Espermicida não protege contra HIV e DSTs, diz OMS
GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na sexta-feira que os espermicidas usados por milhões de pessoas em todo o mundo não protegem contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como se acreditava anteriormente.
Especialistas afirmaram que o nonoxynol-9 pode, na verdade, aumentar o risco de infecção por HIV em mulheres que praticam sexo com frequência, informou a OMS.
A substância está presente na maioria dos espermicidas e, às vezes, é adicionada aos preservativos masculinos como um lubrificante.
"O nonoxynol-9 não previne a infecção por HIV e pode até mesmo favorecer a infecção, caso seja usado com frequência", informou a agência. A OMS apresentou os resultados finais de um encontro de especialistas em Genebra, realizado em outubro com o financiamento da agência e da Escola de Medicina de Eastern Virgínia.
RISCO MAIOR
As pessoas que usam a substância como um lubrificante em relações de sexo anal também podem ter a falsa impressão de que ela oferece proteção contra a infecção por HIV, disse a agência.
"As evidências revisadas pelos especialistas é particularmente perturbadora nessa questão", afirmou a OMS, acrescentando que um "risco maior parece bastante provável".
Testes laboratoriais, realizados nas décadas de 70 e 80, indicaram que o nonoxynol-9 poderia neutralizar organismos que causam gonorréia, clamídias, assim como o HIV e outras DSTs. Mas novos ensaios clínicos não sustentam esses dados, de acordo com a agência.
A OMS informou que os espermicidas com baixas doses da substância eram "provavelmente seguros" para as mulheres que não usavam o produto com frequência, ou que estavam sob baixo risco de infecção por HIV, o vírus que causa a Aids. Fazem parte desse último grupo mulheres em relacionamentos monogâmicos e aquelas que não usavam drogas intravenosas.
Nos últimos 50 anos, as mulheres vêm utilizando produtos espermicidas, como géis, cremes, espumas, esponjas, filmes e supositórios, contendo a substância química.
A OMS ressaltou que os estudos indicaram que o nonoxynol-9 contribuiu para enfraquecer o revestimento da vagina, facilitando a infecção.
Cerca de 17 por cento das mulheres em idade reprodutiva em alguns países da América Latina usam espermicidas, segundo a agência.
"As mulheres com relações sexuais múltiplas e diárias devem ser orientadas a escolher outro método contraceptivo", afirmou a OMS.
http://br.news.yahoo.com/020628/16/6vd9.html







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