O que é mesmo ser fiel?

Sergio Savian

Existe uma realidade incontestável: aumenta o número de homens e mulheres que pulam a cerca. Vi uma pesquisa feita em Londres que aponta em 70% o número das mulheres casadas que já saíram com outro homem. Aqui no Brasil, país do sexo, a realidade não deve ser tão diferente assim. E apesar dos homens serem considerados mais "galinhas", de um tempo para cá a tendência à diversidade sexual está se tornando unissex.

O tabu da fidelidade está evidentemente abalado e se olharmos com atenção para o que acontece de fato, temos grandes motivos para entender que ele está com o tempo contado. Da mesma forma que vimos o tabu da virgindade desmoronar nas últimas décadas, tudo indica que a questão da posse nos relacionamentos também está por cair. É só olhar para os jovens que hoje preferem ficar a namorar para ver em que direção estamos indo.

Você pode até, por convicção, indignar-se quanto a isto, achando que o mundo está de ponta cabeça e que está tudo errado, mas desta forma, você vai sofrer muito, fica só e deixa de sintonizar-se com a época atual.

Seria ingênuo imaginar que todo o avanço da tecnologia não tivesse nenhuma influência em nosso comportamento. Você assiste a TV com um controle remoto na mão, muda o canal sempre que estiver insatisfeito. Diante do micro, você tem sempre um grande menu de opções e num simples clic ou delete, você vai para uma outra tela, outro site, outra história. A Internet é cada vez mais rápida. As informações são virtuais, os contatos são virtuais. Você acha que alguém que passa o dia inteiro pensando desta forma, à noite pode ser uma outra pessoa? Será que você não vai se acostumando a deletar, a mudar rapidamente o canal, sem culpa? Você é induzido a variar a cada momento do seu dia. E quando vai para o relacionamento amoroso...

Sem contar a pílula, o uso da camisinha, o bebe fabricado no laboratório e o futuro próximo do clone. Tudo isso leva a um comportamento sexual cada vez mais independente. Aumenta a consciência de que a sexualidade é de cada um e que ninguém, a não ser você mesmo, pode comanda-la.

Para que ocorra um relacionamento amoroso é preciso que tenhamos compromisso, mas não podemos esquecer que a segurança é muitas vezes oposta ao próprio desejo sexual. A atração física tem como tempero importante a fantasia e o inusitado. Por isso, quando o relacionamento se torna uma rotina, muitos sentem a falta da paixão, tentando busca-la noutro lugar.

Fidelidade, infidelidade e traição são motivos de muito sofrimento e até o rompimento das relações. Mas se você não quiser se amargurar tanto com isto tente compreender este assunto com um outro ponto de vista:

Existem pessoas naturalmente mais calmas no sexo, existem outras mais agitadas. Mas, independente do seu temperamento, o importante é que na relação você faça um "contrato" bem feito e tenha uma comunicação transparente. É saudável que se conte ao parceiro quem você realmente é e como gosta de praticar o sexo. E se você está acostumado a ser poligâmico, avise a outra pessoa que você é assim. Dê a opção para que o outro escolha se quer ou não ficar consigo nestas condições.

Consultando o Aurélio você vai encontrar "fiel adj. Digno de fé; leal, honrado. Que não falha; seguro. Pontual, exato". Seja fiel. Avise o seu parceiro quem você é e como gosta de ser. Assim, independente de você sair ou não com outras pessoas, estará sendo fiel, digno de fé, conforme define o dicionário.

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