Saiba mais sobre a homossexualidade da dramaturga e cronista Lula Carson Smith

Isolamento, amores frustrados e sofrimentos diversos sempre guiaram as histórias da novelista, dramaturga e cronista Lula Carson Smith, um dos maiores nomes da literatura americana. A boa dose de bizarrice de seus enredos e personagens causavam certo choque, inclusive no pai, o relojoeiro Lamar Smith. Aos 16 anos, Carson escreveu uma narrativa trágica, inspirada no estilo da escritora Eugene O'Neill, seu ídolo. Encenou o texto em casa com a ajuda da mãe e da irmã e já de início aparecia uma cena de incesto passada num cemitério. Mesmo assustadíssimo o pai reconheceu o talento da filha e lhe comprou uma máquina de escrever. Talvez por causa desse gosto pelo mórbido, nos tempos de colégio Carson era apontada pelos colegas como "a esquisita", na verdade uma alcunha que devia resumir sua personalidade difícil, um tanto egoísta e solitária.

A escritora cresceu desejando ser pianista, fato que a fez deixar Columbus, cidade no estado da Geórgia onde nasceu em 19 de fevereiro de 1917, rumo à gélida Nova York, aos 17 anos, para estudar no prestigiado Instituto Juilliard. Queria ser uma grande concertista de piano, rica e famosa. Deu azar logo em seu segundo dia de Big Apple, perdeu todo o dinheiro que tinha no metrô e foi obrigada a arranjar emprego. Em 1937, aos 20 anos, casou-se com o soldado do exército J.Reeves McCullers. Por causa da neve que nunca tinha visto e do frio que não suportava, deixou o trabalho num café e encerrou-se em casa para escrever.

Seu romance de estréia, O Coração é um Caçador Solitário foi escrito no ano em que se divorciou, 1940, e filmado em 1968. Em 1941, publicou Reflexões em um Olho Dourado (este filmado em 1967), em que contava a história de um oficial do exército homossexual. Em 1945, Carson e J. Reeves McCullers casaram-se novamente mas neste mesmo ano ele se matou em Paris ao saber que ela era lésbica. Carson não chorou a morte do marido e se negou a pagar o transporte das cinzas dele para os Estados Unidos.

Aos 29 anos, Carson teve um estranho distúrbio psicossomático que a levou temporariamente para uma cadeira de rodas e a fez renegar o sobrenome de casada. Até em talões de cheque assinava o nome e na frente escrevia "McCullers, não". A Balada do Café Triste, de 1943, foi sua última obra de sucesso. No romance, ela conta a história de uma mulher de meia-idade apaixonada por um corcunda que fica interessado no ex-marido dela. Depois desse livro, ela ainda escreveu Sócio do Casamento (1946), A Raiz Quadrada do Maravilhoso (1956) e Relógio Sem Mãos (1961).

Com a homossexualidade assumida, meteu-se numa série de amores complicados, mas acabou sozinha, como a maioria de suas personagens. Carson morreu em 29 de setembro de 1967. Teve um ataque cardíaco

 

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