Entrevista com a transexual catarinense Patrícia de Castro

Hoje vamos falar um pouco, da supr Patricia de Castro....ai embaixo segue um pouquinho dela.... mora em Florianópolis, SC, na praia do Morro das Pedras, e atualmente está sozinha (rssss).
Trabalhou no Setor de Apoio do Gabinete do Governador, está concluindo o Ensino Médio, posteriormente fará o Curso Técnico em Saneamento Básico. Também atua como voluntária no Centro de Referência em Floripa, (ADEH - Nostro Mundo) como Agente de Saúde, faz trabalho de prevenção de DST/AIDS entre os HSH's em casas noturnas e profissionais do sexo.
Adora escrever, está trabalhando num livro (Romance) já há quase dez anos, e como não tem computador em casa, vai levar mais dez anos para terminar seu livro.
Seu grande sonho hoje, é atuar na frente de trabalho pelos Direitos Humanos, e pela Socialização das Travestis. Ainda não tem todo o apoio necessario, mas está fazendo sua parte!!!


ENTREVISTA

1-Qual sua idade,naturalidade e grau de instrução?
Tenho 27 anos, nasci no Município de Novo Hamburgo, RS, estou cursando a Terceira Fase do Ensino Médio, no CEFET/SC em Florianópolis.

2-Como foi para sua família descobrir a sua sexualidade?
No início foi muito difícil, principalmente para minha mãe, que é evangélica, e também porque eu era da mesma igreja que a dela. Meus irmãos assimilaram com mais facilidade. Confesso que sofri um pouco com minha transição, mas hoje tenho uma boa relação familiar e a cada dia, apesar de minha mãe ser contra, por motivos religiosos, ela me respeita muito, e estamos nos tornando mais amigas.


3-Como é a relação com sua família hoje em dia?
Hoje tenho uma relação familiar muito boa, meus irmãos e minha mãe sabem quem eu sou de fato, apesar de eles ainda não me verem totalmente como Patrícia.

4-Com que idade começou a se transformar?
Eu me assumi à menos de um ano atrás, com 26 anos. Mas já vinha me questionando sobre minha transexualidade à muitos anos atrás.


5-Qual sua opinião sobre hormônios e silicones?
Hormônio é coisa séria. Falo isso por experiência própria, até hoje sofro as consequências da minha auto-medicação, está difícil retornar ao meu peso ideal, e tive algumas alterações de humor. O silicone é algo que se deve pensar bem, jamais colocaria o silicone industrial, prefiro ter peitos pequenos, a ter que me arriscar. Pretendo colocar Prótese de silicone, mas a verdadeira.

6-Você começou a tomar hormônios com que idade? Usa silicones industriais ou próteses ?
Bom... com cerca de 16 anos eu descobri os anti-concepcionais, cheguei a tomar, mas foi uma cartelinha, fiquei com medo de me fazer mal. Com 25 anos passei a tomar hormonios em comprimidos, mas nada sério. Somente com 26 anos, quando me assumi, é que eu estou fazendo um tratamento contínuo, à quase um ano tomando Hormônio injetável. Tem uma farmecêutica amiga minha que me aplica.
Não uso silicone Industrial, e como disse, quero sim colocar prótese.


7-Não ficou com medo de o silicone industrial trazer sérios danos a sua saúde ?
Sim, sempre tive muito medo, por isso não uso.


8-Qual a maior dificuldade que teve em ser uma transexual?
A maior dificuldade é ter sua identidade reconhecida, principalmente no trabalho, já que eu estou à cinco anos no Centro Administrativo do Governo,(Gabinete do Governador) e aqui todos me conheciam como Daniel. Agora estou tentando fazer com que me reconheçam como Patrícia, e não está sendo fácil. Também temos a questão da discriminação, na Escola tive que recorrer ao diretor para ter direito de usar o banheiro feminino. Mas são estas lutas que nos fortalecem.

9-Qual foi o maior preconceito que passou em sua vida por ser uma transexual?
Acho que é a questão da tua identidade sexual. Eu não sofri nenhum tipo de agressão física ou verbal, apenas piadinhas básicas. Mas acho que o maior preconceito para mim, é quando um colega de trabalho me joga na cara meu nome masculino, e faz questão de dizer isso para mim. Já conversei com todos, mas isso será uma questão de tempo. Também sofro constrangimento, já que ainda não consegui ter o direito de usar o banheiro feminino no meu trabalho. E com relação à minha carteira de identidade, pois toda vez que tenho que descontar um cheque no banco (recebo com cheque nominal), tenho que apresentar minha identidade, para entrar na escola, preciso apresentar a carteirinha (com foto e tudo...), e até o nosso vale-transporte de estudante aqui em Floripa, é de cartão, com foto, nome e tudo.... já viram como é meu dia-a-dia....

10-Já sofreu agressão física devido sua sexualidade?
Não. Graças à Deus, apenas piadinhas.


11-Pretende um dia realizar a operação de mudança de sexo? Já teve experiências com mulheres?
Pretendo sim. Acho que a cirurgia me faria uma pessoa mais feliz. Quanto às mulheres, bem não vou ser hipócrita, já tive sim, e até fui casada de papel passado e tudo (rssss). Foi uma experiência que tive, hoje sei exatamente o que quero ser.

12-Nossos leitores querem saber... vc é casada, solteira, enrolada....?? como anda este coração....??
Ah.... meu coração anda carente! (rsssss...) Na verdade estou solteira, tenho algumas paqueras, mas nada definido ainda. Pretendo casar um dia e ter a minha familia.


13-Devido a sua sexualidade você tem facilidade em conseguir namorados, ou são poucos os homens que assumem um namoro com uma transexual?
Olha..algumas amigas minhas ficam passadas quando eu digo que tenho extrema dificuldades em conseguir um namorado (estou sem à mais de um ano...), elas dizem que sou bonita, e que conseguiria achar um homem para mim. Mas a verdade é que sou extremamente tímida neste assunto, não consigo perceber uma cantada. Mas eu creio que realmente são poucos os homens que querem assumir um relacionamento sério com uma travesti ou transexual.

15-Conta um pouco do encontro de travestis e transexuais no Rio grande do sul que tu participou a pouco tempo..??
Como foi??

Foi maravilhoso, ver aquela gente toda, todas iguais a você, com problemas parecidos..isso me deixou bem a vontade.
Do ponto de vista político, acho que tivemos um avanço muito importante, eu por exemplo, nunca imaginava que, por detrás de cada movimento, lei ou decreto, existe uma gama de pessoas que batalharam por aquele direito. Nós transexuais e as travestis somos poucos valorizadas, mas sabemos exatamente o que queremos, e o melhor, como obter nossos direitos. Foi muito bom saber também que os governos, embora ainda de forma pequena, está nos ajudando e nos ouvindo. Aprendi a valorizar o trabalho de todas as transexuais e travestis, se cada uma de nós fizéssemos nossa parte, com certeza o Brasil seria um bom lugar para vivermos.
Vamos valorizar mais estes encontros, eles são fundamentais para todas nós.

16-Manda um recadinho aqui pro pessoal do CASA DA MAITE??
Oiêê!!!!!! Gente, vamos arregaçar nossas mangas, vamos lutar, berrar, exigir nossos direitos e nossa visibilidade!!!!!!Vamos acordar!!!!!
É um prazer poder particiar deste site que venho acompanhando deste o início da minha transição... agradeço pela oportunidade e quero dizer que já até incomodei a Maite algumas vezes na época em que eu ainda não havia me assumido, peço desculpas!!!!!! rsssss. Valeu, vocês têm um ótimo trabalho com este site!!!!!!!!
E vocês que nos visitam, não deixem de participarem, hein????
Quero aproveitar também, para deixar o endereço do meu
BLOG: http://blig-identidadegenero.blogspot.com/


 

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Entrevista

Adorei a entrevista com a Patrícia de Castro!!!

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