Sexo, drogas, HIV: como está a saúde dos prisioneiros?
Um artigo publicado em janeiro deste ano, na revista The New England Journal of Medicine, mostrou a realidade da saúde dos prisioneiros da prisão estadual de Rhode Island, EUA. O artigo foi baseado em relatos de prisioneiros e médicos assistentes, e relata situações encontradas em muitas prisões do mundo.
Drogas, sexo, violência, AIDS e outras doenças, são fatos vivenciados no dia a dia dos prisioneiros. Muitos se encontram nessas situações por escolha; por estarem abandonados, deprimidos. Outros optam por esses caminhos como proteção.
Em muitas prisões dos Estados Unidos, como nas de outros lugares, não são permitidos encontros íntimos, nem mesmo o uso de drogas. Assim, a distribuição de preservativos ou de seringas descartáveis não é realizada. Isso é o que ocorre na prisão americana de Rhode Island. Alguns prisioneiros tentam se prevenir da contaminação de doenças, como a AIDS, utilizando luvas e sacolas plásticas como preservativos – sabidamente ineficazes para este fim. Porém, o compartilhamento de agulhas é inevitável. Como conseqüência, o número de casos de HIV entre esses indivíduos tem aumentado assustadoramente nos últimos anos, assim como os de hepatite B e C.
Cientes desses fatos, instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Programa da Junta das Nações Unidas contra HIV/AIDS (UNAIDS), há mais de uma década vêm solicitando que os preservativos sejam disponibilizados aos prisioneiros. Recomendam também que nas prisões existam equipamentos de esterilização e que haja a distribuição de seringas e agulhas descartáveis, bem como a oferta de tratamento para a dependência de drogas.
Essas modificações já são realizadas em algumas prisões, como as do oeste da Europa e de países como a Austrália, Alemanha, Espanha, Canadá, Indonésia, Irã, entre outros. Nos Estados Unidos apenas duas prisões estaduais (de Vermont e do Mississipi) e outras cinco instituições penitenciárias (de Nova Iorque, Filadélfia, San Francisco, Los Angeles e Washington, DC.) instituíram essas modificações. Em Rhode Island os prisioneiros recebem atendimento médico, com possibilidade de fazerem o teste anti-HIV periodicamente.
Alguns acreditam que essas medidas são excessivamente liberais, e que incentivariam a um comportamento de risco. Isso é verdade, mas "conhecemos outros meios para reduzir os riscos?" é o que diz Robert Fullilove da Escola de Saúde Pública da Universidade de Colúmbia, EUA. "Não sabemos ainda, mas esperamos um dia encontrar a resposta - é o que acreditamos", conclui.
Fonte: The New England Journal of Medicine; 356 (2): 105 – 108 (January 2007).






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