Dois terços de softwares instalados na América Latina são piratas

 Em 2006, 66% dos softwares instalados em computadores pessoais da América Latina foram obtidos ilegalmente, segundo um estudo publicado hoje que revela que a pirataria na América Latina é muito superior à do resto do mundo.

O relatório foi publicado hoje pela Business Software Alliance (BSA). No Brasil, a taxa foi de 60%, contra 64% de 2005.

A elevada percentagem representa um prejuízo estimado em mais de US$ 3 bilhões para a indústria tecnológica, segundo dados proporcionados pela consultoria IDC, autora do estudo.

As perdas em nível mundial teriam sido de US$ 40 bilhões em 2006.

Os Estados Unidos contribuíram para o total de forma ostensiva.

Apesar de o país ter a taxa de pirataria mais baixa, também é o que registra maior volume, com US$ 7,3 bilhões.

A taxa de pirataria na América Latina caiu dois pontos percentuais em relação aos dados de 2005. Mas continua muito acima da média mundial de 35%.

Dos 19 mercados latino-americanos cobertos pelo estudo / estúdio, a pirataria cresceu em sete, desceu em oito e se manteve estável em quatro.

Os países da América Latina que contribuíram para o crescimento da taxa de pirataria em 2006 foram Venezuela (86%), El Salvador (82%), República Dominicana (79%), Panamá (74%), Chile (68%), Colômbia (59%) e o segmento identificado como "outros mercados latino-americanos" (83%).

Além do Brasil, os outros países com queda no índice foram Argentina (75%), Costa Rica (64%), Equador (67%), México (63%), Peru (71%), Bolívia (82%) e Paraguai (82%).

O resultado do Brasil é especialmente "destacável", disse à Efe Monserrat Durán, diretora para a América Latina da BSA. Ela ressaltou "os esforços impressionantes" do Governo.

"É uma boa notícia, sem dúvida. O Governo realizou grandes avanços ao trabalhar diretamente com as companhias tecnológicas, além de destinar mais recursos à luta contra a pirataria", explicou.

O Brasil, apesar disso, foi o país sul-americano com maior volume de prejuízo estimado (cerca de US$ 1,2 bilhão) por causa da pirataria de software. No México, foram US$ 748 milhões; na Venezuela, US$ 307 milhões; e na Argentina, US$ 303 milhões.

"Ainda há muito trabalho a fazer para reduzir os inaceitáveis níveis de pirataria. O prejuízo tem um impacto negativo na criação de empregos na indústria tecnológica, na receita das empresas e nos recursos necessários para a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias", disse em comunicado o presidente da BSA, Robert Holleyman.

O estudo, além disso, revela que a taxa mundial de pirataria nos computadores pessoais manteve o nível nos últimos três anos, embora algumas regiões apresentem taxas superiores às da América Latina. Na Europa Oriental, o índice chega a 68%.

"A educação deve ser a medida prioritária para evitar este problema. Os tratados sobre direitos de propriedade intelectual e as leis devem ser cumpridos, mas existem algumas instituições que não fazem valer estes textos", comentou Durán.

A consultoria IDC é a principal empresa de pesquisa de mercados em nível mundial da indústria da tecnologia da informação.
 

EFE

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