Uma super entrevista com a transexual Patricia Simões, que fala sobre sua vida e sobre sua cirurgia.

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Na entrevista de hoje(12/02/04) entrevistarei  a simpática transexual 
Patrícia Simões.
Patrícia mora na Suíça e consegui realizar a operação de mudança de sexo,
ou seja a adequação de seu órgão genital,também esta lutando na justiça 
para conseguir a  aprovação  de troca de  nome (masculino p/ feminino)

 

Entrevistador:Paulinho

Entrevistada:Patrícia Simões

Colaborador:www.casadamaite.com

 

 

Entrevista:

 

 

Qual seu grau de instrução,naturalidade,idade?

Meu nome é Patrícia Simões ,tenho 34 anos de idade,nasci em Santos-SP,
mas moro a Suíça há 6 anos, estudei até o 3º técnico  em contabilidade.

 

Com que idade descobriu a sua sexualidade e como foi?

Sempre soube  que havia nascido em um corpo errado,mas ao completar a puberdade 
é que percebemos isso no sentido"sexual",no meu caso foi aos 13 anos de idade.

Devido a sua situação com é a relação com sua família hoje em dia?

Sempre foi muito boa, com meu pai,minha mãe e tenho mais uma irmã e dois irmãos,
todos casados e 4 sobrinhos,os três pequenos não sabem sobre minha sexualidade,
apenas a mais velha de 13 anos. Adoro todos eles........
Minha mãe é tipo minha assistente no Brasil, resolve tudo pra mim,
paga minha contas,aluga meus apartamentos para temporadas, etc

Qual sua opinião sobre silicones industriais  e hormônios?

Bom cada um faz de seu corpo o que bem entender,mas quando opta por fazer  deve se pensar
antes  nas conseqüências , por isso eu aconselho a fazer  com uma
pessoa ou médico que tenha boas referências  .
No caso de hormônios  a auto medicação em excesso pode levar a morte,
e nem todo hormônio "X"  irá funcionar igual a duas pessoas diferentes ,
só passando por um endocrinologista , você  irá saber  qual hormônio  e em quanta
quantidade  será melhor para seu corpo.

Já trabalhou como acompanhante ?

Claro, ouço muitos relatos de TV/TS que dizem que trabalham para se sustentar
porque não tem outra opção de emprego, por preconceito do povo,  etc.. 
eu não acredito.
Só faz programa quem quer e gosta de ganhar dinheiro fácil, 
ou claro pelo vício de drogas.
No meu caso eu troquei um estável  emprego, ganhava muito bem, 
para trabalhar de programas.
Na rua nunca gostei, em casa é melhor. 
Sou muito ambiciosa e  adoro  viver com conforto (como toda taurina).
Para se dar bem na Prostituição você  precisa gostar e ter AXÉ , não precisa nem ser bela nem 
tão "ativa", se você  tem AXÉ  vai longe. 
Sempre fiz a passiva, nunca tive de transar  com  
casal ou mulher, ou fazer uma coisa que eu não gostasse.
Na minha cabeça meu "falecido" era visto para mim  
como um instrumento de para o trabalho 
e para fazer xixi. Quando arranjava  namorado, se ele se interessasse
pelo piu-piu  eu o dispensava, ou virava cliente.

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Sabemos que você é casada,como conheceu seu esposo?
Ele sabia sobre sua sexualidade?
Não, no começo eu o enganei, depois que contei fiquei mais aliviada, ele entendeu, 
mas nunca quis   ver o piu-piu, eu transava sempre de calcinha e de costas.  
Conheço toda a família dele inclusive os avós, ninguém sabe de nada.
Quando o conheci já tinha a vontade de me operar , mas tinha medo e 
receio de que não desse certo, 
de ficar sem orgasmos, morrer, sei lá mil grilos.
Então estudei com calma outros casos, entrei em contato com as Operadas, procurei na net até que um  dia conheci a Dra Wall Torres, da Gendercare, 
ela me ajudou muito, agradeço muito a ela.  

(logo abaixa vocês podem ver uma foto com a Patrícia Simões juntamente
com seu marido,no qual é casada e moram juntos na Suíça)

Qual a diferença de tratamento das trans ai na Suíça do Brasil?

Visualmente é maravilhoso, aqui quase todas passam por mulheres tranqüilo, 
preconceito tem em todo lugar, mas se você  passa despercebida
como irão te criticar né...
Agora, legalmente é constrangedor, por exemplo para abrir uma conta em banco 
ou mostrar a identidade ou passaporte em algum lugar, claro, ninguém fala 
nada, mas a gente percebe pelo "olhar diferente", entende? 

Aqui  em São Paulo existe o preconceito interno,ou seja um gay
descrimina uma travesti e vice versa ,o que acha disso? 

Eu sei disso, aqui também é assim, sei lá porque... Pra eu me tornar    mulher tive 
de passar pela fase Gay, Travesti e por ultimo Transexual. Não discrimino ninguém
, sempre  me dei mais com Gays do que com Mulheres. 

Sei que você é operada ,foi fácil a adaptação?

Sexualmente mudou muita coisa, obtenho prazer melhor do que antes, transo agora 
de frente, e o espelho virou meu melhor amigo. Meu corpo mudou, minha pele também 
e fiquei mais sensível. Esta sendo maravilhoso, estou muito feliz e realizada, só falta agora 
no papel, na identidade, tenho fé que conseguirei mudar também. 

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Onde foi a operação e qual foi o custo?

Fiz na Tailândia, com o excelente Dr. Suporn,  no dia 03/06/2003 . 
Contando todos os gastos inclusive passagens, 30 dias de hotel e alimentação
gastei  uns 15 mil dólares.


Já entrou  com o processo cabível para tentar mudar o nome?

Sim já entrei com toda papelada ,faz 1 mês ,vamos ver no que vai dar ,estou otimista

 

Obrigada.

 

Vejam meu blog: http://www.patty-duda.blogger.com.br/

 

 

Bom espero que todos tenha gostado dessa entrevista
com a maravilhosa Patrícia Simões ,
pois foi a primeira transexual operada que entrevistei.

Obrigado Patrícia !!!!

 

 

Abraços

 

Paulinho Cazé

paulinhocaze@terra.com.br

http://www.sptrans.blogspot.com/

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