Srta. S

Depois de quase uma hora de sexo, quando nós dois já havíamos gozado, quase simultaneamente, recostei a cabeça no travesseiro e, acariciando aquelas coxas macias e com pelinhos dourados, perguntei a Srta. S: “Há quanto tempo nos conhecemos?” Ela fez uns cálculos mentais e respondeu: “Há uns quatro anos, logo depois que eu cheguei a São Paulo”. Como o tempo passa, pensei. Foi numa noite, há quatro anos, que eu a conheci, vendendo prazer numa esquina da cidade. E eu me apresentei para receber esse artigo tão cobiçado: o amor com uma travesti.
 
E, desde então, nos encontramos sempre que podemos. Nos primeiros anos, a via com bastante freqüência, sempre no mesmo lugar, para uma gratificante entrega. Para mim e para ela que, excitada ao me ver gozar, não demorava e também jorrava sua seiva branca. Algumas vezes fora de mim, outras dentro de mim. Sempre protegidos, claro.
 
Às vezes, o programa comigo era o último da noite e acabava sendo para ela o momento ideal para o gozo. Sem precisar sair com outros clientes, poderia relaxar e gozar, literalmente.
 
Um dia ela me disse que iria para a Europa. Eu a adverti dos riscos, apesar do fascínio pelo dinheiro que parecia fácil. Muitas meninas diziam que ganhavam tão bem, em euros, que compraram casa para os pais, ajudaram a família a abrir um negócio e fizeram um pé de meia para o futuro. Contei para ela de histórias opostas que já ouvira, de violência, de roubo, de fim das ilusões. Mas ela estava decidida e viajou.
 
Ficamos cerca de um ano afastados e um belo dia a vejo de volta na mesma esquina onde a conheci. Ela tinha acabado de retornar e dentro de poucos dias viajaria novamente. Matei minha saudade e já me despedi antecipadamente, pois ela não tardaria em embarcar novamente.
 
A cada viagem que ela fazia, mais tempo permanecia na Europa. Na última semana, quando a reencontrei, ela disse que já estava no Brasil há um ano, mas preferiu ficar no interior na companhia da mãe, que já estava bem velhinha. Mas já estava de malas prontas para seguir novamente para a Europa. Fomos novamente para o hotel e nos divertimos bastante. Ela continua bonita, corpaço moreno, e mantém o bom humor mesmo quando o mar não está para peixe. Me disse que não está namorando e tem sempre um pé atrás com relacionamentos, pois teme que o homem queira se aproveitar e usá-la apenas para ganhar dinheiro sem trabalhar. Ela tem os pés no chão (mesmo que sejam pés de Mercúrio, com asinhas que a levam todo o ano para a Europa). Sabe que um dia vai ter que parar com a prostituição e já pensa como pode abrir um negócio e ficar perto da mãe, dando o carinho e a ajuda que ela precisa.
 
Gosto muito da Srta. S, que nunca me negou seu carinho, independente de ser cliente ou não. Quantas vezes eu parava o carro ao lado dela apenas para conversar, sem gastar um único centavo. Talvez um dia eu não a veja mais na esquina, mas espero que consiga chegar a tempo para me despedir e desejar, do fundo do meu coração, que ela seja muito feliz. Amante excepcional, amiga carinhosa. Sei que não existem muitas assim no mundo. E sou um felizardo por um dia tê-la encontrado e deixado que entrasse na minha vida.

SP
Meu email: senhorpinto2000@yahoo.com.br
Meu grupo de discussão: http://br.groups.yahoo.com/group/as_bonecas_que_amamos/
Minha paixão: T-Gatas

 

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