As mulheres gostam mesmo de homens sensíveis?
As mulheres dizem que querem homens sensíveis, mas na hora H ficam irritadas quando eles se mostram sensíveis demais. Isso é verdade? A psicoterapeuta Irene Bial concorda em parte. "Conscientemente, ela pode dizer que quer um homem sensível, mas às vezes seu inconsciente espera por alguém que a proteja, que dê segurança", diz.
Essa ânsia feminina por algo que não combina com sua postura independente é resultado de um período de conflitos que homens e mulheres estão passando. "Vivemos numa época de desencontros", sentencia a psicoterapeuta. É uma crise de identidade sobre quais são os papéis de mulheres e homens dentro de um relacionamento. E, mais profundo ainda, se esses papéis precisam ser diferentes.
O roteirista Ricardo Fingerman, 33 anos, que "namora firme há dois anos e meio", concorda com essa idéia de crise. Para ele, existe uma sinceridade em parte das mulheres, "mas há uma outra parcela que não diz a verdade, mesmo que inconscientemente. Dentro deste segundo universo de pessoas, acredito que elas esperem por um parceiro que seja sensível só na 'parte boa'. Quer dizer, que sejam homens compreensivos, ouvintes etc. Mas não gostam que nós queiramos ser compreendidos, ouvidos, que nos sintamos ofendidos por determinada atitude", diz.
E completa, "não faltam episódios em que uma mulher chama um homem de 'florzinha' ou coisa que o valha quando ele demonstra alguma fragilidade. A sensibilidade masculina não tem nada a ver com feminilidade. E isso é muito claro, acredito."
A única certeza é que a história de príncipe acabou. Mulheres e homens não podem ficar à procura daqueles velhos estereótipos da época de nossos avós. O príncipe às vezes é sapo, às vezes é príncipe, e a princesa nem sempre aparecerá linda e disponível. A vida moderna nos tirou desse mundo encantado, mas nos deu no lugar um mundo adulto onde não precisamos colocar nossas expectativas de felicidade em cima do papel do outro. Pode ser mais dolorido, mas, com certeza, é mais sincero com ambas as partes.
Para Fingerman, "é preciso coragem para um homem se envolver com uma mulher que não dependa dele financeiramente e é cativante o suficiente para atrair a atenção de outros machos. O mesmo pode ser dito para a mulher que se relaciona com um homem que não vai a sustentar e que também pode parecer não ser o porto mais seguro do litoral."
A preocupação com detalhes também faz dele um homem diferente. "Gosto de assistir a filmes sentimentais e me comover; dar importância às datas, músicas e lembranças... Enfim, deixar o machismo um pouco de lado e aprender sobre o universo feminino. O homem não deve se resumir ao futebol, cerveja e mulheres, porém não deve deixar isto de lado. Deve haver uma integração entre tudo isto. E acredito que eu consigo dosar todos esses elementos, o que me torna um homem sensível."
Namorando há dois anos e meio, Hermes afirma que a sensibilidade tem ajudado muito no seu relacionamento. "Ser um homem sensível permite que você entenda muito mais o lado feminino e seus percalços e, entendendo este mundo, conseqüentemente seu relacionamento melhora. O homem passa a ser mais tolerante e assim evitam-se discussões desnecessárias e brigas de juízo de valor", completa.
A assessora de comunicação Andréa Rosa conheceu seu atual companheiro em um salão de beleza. O namorado Carlos Eduardo Monteiro é cabeleireiro e professor de tae kwon do. "Uma mistura inusitada", concorda a assessora, que diz ter percebido que ele olhava para ela, mas ficou em dúvidas. "Um dia eu perguntei para minha manicure: qual é a desse cara, ele fica me olhando. Ele não é gay? Daí ela me contou que ele estava a fim de mim", fala.
Depois de um tempo de paqueras, Andréa resolveu ceder às cantadas dele e começaram a sair. Apesar da resistência inicial da sua família, os dois ficaram juntos e Andréa diz que agora ele é o queridinho das mulheres de sua família. "Faz o cabelo de todas elas", diverte-se a assessora.
Quando o assunto é a sensibilidade do professor de tae kwon do, Andréa só faz elogios. "Ele é concentrado, equilibrado, bem zen. Se ligar 20 vezes para mim, ele vai dizer 'eu te amo' no final do telefonema", completa. "Ele é um amor, leva café na cama, faz compras, ajuda em casa. É calmo, um amorzinho", desmancha-se.
Quando perguntada se alguma vez se sentiu sufocada por isso, ela diz que sim, mas que logo passa. "Isso não me irrita não. É tão raro você encontrar alguém que seja parceiro, um companheiro, que eu não posso reclamar", afirma.
Andréa e Carlos Eduardo já estão juntos há mais de ano. Ele pensa em casamento, na igreja, é romântico, mas ela é mais objetiva, mais racional. "Morar junto já é legal, estou feliz", completa.
A empresária Débora Carvalho se diz uma pessoa de sorte. "Sou uma privilegiada. A maioria dos meus relacionamentos aconteceu com homens mais sensíveis. Gosto disso. Acho que não saberia conviver com um homem machista, do tipo: 'faça isso pra mim', 'não sei lavar louça', 'não gosto de fazer supermercado', ou mesmo aqueles homens do tipo valentões, brigões ou intolerantes", fala.
Hoje Débora é casada com o diretor de vendas Giancarlo e tem uma filha. Ela diz que o lado feminino dele é muito especial. "Eu vejo essa característica como uma qualidade. Além disso, essa aura feminina não interfere na posição masculina, pelo contrário, só a beneficia. As atitudes fortes acontecem na hora certa, com tranqüilidade. Sem rompantes de bravura ou agressividade. Tem também o lado social: minha mãe, irmãs e amigas são as maiores fãs dele - situação que me envaidece", observa a empresária.
Para Débora, o que mais a agrada em Gian (assim ela o chama) é a perspicácia com que ele a ajuda a tratar de assuntos do universo feminino como baixa auto-estima, vaidade, TPM. E completa: "tem outra característica que gosto muito: o companheirismo - ele é capaz de passar uma tarde inteira comigo no shopping (sem nenhuma reclamação) até eu achar 'aquela blusinha lilás que vai combinar com o scarpin rosa'", diz orgulhosa.
Sobre um lado negativo, Débora afirma que a única coisa que sente falta é que em algumas situações gostaria que ele fosse mais firme. "Exemplo: quando alguém tenta nos 'passar a perna', o Gian sempre quer resolver da maneira mais pacífica. Confesso que nessas horas um homem menos tolerante seria ideal", diz, deixando claro que essas situações são bem poucas.
No começo do relacionamento a jornalista Táina Lopez achava que o empresário Amílcar Reis estava mentindo para conquistá-la. "Ele falava o que sentia e o que achava que ia ser do nosso futuro. Mas com o tempo, me acostumei e me apaixonei por esta sensibilidade toda! Adoro-o por ser assim, um homem de alma feminina!"
Os dois estão juntos há dois anos e três meses e são completamente diferentes. "O Amílcar tem a alma feminina e eu sou mais desencanada e fria para as coisas, como os homens. Acho que por isso ele me conquistou e a relação dura tanto. Mudamos de papel", diz.
Algumas atitudes tornam o empresário especial para Táina. "Adoro os detalhes e o romantismo. Ele manda flores (não só em datas especiais), repara até se cortei as pontinhas do cabelo", fala. Ela também diz que adora quando Amílcar envia mensagens pelo celular com a frase "eu te amo".
Perguntada se mudaria alguma coisa no comportamento dele, Táina é enfática: "não o mudaria nunca! Existem poucos homens assim, ele é o primeiro que conheço, por isso agarro o meu com unhas e dentes!"
http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI533859-EI4788,00.html







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