Herdeiros da Aids temem o amor e o sexo
Chegar à adolescência marcado pelo estigma da Aids é um fardo pesado para quem já convive com os conflitos da passagem da infância para a fase adulta e está iniciando a vida sexual. Rio Preto tem 35 adolescentes com Aids e 29 portadores de HIV.
“O medo do preconceito e da morte faz parte do dia-a-dia de muitos desses jovens”, afirma a psicóloga Denise Maria Pitelli, do SAE (Serviço de Atendimento Especializado).
Alguns se fecham, tratam a doença como um segredo compartilhado por poucos. Outros se revoltam. Para ajudar esses adolescentes, o SAE criou um grupo de apoio. “Sem essa ajuda eles podem ter sérios problemas afetivos, diz Denise.
Revelar que é um doente ou filho de portadores leva os jovens a adiar o início do namoro e a vida sexual. “Não sei até quando vou conseguir manter meu namoro sem fazer sexo”, afirma a estudante T.B.L, 19 anos, que há 10 meses tenta contar ao namorado que é doente de Aids.
A estudante foi infectada durante o parto, a chamada transmissão vertical. Os primeiros sintomas da doença manifestaram na infância, e desde então ela iniciou o tratamento que lhe permite levar uma vida normal.
Embora não tenha a doença, a adolescente B.A.C., 18 anos, acha que ainda não é hora de contar ao namorado que seus pais são portadores de Aids.
“Namoro há cinco meses, ainda é cedo”. B. afirma que não acredita em sexo-seguro. “Não acredito na eficácia dos preservativos, só vou fazer sexo quando confiar plenamente em meu
companheiro. Não quero correr riscos”, diz.
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