Entrevista com a transexual catarinense Kelly Vieira

Kelly Vieira, de 25 anos, é emocionalmente feminina, mas geneticamente masculina. Uma pessoa que pensa e age como uma mulher e vive num corpo de homem. Casada há quatro anos, a catarinense que nasceu em Palhoça, na região da Grande Florianópolis, assumiu a sua condição feminina quando ainda tinha 11 anos. Kelly nunca fez a cirurgia de mudança de sexo porque não conseguiu reunir os R$ 15 mil necessários para a operação. Nesta entrevista ao Diário Catarinense, a transexual fala da sua vida e das expectativas em conseguir transformar o seu corpo, subistituindo seu pênis por uma vagina construída cirurgicamente.

Diário Catarinense - Você já fez alguma cirurgia para mudar o seu corpo?

Kelly Vieira - Já fiz umas operações muito loucas, desde os 17 anos. Já mexi no meu nariz, duas vezes. Fiz na cintura para afinar, no queixo também. Os seios eu já diminui e depois aumentei.

DC - Quando decidiu fazer a cirurgia de mudança de sexo?

Kelly - Não é que eu decidi. Há nove anos descobri que existia esta possibilidade de realmente me transformar na Kelly.

DC - Mas como você descobriu este desejo de ter um corpo feminino?

Kelly - Eu já nasci assim. Sempre me sentei feminina. Na infância brincava com minhas primas, minhas três irmãs. Brincava com as bonecas, com a Barbie. Uma coisa bem feminina mesmo. Não posso te dizer que vivi qualquer período oposto a isso. Meus sentimentos sempre foram femininos.

DC - Como é o seu relacionamento com a sua família? É difícil?

Kelly - Nunca tive problemas neste sentido. Minha mãe sempre foi cabeça aberta e ela foi me deixando crescer livremente. Quando eu tinha 11 anos ela me perguntou o que eu era. Naquela época eu nem sabia o que era ser homossexual. Foi depois desse papo que mudei meu nome e passei a me vestir como uma mulher.

DC - Você estuda?

Kelly - Tranquei este ano meu curso de Enfermagem na Unisul.

DC - Não gostou do curso?

Kelly - Não é isso. É aquela questão que se você não se dá bem contigo mesma, então não vai se dar bem em nada. Já fiz vários cursos e sempre parei pela metade. Na verdade, tenho um grande preconceito comigo mesma. Quando me olho no espelho, não estou satisfeita com o meu corpo. Sinto dificuldades porque não me reconheço. Parece que aquele corpo não sou eu.

DC - A cirurgia é um procedimento irreversível. Você não tem medo de se arrepender?

Kelly - Porque arrependimento se eu sempre me senti o oposto do que me dizem? Acho que essa cirurgia vai dar vida à Kelly de verdade.

DC - A cirurgia vai melhorar o relacionamento com o seu parceiro?

Kelly - Acho que a partir do momento que eu estiver de bem comigo mesma vai melhorar tudo. Eu quero me olhar no espelho e me identificar, de verdade. Com certeza, tudo vai mudar e pra melhor.

http://www.saude.sc.gov.br/noticias/novo/clipping2007/setembro/02%20de%20setembro.htm

 

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