Estudo revela ciência por trás do 'olhar fatal'

Cérebro processa contato visual recíproco como expectativa de recompensa
HERTON ESCOBAR

Aquele olhar fatal realmente funciona. Cientistas na Inglaterra comprovaram que o contato olho-no-olho faz neurônios dispararem no cérebro, justamente na área que controla a percepção de recompensa. É como se uma lâmpada dentro do cérebro acendesse quando os olhares se encontram e apagasse quando a pessoa vira a cara.

Isso no caso de duas pessoas atraentes. Se o olhar parte de uma pessoa "feia", o resultado pode ser uma resposta reduzida de atividade cerebral, associada a um sentimento de decepção. "Por outro lado, a perda de contato visual com um rosto não-atraente pode resultar em alívio e, portanto, aumentar a atividade cerebral", explica o neurologista Knut Kampe, do Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London, principal autor do estudo publicado hoje na revista Nature. "O contato olho-no-olho é indicativo de uma interação", disse Kampe ao Estado. "O olhar recíproco reflete atenção e interesse".

Os pesquisadores mostraram fotos do rosto de 40 pessoas, em 4 posições diferentes cada, para 16 voluntários, cujas atividades cerebrais foram monitoradas por ressonância magnética funcional (FMRI). A região ativada pelas fotos de olhar direto foi a do corpo estriado ventral, estrutura localizada no centro do cérebro e recentemente associada à noção de recompensa.

Uma das surpresas é que a reação ao olhar independe do sexo da pessoa, o que indica que as expectativas de recompensa social e sexual são processadas da mesma forma, afirma Kampe. "A atração é também determinada pelo status social da pessoa observada", diz. "Conhecer um amigo ou uma pessoa que possa influenciar positivamente a nossa carreira pode ser tão gratificante quanto conhecer um parceiro."

A pesquisa também favorece a idéia de que "a primeira impressão é a que fica". Isso porque os participantes viam cada rosto por apenas 1,2 segundo. "A primeira impressão é muito rápida e fica gravada no cérebro", conclui Kampe. "É preciso muito mais informação para mudar essa percepção inicial."

http://www.estado.com.br/editorias//2001/10/11/ger011.html

 

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