Rodar a baiana traz vantagens?
Descer do salto alto, rodar a baiana, arrebentar a boca do balão. São várias as expressões utilizadas para se referir àquelas reações que se tem em circunstâncias em que contar de um até dez não é suficiente. Nem todo mundo cede a esses impulsos, motivados por acessos de raiva e indignação. Algumas pessoas, porém, explodem - e os estilhaços atingem quem estiver pela frente.
Uma pessoa que fura a fila do supermercado, um namorado que dá em cima de outra bem na sua frente, um colega de trabalho que puxa o seu tapete. Para aquelas mulheres que são popularmente chamadas de "barraqueiras", sempre existe um motivo para dar piti em público. Mas será que esse tipo de atitude funciona?
Não dá para classificar como "correta" uma pessoa que faz escândalos para conseguir o que quer. Gritos, esperneios e choramingos fazem efeito apenas na infância. Depois que o mundo adulto chega, esse tipo de atitude é apenas constrangedora, apesar de surtir resultados em determinadas situações porque pressiona e oprime pessoas.
"O barraqueiro consegue resultado em curto espaço de tempo, mas tem desvantagens a longo prazo", diz o psicólogo especialista em assertividade, Ailton Américo da Silva. Essa desvantagem é justamente perder o respeito das pessoas e se tornar um inconveniente.
A pessoa chegada em um barraco como forma de obter o que quer escorrega na maneira como impõe o que pensa e sente. Se ela deixasse claras suas vontades e intenções de uma forma equilibrada e em situação adequada, seria chamada de assertiva, isso sim uma atitude adequada, que impõe respeito.
O assertivo costuma dizer claramente o que pensa e sente, mas a diferença entre eles é a intimidação, constrangimento e manipulação - armas comuns dos barraqueiros.
A questão principal não é nem se a atitude é politicamente correta, mas se é eficaz. Enquanto o assertivo é ouvido e admirado, o barraqueiro opta pelo vexame e para lidar com eles, o melhor jeito certamente é ir embora e não ser platéia para o escândalo que está por vir.
Confira abaixo depoimentos de pessoas que já rodaram a baiana:
Fabiana Santos, 27, recepcionista
A recepcionista certa vez fez um estardalhaço em um estacionamento porque um motorista bateu de leve em seu carro e estava fugindo. "Eu não suporto ser injustiçada. Acho que a gente tem que fazer valer os nossos direitos. Nem sempre a diplomacia resolve as coisas. Você tem que botar a boca no trombone para que as coisas funcionem". No episódio do carro arranhado, ela fez o infrator pagar o conserto. "Quase me atirei em frente do carro dele. Arrumei testemunhas, chamei a polícia e o fiz acionar o seguro dele. Eu me acho barraqueira, mas odeio quando alguém me diz que sou." Essa não foi a única vez que Fabiana criou um barraco. Em outras oportunidades, ela deu seu "showzinho". "Admito que nem sempre eu tive razão. Mas quando vejo que errei, peço desculpas. Tenho humildade para admitir meus erros."
Ana Ferreira, 21, estudante
A estudante de Administração diz que arma barraco apenas em assuntos sentimentais. Diz que já perdeu a conta de quantas vezes bateu boca com meninas em baladas que davam em cima do seu namorado, Alberto, 26. Ela diz que se acha possessiva e por isso toma esse tipo de atitude. "Eu sei que é pouco elegante, mas eu sinto o sangue subir à cabeça quando alguma menina fica se oferecendo para ele. Aí eu não agüento e vou tirar satisfação", diz. O namorado, segundo ela, diz não gostar muito dessa reação. De acordo com Ana, ele acha que ela se "desgasta demais com pouca coisa". "Eu até concordo que estrago muitos programas por conta disso, mas a reação é instintiva. A gente tem que defender o que é nosso."
Luciene Santos, 34, professora
"Detesto ver pais batendo nos filhos e sempre me intrometo quando isso acontece. Dia desses, estava num shopping quando vi uma mãe dar tapas no filho, que deveria ter uns quatro anos, porque o menino queria comer um sorvete de casquinha. Não pensei duas vezes antes de dizer para ela que, se continuasse, eu iria chamar a polícia. Eu fiz um barraco para impedir outro", diverte-se ao contar sua lista de barracos pelos baixinhos.
Famosos que saíram da linha
Um dos casos mais famosos e divulgados nos últimos tempos foi o piti de Daniella Cicarelli no próprio casamento, com o jogador Ronaldo. A união durou apenas 86 dias, mas o escândalo armado durante a cerimônia no castelo Chantilly, na França, "ficou para a história". Na ocasião, a noiva expulsou, aos berros, uma das convidadas, a modelo Caroline Bittencourt ¿ tudo porque Cicarelli sentiu ciúmes e não teve seu pedido prontamente atendido para que Caroline se retirasse da festa.
Caetano Veloso perdeu a paciência durante o Video Music Brasil 2004. Ele tentava cantar Nothing But Flowers com o ex-Talking Heads David Byrne quando foi interrompido por microfonias, ruídos da técnica e interferências. Revoltado, soltou: "olha pessoal da MTV, vergonha na cara. Vamos começar de novo e bota essa p* para funcionar direito para a gente cantar direito essa p*. Respeito. Vamos começar de novo...".
Além de criticar celebridades por aí, Heather Mills, mulher do ex-Beatle Paul MacCartney, acabou perdendo a prótese que usa na perna depois de brigar com seguranças de Jennifer Lopez ao protestar, em frente ao escritório da cantora, contra o uso de peles em sua marca de roupa.
O mundo da moda já se rendeu ao talento de Naomi Campbell, mas a inglesa sempre foi conhecida por fazer barracos com sua equipe e nos bastidores dos desfiles. O último alvo teria sido um booker brasileiro, que teria apanhado da modelo. Também diz a lenda que Naomi teria surrado a atriz italiana Yvone Sccio. Outro desafeto dela é o fundador da Elite Models, John Casablancas. A dupla usa a imprensa para trocar farpas.
O ator Ashton Kutcher fez dos paparazzi seu alvo. Ao ser abordado em frente à sua mansão, xingou os fotógrafos e puxou a camiseta de um deles. Em terras brasileiras, Luana Piovani é outra estrela acostumada a ofender os profissionais da fotografia.
Russel Crowe é mestre em violência. Ele já quebrou o bar de um restaurante em Nova York. Em outra ocasião, Crowe agrediu o funcionário de um hotel com um telefone e depois pediu desculpas dizendo que estava estressado.
A patricinha Paris Hilton é outra que lava a roupa suja diante do mundo. Depois de brigar com Nicole Richie, disse em entrevista à uma rádio que o ex-namorado, Nick Carter, é um "porco nojento".
André Gonçalves também é conhecido por seus barracos. Entre socos em fotógrafos e pitis no avião, o ator quase foi preso pelo seu nervosismo. O futebol também tem seus esquentadinhos. O jogador Romário bateu em um torcedor do Fluminense depois de ouvir críticas sobre o time.






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