No friozinho da serra

"Conto assim, porque assim se deu:
Praia interditada, calor demasiado.

O que fazer?
Trinnnn, liga um casal amigo, digamos Vera e Roberto,
freqüentadores do Ele&Ela, onde pouco vamos
por causa das crianças.
- Querem ir para Teresópolis?
- Quando?
- Daqui a duas horas, mas precisam reservar a pousada
agora mesmo.
Perguntei ao meu marido se ele gostaria da pedida: piscina
térmica, fondue, sossego e principalmente fugir
do calor carioca. Disse que sim.
- Trinnnnnn, Roberto! Nós vamos, mas e as crianças?
- Pode levar, lá tem recreadora infantil.
- Então, às 5 da tarde, passamos aí
e iremos juntos.
Estrada linda, deve ter valido a pena privatizar. Na
subida da serra já dava pra notar a diferença
de temperatura.

Chegamos.

Recebidos, nos colocaram (será
que advinham?) em suites que se comunicavam entre si.
Na nossa, uma escada descia para as camas das crianças.
Marcamos um fondue de carne ao vinho e combinamos uma
sauna. Descemos pelo meio do mato e... uma sauna à
vapor, ao lado de uma cachoeira.

As crianças jogando em cd-rom
aqueles joguinhos neuróticos, mas... o que fazer?
Sem elas e sem mais ninguém na sauna (há
um aviso informando que os funcionários lá
não devem ir) começamos umas brincadeiras,
eu com o dela e ela com o meu, vocês sabem, não
é?

Mas não fomos além de
beijinhos e amassos.

Para esfriar - haveríamos de
nos guardar para a promissora noite - cachoeira e papo
pro ar mirando lua e estrelas. Estava perfeito, mas
já um pouco frio.
Na suíte escolhi de propósito um vestido
curto (pensei em ir sem calcinha, mas havia levado uma
que gostaria de mostrar), para a sala do fondue que,
servido cheirava a cravo.

E como sabem, cheiro de cravo excita
e muito.
Agora o melhor: mal chegamos, outro casal ainda desconhecido,
nos olha dos pés à cabeça, sem
muito esconder, pois vi o marido (soube ser Mauro) cutucar
a mulher (soube ser Dora) e insinuar um sorriso maroto,
do tipo "será que eles topam"?

Pouco depois, Roberto e Vera, esta como
sempre linda e sacana, usava calça justa e blusa
de lanzinha, sem soutien.

Deram boa noite; no que foram entusiasticamente
respondidos por Dora e Mauro, como se velhos conhecidos
fossem. Rolava uma música bastante agradável,
Pablo Milanez com Chico Buarque.
Servido o fondue, o inevitável: comentários
misturam as mesas e as pessoas, cuja vontade de serem
também misturadas estava no ar.

O vinho, italiano e ótimo, fazia
a sua parte. Libera daqui, libera de lá, pronto:

- Vocês freqüentam o Ele&Ela ou Pigalle?
Perguntou Dora, essa eterna "cara-de-pau".
- Não, respondeu com jeito sério o Mauro,
aliás um tipo muito aproveitável.
Silêncio rápido até que Dora quebrasse
a impressão:
- Freqüentamos o Marrakesh, Sexto Senso e Casal&Cia.
pois somos de Sampa, mas acho que não precisaremos
hoje de ir a nenhum deles, né?
Meu marido, Juarez, de "bate-pronto" e em
"paulistez", arrematou:
- Imagina!!!! Estamos num lugar maravilhoso e quem sabe
aproveitaremos a oportunidade de nos conhecermos melhor?
Daí pra frente, era só questão
de tempo. Milanes cantava Iolanda, com Chico na segunda
voz.

E nós?

Bem... nós já dançávamos
e começamos a rodopiar em troca-troca. Quando
caí nas mãos de Mauro, entrei com tudo.
Me esfreguei, beijei seu pescoço e sussurrei:
- para que suíte iremos?
Começou a combinação do local,
ficando decidido que seria na dos novos amigos paulistas,
maior e mais longe das crianças. A gatinha que
serviu o fondue - cuja naturalidade com o que via atestou
estar acostumada a ver - como se antecipasse as coisas,
perguntou para Roberto se queríamos que levasse
os vinhos para a suíte combinada, oferecendo
gelo e lenha, para o uísque e para a lareira.
Dito o sim, foi o tempo de assinar a nota e percorrermos
a trilha que leva aos chalés, onde se cruza uma
ponte iluminada na qual não resisti e rodopiei
algumas vezes mostrando aquela calcinha acertadamente
escolhida.
Éramos seis na suíte. Como gosto, tratei
de averiguar se Dora também era bi e... não
deu outra, comecei com ela o que afinal todos faríamos.
E até que não fiquei muito atrás
da assanhada da Vera, pois além de Roberto, que
considero meu "freguês de caderno",
transei com Dora e com seu nada decepcionante marido.
(Ah! Mauro, se estiver lendo isso, saiba que adorei
seu modo de me comer).
Não conto detalhes, pois isso prejudica a imaginação
de quem lê.

Mas termino com um conselho: quando
estiver quente, sem praia, combine com outro casal,
ou tentem os "paulistas" que freqüentam
a pousada. É tudo exemplar e, pelo que soube,
os proprietários simpatizam muito com esse nosso
"basquete".
E um beijo molhadinho para todos.


Nota: Os nomes da narração são
verdadeiros, mas a formação dos casais
está misturada. Quem juntar lé-com-cré,
ganha o aviso de quando estaremos em Teresópolis
novamente!
Visitem nosso site: www.multimania.com/casalsim

Até breve!

 

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