De cada seis chineses, um jamais ouviu falar em Aids

BARCELONA, Espanha - No país mais populoso do mundo, uma em cada seis pessoas jamais ouviu falar da Aids. Um estudo divulgado nesta terça-feira alertou para a profunda ignorância dos chineses a respeito da doença, que já matou 25 milhões de pessoas e cuja incidência vem crescendo de maneira alarmente naquele país.

Daqueles que já ouviram falar de Aids, 75% não sabiam a causa da doença e 90% não sabiam como ela poderia ser detectada.

Os resultados da pesquisa com 7 mil pessoas, realizada pela COmissão Governamental de Planejamento Familiar na China, em colaboração com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, foram apresentados na 14ª Conferência Internacional de Aids, em Barcelona, na Espanha.

Essa é a primeira pesquisa de larga escala sobre o conhecimento do povo chinês a respeito da Aids.

No mês passado, o Unaids, o programa das Nações Unidas para a doença, alertou a China de que o país está às portas da catástrofe por conta do HIV. Hoje, estima-se que 1,5 milhão de chineses carregue o vírus. Segundo o órgão, sem um programa eficaz de prevenção, esse número vai saltar para milhões em 2010.

Dezessete por cento das pessoas ouvidas na pesquisa disseram que nunca ouviram falar em Aids. Apesar de 91% dos que sabiam da existência da doença dizerem que ela é transmissível, 52% não sabiam que o vírus poderia ser transmitido por transfusão de sangue, 81% desconheciam o risco de contágio entre usuários de drogas que compartilham seringas e 85% não estavam cientes de que o vírus poderia passar da mãe infectada para o filho recém-nascido. Dos entrevistados, 74% disseram que a Aids poderia ser prevenida, mas 77% não sabiam que o uso de preservativos diminui o risco de contágio.

A pesquisa é divulgada em meio à intensificação das críticas a Pequim pelo manejo da epidemia.

- Claramente, com uma população gigantesca, a maior parte sem conhecimentos básicos sobre Aids, a China precisa se tornar uma prioridade global do esforço pelo combate ao HIV - disse Eugene McCray, diretor dos programas globais de Aids do CDC.

Ele disse que a questão para a China é quão rapidamente o país será capaz de reagir para evitar que a epidemia tenha sobre o país o mesmo impacto devastador que teve sobre a África Sub-Saariana.

Na segunda-feira, ativistas e representantes da ONU criticaram o silêncio da maioria dos países da Ásia a respeito da doença, ignorando o alto risco de o continente rapidamente superar a África em número de infectados.

Reuters


http://globonews.globo.com/GloboNews/article/0,6993,A337117-571,00.html

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