Mulheres jovens e pobres se tornam as maiores vítimas da aids

A aids, 25 anos após seu aparecimento, mudou de rosto e hoje tem uma nova vítima: a mulher jovem, heterossexual, pobre e marcada pelos tabus sociais, segundo um fórum de especialistas em Buenos Aires.

A feminização da doença, devido à desinformação e à diferença de poder entre homens e mulheres, é uma das conclusões do IV Fórum Latino-americano e do Caribe sobre HIV/aids. O encontro terminou na sexta-feira, com a participação de 3 mil especialistas de 20 países.

A "nova realidade" da aids na região se traduz em 55 mulheres contaminadas com o vírus a cada minuto, alertou o fórum, organizado pelo Ministério da Saúde da Argentina, pela Comunidade Internacional de Mulheres vivendo com HIV e pela Associação para a Saúde Integral e Cidadania na América Latina e no Caribe.

Os especialistas concluíram que o fenômeno se deve à discriminação e ao machismo que ainda imperam em algumas regiões.

Assim, a mulher não toma a iniciativa de usar o preservativo por medo de incomodar o seu parceiro.

Hoje, mais de 60% dos jovens de 15 a 24 anos afetados pela aids no mundo todo são mulheres. Na América Latina, o número de afetadas subiu 10% entre 2003 e 2006.

Mas um dos problemas mais graves detectados pelo fórum é o grande número de crianças e adolescentes infectados. As últimas estatísticas mostram que a cada minuto um menor de 15 anos morre por causas relacionadas com a aids e quatro jovens contraem o vírus HIV no mundo todo.

Além disso, a cada dia 1.800 crianças menores de 15 anos contraem infecções por HIV no mundo todo, 1.400 morrem por doenças relacionadas com o vírus e mais de 6 mil jovens de 15 a 24 anos contraem a doença.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Programa das Nações Unidas contra a Aids (Unaids) atribuem os números alarmantes ao fato de que no mundo todo menos de 10% das mulheres grávidas e portadoras do vírus recebem ajuda para evitar o contágio de seus bebês.

Além disso, menos de 10% dos 15 milhões de crianças órfãs ou vulnerabilizadas por causa da aids recebem assistência pública ou acesso a serviços de apoio.

Os números da Unaids para a América Latina e o Caribe registram que em 2005 havia 54 mil crianças menores de 15 anos com HIV, 8.700 novos infectados e 6 mil mortes por causa da aids.

Na região, 40% dos contagiados são adolescentes e jovens. Menos de 30% das mulheres grávidas diagnosticadas com HIV têm acesso a serviços para evitar a transmissão do vírus a seus filhos.

As últimas estatísticas, de 2005, revelaram que no mundo todo há um total de 40,3 milhões de pessoas com aids. Do total, 25,8 milhões, entre adultos e crianças, estão na África, a região mais afetada. A América Latina está em terceiro lugar, com 1,8 milhão.

Durante os quatro dias de duração do fórum, vários grupos aproveitaram para denunciar a discriminação social nos países da região.

Especialistas denunciaram que em diversas regiões do Caribe a prática homossexual é proibida. Por isso, os homens não só precisam se esconder para ter relações mas também têm menos acesso a campanhas de informação, o que aumenta as chances de contrair a doença.

O resultado é que 80% dos casos de aids registrados em Cuba são resultado do sexo sem proteção entre homens, destacaram.

Diversas associações de travestis e transexuais denunciaram a situação de exclusão social, rejeição da família e maus-tratos policiais a que são submetidos.

A próxima edição do Fórum será no Peru, em 2009. EFE

 

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