Homossexuais, lésbicas e travestis querem paz e cidadania

Homossexuais, lésbicas e travestis querem paz e cidadania

20:05 14/12
Catarina Alencastro, repórter iG em Brasília catarina@ig.com

Representantes de grupos de gays, lésbicas, travestis e transexuais apresentam seus problemas para que violência e discriminação seja eliminada. Segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia, mais de 1.800 homossexuais foram assassinados de 1963 até hoje
Catarina Alencastro

ig

Participante do encontro promovido pela Secretaria de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça

BRASÍLIA - De 1963 até hoje, 1830 homossexuais foram mortos por pura discriminação - os crimes chamados homofóbicos, que é a fobia a homossexual. O mais grave, é que estes crimes vêm crescendo ano a ano. E as mortes, na maioria das vezes, são antecedidas de tortura e humilhação.

Estes dados e casos de discriminação a gays, lésbicas, travestis e transexuais foram apresentados hoje em encontro promovido pela Secretaria de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça. Os problemas e os direitos dos homossexuais são o tema da Câmara Técnica que acontece em Brasília, a partir do programa “Direitos Humanos, Direito de Todos”, inscrito no Plano Plurianual (PPA), o plano de investimentos do governo federal.

"Temos uma preocupação com os grupos discriminados", afirmou Elaine Inocêncio, coordenadora da quarta edição da Câmara Técnica, que em outras ocasiões, tratou dos problemas dos idosos, documentação civil e capacitação profissional.

São cerca de quarenta participantes de painéis que debatem a garantia dos direitos dos homossexuais, o papel do Poder Legislativo na garantia desses direitos, saúde, discriminação e organização da classe.

"A situação das lésbicas no Brasil é de total invisibilidade, especialmente na área da saúde, que não dedica uma só campanha, um só projeto voltado para
as lésbicas", reclama Elizabeth Calvet, diretora executiva do Centro de Documentação Informação Coisa de Mulher, do Rio de Janeiro.

Para Marcelo Cerqueira, vice-presidente do Grupo Gay da Bahia, fundado em 1980 pelo antropólogo Luiz Mott, o grande problema enfrentado pelos gays é a violência. "O grupo gay fez uma pesquisa que revelou que de 1963 até hoje, mais de 1.800 gays foram assassinados", contou. O livro "Assassinato de Homossexuais", de Luiz Mott, mostra dados alarmantes: De 1963 a 1969, trinta mortes foram registradas. Na década de setenta, esse número subiu para 41 assassinatos e na década seguinte (entre 1980 a 1989), saltou para 503.

Recentemente os crimes chamados homofóbicos (fobia a homossexual) aumentou assustadoramente. Nos últimos dez anos, 1.256 assassinatos foram cometidos em todo o Brasil. As mortes foram, muitas vezes, antecedidas de tortura e
humilhação.

"Todos esses mortos foram vítimas do ódio, pois vivemos em uma sociedade que acredita que o homossexual é indivíduo de segunda categoria", comentou Cerqueira. "O problema é que não somos reconhecidos como cidadãos", emendou Janaína
Dutra, travesti, para quem sua classe é excluída. De acordo com ela, é preciso uma nova perspectiva para os travestis, que devem ser inseridos no mercado.

"É preciso mudar a realidade do travesti, através da promoção de cursos de informática, corte e costura e culinária; a medida que se qualifica profissionalmente, o governo está dando cidadania ao travesti", sugeriu.

http://www.ig.com.br/home/editorial/stories/editorial_body/0,1205,397084,00.html

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