O amor é cego?
Era uma vez um príncipe que conheceu uma linda plebéia e dela se enamorou. Casaram-se, tiveram filhos, viveram alegres, felizes e se amando para sempre...
Esta é a vida que se espera que vivam príncipes e princesas, ao menos nos contos de fadas.
O cenário era propício para desenrolar um conto de fadas, mas o fato era real (inclusive de realidade); os castelos, carruagens, aristocracia; a noiva não era bem quem a rainha aspirava para nora, pois, era apenas uma professorinha de 19 anos, porém, resolveu aceitá-la.
Acontece que entre Charles e Diana havia Camilla Parker-Bowles, de família aristocrata, mas casada com Andrew Parker-Bowles (que, por sinal, nunca foi obstáculo nessa história), que, há anos, mesmo antes do casamento, mantinha um romance com Charles.
Atentem para o detalhe: foi Camilla quem escolheu a dedo a futura princesa para Charles. Inteligente e perspicaz, fez questão de que sua escolha recaísse sobre uma moça que, de antemão, percebia, não ter nada em comum com o príncipe. Fez a escolha e ficou aguardando que o barco do casamento começasse a fazer água.
O casamento foi realizado com toda pompa e circunstância.
Não demorou e Diana ficou sabendo do affair entre Charles e Camilla. A princesa sentiu, com muita dor (o que não procurava esconder e a família real não gostava dessa exposição), a indiferença de Charles. Diana reagiu à situação chorando, puxando os cabelos, brigando com ele, convergiu uma bulimia que a reduziu a pele e osso e tentou suicídio por mais de uma vez. Tudo sob o olhar majestosamente gélido da rainha-sogra. Aliás, toda a realeza a desprezava, achando suas razões plebéias demais.
Enquanto Diana sofria, Charles disparava tórridos telefonemas a Camilla, dizendo o que gostaria de ser e onde gostaria de estar. Essas conversas foram reproduzidas pela mídia e correram mundo.
Diana deu a volta por cima, superou a situação, ao menos aparentemente e foi cuidar da sua vida e dos afazeres da Coroa. Papel que representou com perfeição e saiu-se muito bem.
Na Inglaterra, a imprensa e os súditos acompanham de perto a vida Real. Ao contrário da realeza, Diana desde o começo caiu no gosto dos britânicos, eles sim, a amaram e a festejaram verdadeiramente e, com a mesma intensidade odiaram Camilla, chamaram-na de bruxa e outros “elogios” mais.
O povo que realmente amou sua princesa, não se conformava e se perguntava: o que Charles viu em Camilla? Ponderavam que ela era mais velha que o príncipe; que não se comparava em beleza e simpatia à Diane, princesa de Gales. Então, por que, OH! Santa Realeza! Charles amava Camilla e não, Diana?
O final da história todos já conhecem: Diana, jovem e bela, morreu tragicamente. O viúvo Charles Philip Arthur George, Príncipe de Gales, Duque da Cornuália, Conde de Carrick e Duque de Rothesay, possivelmente, até 2004, brindará o Palácio de Buckingham com seu casamento com a divorciada Camilla Parker-Bowles.
Qualquer conto que se preze tem uma moral da história. Freud ou mesmo Sherlock Holms dariam uma conclusão primorosa, porém, na ausência dos dois, meto minha “colher torta” nesse conto.
O senso comum diz que o amor é cego. Porém, Freud me assoprou no ouvido que, muito pelo contrário: o amor enxerga muito mais do que nos diz nossa vã consciência. O amor passa pelo nosso inconsciente e a maneira pela qual fomos estruturados é que vai influir nos caminhos da nossa escolha amorosa.
Por não encontrarmos razões conscientes para explicar certos pares amorosos, dizemos que o amor é cego.
Por isso, segundo meu conselheiro Freud, na vida real, ao contrário dos contos da carochinha, o “príncipe” às vezes escolhe a “bruxa” e não a “princesa”; o contrário também é válido, a “princesa” escolher o “bruxo” (ou sapo).
Elementar meu caro Watson!
* MARIA LUIZA CURTI, psicóloga clínica em Cuiabá.






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