual a idéia que tenho é que esses problemas duplicam ou mesmo são bem maiores em sua intensidade. Lembro-me que para chegar ao meu estado de desenvolvimento hoje, tive que superar vários medos. Alguns pareciam estar até numa órdem quase que lógica, aparecendo um medo após a superação de outro. Meu primeiro medo enquanto homossexual dizia respeito ao meu grande sentimento que tive na adolescência pelo meu melhor amigo. Tinha medo de que o que eu sentia por ele fosse errado. Mesmo abrindo o jogo e ele me rejeitando, inclusive como amigo, continuei e vi que o que sentia não era errado mesmo, apenas não tinha dado certo com ele naquela época. Quando comecei a me aceitar tive medo de procurar "semelhantes" em lugares ditos "gays" (bares, boates, etc), mesmo assim fui e não vi nada de mais, pelo contrário, me identifiquei mais ainda com meus próprios desejos que vi ali explicito entre as pessoas que se beijavam e se curtiam naturalmente como em qualquer outro lugar. Tive medo em seguida dos meus pais ficarem sabendo de mim e da vida nova que estava levando. Do jeito que eu os conhecia, falava pra todos os meus amigos que qualquer um poderia aceitar isso, menos os meus e que eles jamais saberiam disso, jamais! Bobagem minha, o dia que minha mãe tocou no assunto eu disse "Sim, sou gay!". Não foi fácil pra gente, ela passou quase 6 meses em profunda depressão até eu chegar nela e dizer "Mãe, para com isso. Eu to bem, to levando uma ótima vida, a única pessoa que não tá bem com isso é você e você deveria ficar mal se eu estivesse mal, mas não, to super bem e quero te ver bem também!". Depois disso e até hoje, ela me aceita na boa e até foi comigo e meu namorado na 8º Parada do Orgulho Gay em São Paulo. Em seguida, tive um medo absurdo da empresa em que eu trabalhava ficasse sabendo. Mas não poderia esconder minha vida e fui contando para um e para outro ao ponto de todos saberem. Resultado, todos continuavam respeitando meu trabalho mas com uma grande diferença, eu poderia falar abertamente sobre meu final de semana e até mesmo sobre o namorado (coisa que eu escondia até então). Mesmo porque, quando não, eles me perguntavam e eu sentia que muitos ali realmente se preocupavam comigo. Quando montei meu primeiro projeto na Internet, a Campanha Digital contra o Preconceito a Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (http://mixbrasil.uol.com.br/campanha), falei para o André Fischer que durante a nossa parceria eu não estaria colocando meu nome no site em hipótese alguma. No fundo, era medo de tamanha exposição num projeto destes. Mas antes de entrar no ar pensei, seria muito chato não ter uma figura representando o projeto e então, coloquei meu nome. A campanha tem quase 3 anos, mais de 1700 sites cadastrados e é um grande sucesso na Internet na luta contra a discriminação. Quando resolvi criar meu blog (http://darlan.blig.com) no ano passado, o mesmo medo de se expor publicamente. Eu queria fazer um diário contando sobre minha vida mas tinha medo que ele poderia ser acessado por inúmeras pessoas, inclusive as que tinha trabalhado e que com certeza saberiam mais cedo ou mais tarde deste link. O receio era sempre este "o que as pessoas irão pensar de mim?" Mais um medo "bobo", pois as pessoas entraram e a seleçao foi natural, no sentido de que só ficaram do meu lado quem sabia da minha vida e gostasse de mim independente de qualquer coisa. Para minha surpresa, todo mundo. Outro grande medo foi quando dei entrevista na TV Cultura para um jornal "ao vivo" falando sobre homossexualidade no trabalho. Outro medo sem sentido. Até na MTV quando fui, fiquei com receio, mas o programa foi tão inteligente e proveitoso que mesmo tendo um cara criticando, ele cumpriu o papel dele de "discordar" da homossexualidade sem agredir e mantendo, acima de tudo, o respeito. O fato de ilustrar este artigo com várias experiências minhas é justamente para que você olhe para si mesmo e veja quais ou quantos medos você tem ai dentro e que podem estar interferindo ou que poderá vir a interferir muito na sua vida. Você tem medo de que? De gostar de alguém do mesmo sexo? Das pessoas ficarem sabendo? De que sua família, principalmente seus pais, saibam? Da sua esposa não entender que agora você tem atração por homens e não mais por mulheres? Que seu filho lhe rejeite por isso? Tem medo de que coelgas do trabalho fiquem sabendo e usem isso pra puxar teu tapete? Medo de se expor? Medo de ser você mesmo, sem mentiras? Medo de viver sua sexualidade? Enfim, a minha grande pergunta neste artigo é, do que você tem medo? Quando você ligar a tecla "dane-se" para todas estas perguntas, para todos estes medos e passar por várias destas fases ou degraus que eu já passei, perceberá que a grande maioria destes medos jamais deveria ter existido. E que você pode ser feliz se livrando de metade ou de quase todos que existem dentro da sua cabeça, te prendendo, te sufocando e impedindo de vivênciar todos os seus desejos homossexuais. Pense nisso.
Fabrício Viana Ps: se gostou ou nao do meu novo artigo, entra no meu blog (link acima) e comenta tá? pra ter um feedback... :-) |






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