As incômodas e doloridas aftas atingem 25% dos adultos jovens

Aftas são feridas que aparecem em especial na borda da língua e nas gengivas. Atingem 20% a 25% das pessoas de 18 a 45 anos. Ainda não se conhece sua causa. Mas se sabe que podem ser desencadeadas por fatores como consumo de alimentos muito condimentados ou ácidos e pelo estresse. Portadores devem consultar logo um dermatologista, pois elas têm tratamento.
por Ana Cristina Fasanella*

De repente, a pessoa tem dor e sensação de queimação na boca. Vai ao espelho e vê que ela está vermelha. Três a quatro dias depois surgem, sobretudo na borda da língua e nas gengivas, feridas cobertas por membrana branco-amarelada e circundadas por um halo vermelho. São as aftas, que atingem 20% a 25% das pessoas de 18 a 45 anos de idade. Existem duas formas de afta: a minor e a major. Caracteriza-se a forma minor, mais freqüente, quando os ferimentos são poucos e atingem apenas a superfície da mucosa da boca. Costumam incomodar mais por dois a três dias. Em geral, somem em dez dias e não deixam cicatrizes. Já a forma major se caracteriza por feridas maiores, mais numerosas, mais profundas e mais doloridas. Às vezes elas se encontram, formando placas. Levam por volta de um mês para sumir e deixam cicatrizes. Se analisarmos a mucosa, então, veremos linhas brancas indicativas da cicatrização.

Ainda não se sabe o que causa as aftas. Há, porém, duas hipóteses. Pela primeira, seria uma doença auto-imune, isto é, o organismo produziria substâncias que atacariam a mucosa da boca e levariam à formação das feridas; e, pela segunda, seria provocada por vírus. As pessoas que as desenvolvem seriam mais sensíveis à ação de tais microrganismos. Mas sabe-se que as aftas podem ser desencadeadas, entre outros, pelos seguintes fatores: estresse emocional, baixa nas defesas orgânicas e consumo de alimentos muito condimentados ou ácidos. Sabe-se igualmente que apresentam traços familiares, ou seja, quando alguém as têm, podem manifestar-se em outras pessoas da família.

As aftas são uma doença benigna.Incomodam sobretudo nos períodos em que os sintomas estão mais intensos, a ponto de o portador ter dificuldade para se alimentar. Mas, encerrado o seu ciclo, somem e não têm conseqüências. Também não levam a câncer.

Portadores devem ir a um dermatologista. O diagnóstico é clínico. Mas é preciso ser cuidadoso, pois há o risco de confundir afta com outras doenças. As mais importantes:

● Cânceres como o carcinoma espinocelular, comum na pele e na mucosa da boca de fumantes. Inicia-se por uma placa branca e se transforma em ferida.

Lúpus eritematoso. Moléstia auto-imune em que o próprio organismo cria anticorpos que atacam a mucosa. A diferença é que não dói e as feridas têm coloração púrpura.

Sapinho ou candidíase. Caracteriza-se pelo surgimento de placas que se tornam feridas. É mais freqüente em quem estácom a imunidade baixa.

Eritema polimorfo. Caracteriza-se pelo aparecimento de manchas vermelhas na pele e nas mucosas e, eventualmente, a formação de bolhinhas. É uma reação alérgica a substâncias presentes em remédios e alimentos.

Pênfigo. Grupo de doenças auto-imunes que se caracterizam pelo surgimento de vesículas e bolhinhas na mucosa bucal, na faringe e depois na pele. As bolhas se rompem, formam-se feridas e em seguida crostas.

Sífilis. Doença sexualmente transmissível, inicia-se por uma feridinha que se transforma em “verruga”. Em geral aparece também nos órgãos genitais.

Caso o dermatologista tenha dúvida entre as aftas e as outras doenças citadas, recolhe fluidos da ferida e envia a um laboratório para cultura. Nas situações em que, mesmo tratadas, as feridas persistem, sugerindo o câncer, retira um fragmento e envia para biopsia.

Aftas da forma minor são tratadas com a aplicação tópica de substâncias antissépticas ou antiinflamatórias. As da forma major, com antiinflamatórios de corticóide — tanto podem ser aplicados nas feridas quanto ingeridos. Infelizmente, a doença ainda não dispõe de um tratamento que evite seu aparecimento. Assim, o mais comum é os portadores apresentarem-na muitas vezes ao longo da vida. Mas é possível aumentar o tempo entre as recidivas com duas medidas
básicas: fazendo diariamente uma boa higiene da boca e indo periodicamente ao dentista para manter saudável a cavidade bucal.

* Ana Cristina Fasanella (38), médica dermatologista na capital paulista, integra a Sociedade Brasileira de Dermatologia e o Grupo Brasileiro de Melanoma. E-mail:

acf@dermatofasanella.com.br.

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Site: dermatofasanella.com.br

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