II Fortalecendo - Parte 7
Feminização da AIDS
Facilitadora: Sirlene Cândido
A fala tem por objetivo traçar um panorama da AIDS e as mulheres e contou com apresentação de dados HIV e algumas outras considerações. Seguem a transcrição e os dados:
Em todo o mundo, as mulheres representam 50% da população infectada.
No Brasil, quando a doença surgiu na década de 80, para cada 16 homens infectados registrava-se um caso de mulher com o vírus HIV.
Essa proporção caiu significativamente e hoje está em 1,5 caso em homem para um registrado em mulher, segundo dados do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde.
Atualmente, 33% dos casos de AIDS no Brasil atingem mulheres!
- Na década de 80, a proporção era de 26 homens infectados para uma mulher e hoje, é de 14 homens para 10 mulheres.
- Na faixa de 13 a 19 anos, o número de mulheres infectadas é maior que o de homens, o que se deve ao fato de a mulher se proteger menos.
VIOLÊNCIA?
Para o diretor da UNAIDS para Europa e Américas, Luiz Loures, o crescimento da epidemia de AIDS entre as mulheres expõe a grande vulnerabilidade do sexo feminino e a insuficiência das atuais estratégias de prevenção da doença.
Vítimas freqüentes da violência e da exploração sexual, as mulheres não têm condições de negociar sexo seguro, sustenta Loures.
Segundo o Ministério da Saúde, a sessão especial sobre HIV/AIDS das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York em junho de 2006, reconheceu que a epidemia da doença no mundo tem hoje um perfil heterossexual e sua incidência é muito mais acelerada entre mulheres, fenômeno que ganhou o nome de "feminização da AIDS".
Em todo o mundo, as mulheres representam 50% da população infectada. No Brasil, quando a doença surgiu na década de 80, para cada 16 homens infectados registrava-se um caso de mulher com o HIV.
Essa proporção caiu significativamente e hoje está em 1,5 casos em homem para um registrado em mulher, segundo dados do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde.
MAS, O QUE LEVA A MULHER A SE INFECTAR?
- A desigualdade nas relações de poder entre homens e mulheres;
- O menor poder de exercício dos direitos pelas mulheres quanto ao uso de preservativo e nas decisões que envolvem a sua vida sexual e reprodutiva;
- A violência doméstica e sexual contra mulheres e meninas;
- A discriminação e o preconceito relacionados à raça, etnia e orientação sexual;
- O uso de drogas lícitas e ilícitas;
- A falta de percepção sobre sua vulnerabilidade ao vírus!
O QUE ESTÁ SENDO FEITO PELAS MULHERES NESTE CONTEXTO DA EPIDEMIA DE AIDS?
Em março de 1997, no Rio de Janeiro, no VIII Encontro Internacional Mulher e Saúde, foram estabelecidos os seguintes princípios:
PRINCÍPIOS
Estabelecer e defender os direitos das mulheres vivendo com HIV/AIDS dentro de um contexto mais amplo de direitos humanos, legais e éticos.
2. Melhorar a situação das mulheres, inclusive as portadoras de HIV, na família e na sociedade, erradicando as desigualdades entre os sexos, através de leis, políticas e programas governamentais que garantam a todas o acesso à educação e à assistência médica, o direito ao emprego, à liberdade de viverem livres da violência e outros direitos humanos básicos, como os sexuais, ou seja, o direito de decidir quando, com quem e como ter relações sexuais.
Face ao problema da disseminação crescente do HIV, tratar separadamente o financiamento e a alocação de recursos para HIV/AIDS e aumentar o volume de recursos para prevenção,assistência e serviços para atender às necessidades das mulheres em situações de risco e das portadoras de HIV/AIDS.
(Rio de Janeiro, março de 1997)
O QUE OCORRE QUANDO DESCOBRIMOS TER HIV?
A descoberta de ser soropositiva leva muitas mulheres a marcarem suas vidas “Antes e Depois HIV”. A infecção pelo vírus anula a auto-estima e revela o que o feminismo há décadas vem tentando destruir: a idéia de sexo frágil.
O HIV ocupa um espaço imenso na vida de algumas mulheres. Ele é a causa e o efeito.
O fato de serem portadoras do vírus amedrontam aquelas que encontram ou mantêm um relacionamento com alguém soronegativo.
O pavor de transmitir a doença faz com que elas neguem cada dia mais sua vida sexual e afetiva.
E, estas mulheres com HIV, começam, publicamente, a denunciar violências, discutir realidades, buscar soluções para os problemas da epidemia e, ainda, a multiplicar informação sobre prevenção para que outras mulheres não se infectem!
E começam a ser reconhecidos, dentre os direitos das pessoas que vivem com HIV/AIDS, os direitos sexuais e reprodutivos da mulher.
E, em suas falas, começam a alertar que:
MULHER COM HIV/AIDS
PODE SER MÃE, SIM!
Mas, que MULHER não é apenas uma “máquina de parir bebês”, é um ser humano e, como tal, quer e deve ser tratada!
Isto fez com que se falasse em mulher e AIDS, também, em relação àquelas mulheres que não queriam ter filhos, não podiam ter filhos ou já haviam tido seus filhos.
As mulheres vivendo com HIV/AIDS começaram a exigir mais cuidados, tão-somente pela sua condição “não-masculina” na epidemia.
Há ainda “mulheres invisíveis” nesta epidemia...
As indígenas As lésbicas As idosas
Há agora outras mulheres que, até aqui, não tiveram visibilidade!
AS JOVENS VIVENDO COM HIV/AIDS!
Dentre estas, as meninas/jovens/mulheres que nasceram com HIV, que já têm uma fala própria e legítima!
Encontro Marcado: Articulação Brasileira de Lésbicas – ABL Yone Lindgren – Coordenação ABL Propõe, como estratégia de fortalecimento e interiorização da ABL e extensivamente a todo Movimento de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais brasileiro, a horizontalização da ABL, suprimindo-se a figura da presidente, da coordenação geral, e instituindo a Coordenação Política Nacional, a Secretaria de Comunicação e Pólos Referenciais coordenados por pessoas ou entidades filiadas a ABL com o intuito de interligar os grupos, núcleos e ativistas mulheres do país, tendo como função a ação local de fortalecimento das bases. A revisão estatutária será feita conjuntamente entre as integrantes da ABL e será finalizado antes da I Conferência Nacional GLBT em junho de 2008. A proposta foi aceita por todas as presentes e ficou assim composto o quadro executivo da Articulação Brasileira de Lésbica – ABL Coordenação Política Nacional Denise Limeira – Tucuxi – RO Secretaria de Comunicação e Secretaria Geral Ana Paula Theodoro / Yone Lindgren Listas de Comunicação Luriana Cohen, Marta Vasconcelos e Priscila Galvão Pólo Referencial de São Paulo (Capital) Coletivo de Feministas Lésbicas (CFL) – Irina Bacci Luana Cohen Marta Vasconcelos Pólo Referencial do Interior de São Paulo LOBAS – Jane Pantel Pólo Referencial de Rondônia – Cacoal Célia Fernandes Pólo Referencial de Niterói e Região Oceânica do RJ Amazonas do GDN – Grupo Diversidade Niterói Pólo Referencial do Nordeste LANCE - CE, LEMA – MA e LUAS – PE Pólo Referencial do Mato Grosso do Sul Grupo Bem Mulher Pólo Referencial do Paraná – Curitiba Artêmis Pólo Referencial do Rio Grande do Sul – Porto Alegre Outra Visão Pólo Referencial de Minas Gerais – Belo Horizonte Núcleo de Lésbicas do CELLOS Segue a transcrição: “Vocês me desculpem, mas eu ontem não estava bem a gente tinha muita coisa para fazer, e eu não queria muito participar da coisa para não tendenciar, eu tenho sim algumas propostas, a Irina tem, desde o seminário de segurança fazendo isso, a gente esteve juntas na parada do ano passado em são Paulo, nós conversamos muito, eu era inclusive contra algumas propostas, primeiro, claro, eu entendo que eu, como uma das coordenações da ABL, ela assina, eu tenho propostas assim, o Somos Lés, todo mundo sabe que eu era presidente na chapa das transexuais, travestis e mulheres na eleição passada, tive uma reunião com o atual presidente, e eu e Miriam retornamos a ABGLT, nós tínhamos saído, como outras que fundaram a ABGLT, como Jane, Marisa, nós quando retornamos em 2003 foi pela proposta do Somos Lés, e na eleição passada se eu saísse presidente, porque eu tinha os votos, como as companheiras trans e as mulheres fechavam, a companheira Miriam, nós não teríamos o Somos Lés, e eu arreguei, eu compus, perdi algumas amigas, algumas entenderam que era o momento político e é claro que a gente estava esperando se fortalecer para tomar o espaço outra vez, pois se somássemos Que todas nós pressionássemos o presidente da ABGLT, para antes da conferência, já que saíram agora as dotações orçamentárias para que todo mundo possa contribuir para que o Somos Lés saia antes da conferência. A outra proposta, que eu sei que a gente vai ter essa necessidade, que esse coletivo tenha parte no observatório do Brasil sem homofobia, mas que na verdade esse coletivo observe a rede, da qual a gente faz parte, ver os projetos, conferir o que está sendo feito em relação as mulheres e também para fora, exatamente a proposta de a gente estar em todas as instâncias políticas e que a gente também não ficasse no aliadas só como voluntárias, porque não dá, é um sufoco, se a gente não tem o dinheiro da passagem, se a gente não pode ir a Brasília, não adianta fazer aqui nos estados, a gente já fez o que tinha que ser feito nos estados e municípios, a gente precisa ter esse mesmo trânsito, a gente tem que estar lá para se visibilizar.E que o fortalecendo seja regional, para depois fazer o nacional, pois a gente vai trazer muito menos mulheres do que temos necessidade, e as nossas bases, vamos falar a verdade, não tem dinheiro para poder interiorizar e os seminários de ABGLT, uma vez ao ano, então a gente vê (...) Agora a gente vai falar um pouquinho de ABL, muito embora eu saiba que não temos todas [afiliadas] da ABL aqui. A ABL mudou, a gente conversou muito e a gente resolveu instituir uma coisa mais horizontal e menos cansativa e a gente está abrindo mão de ter presidência, coordenação nacional e regionais e vamos ter pólos referenciais em cada estado e município que tenha uma pessoa ou um grupo de ABL, porque ABL não é só para grupos, é para pessoas físicas. Quem é ABL, e não é exigido institucionalização do grupo para se afiliar, a gente entende que com todos os problemas que vivenciamos nesses 30 anos que o grupo precisa ter pernas para se institucionalizar, se legaliza. A proposta é que a ABL tenha agora em nível nacional apenas secretaria para ficar trocando informações, tudo o que está acontecendo em editais, e a coordenação política nacional para poder estar interagindo com as coordenações políticas regionais e nós, dentro da lista da ABL, e depois dentro da lista das coordenações da ABL que hoje saiu do ar, é que a Denis é a nova coordenação política nacional da ABL e as inscrições para os pólos referenciais estão abertas, sendo que a Irina está levando o pólo referencial de são Paulo. Nós temos cuidando de listas a Luriana, a Marta e Priscila, porque são imbatíveis em internet, em decisões rápidas, alguém que negue agora, porque se não negar eu não aceito. Interior de são Paulo, a gente está convidando a Jane Pantel para assumir o referencial do interior de Sampa. Sinto muito, mas lá em Cacoal tem que ser aquela mulher loira linda e inteligente. O pólo de Niterói e região oceânica do RJ ficou com as Amazonas do GDN, que são crias do Somos Lés. E enfim, a gente tem as meninas do LANCE que a gente está convidando para ser o referencial naquela terra maravilhosa, e porque a gente quer muito, são os 3 L do nordeste que estão na ABL e da ABGLT. No mato grosso do sul eu falei com a Cris Duarte e lá a gente tem o referencial delas. Em Curitiba a gente tem aquele grupinho lá novo, aquelas meninas maravilhosas e inteligentes, o nosso referencial está lá. La em POA a gente está com as meninas que fizeram o Somos Lés, enfim, a gente através do Somos lés articulou isso, e quem tem alguma coisa contra e tem alguma proposta de também ser um referencial da ABL, fala agora porque senão a gente não fala nunca mais. Minas, então, a gente esta querendo botar o interior, porque o Carlos magno, está encantado pela proposta e pediu que eu trouxesse o máximo das meninas dele.” Participante – Celise “Eu quero, em público, solicitar, referendar, pedir apoio para o nordeste, porque tem LEMA, LANCE e LUAS, mas também tem liga, e a impressão que passa no nordeste é que somos gados a ser ferrados a qualquer momento por A ou por L.” Coordenação do Evento – Yone Lindgren “A gente sabe que o boom das meninas do CELLOS foi agora, há pouco tempo, o CELLOS é filiado a ABL, foi um dos fundadores junto com a gente, tinham 48 pessoas quando a gente fundou em 2004, e a gente quer ter pólos referenciais, sem coordenação nacional e essas coisas. Hoje nacional, nós temos secretaria de comunicação e uma coordenação política e a proposta é que as mulheres do CELLOS sejam o pólo referencial da ABL em Minas.” Participante – Priscilla “O CELLOS é realmente ABL, o núcleo é relativamente novo, tem 3 meses a construção do núcleo Lés do CELLOS MG e com certeza, nos colocamos a disposição para construir juntas, enquanto CELLOS” Participante – Luana Marley “Bom, é interessante até pela dimensão regional que é o nordeste, que de fato é interessante que esse referencial seja dividido pelos grupos mais fortalecidos dentro da região nordeste, e fica também mais fácil a gente trabalhar horizontalizando as discussões, não ficando só no LANCE, o LEMA já se colocou, o LUAS eu não sei ainda, mais é interessante essa “tríade eliana”. Mas a minha preocupação mesmo Yone, eu gosto muito de visualizar o que estamos pactuamos, está se criando os pólos referenciais, secretaria e tudo e eu quero saber como está essa questão de documento, regimento interno, se estruturando isso, readequando esse processo.” Coordenação do Evento – Yone Lindgren “De concreto, a proposta é que a gente modifique o documento fazendo pela própria lista de ABL, mas a proposta é que a gente crie uma lista desses pólos, porque na lista de ABL estão também os homens que ajudaram a fundar a ABL, a grande maioria pulou quando se falou em pólos referenciais de mulheres e então a gente tem que trabalhar esse novo documento, porque eu tenho os antigos, para se fazer uma proposta, porque está na hora da gente registrar, porque a gente funciona desde 2004, trabalha e é reconhecida nacionalmente, é uma das redes que é apontada pelo governo na hora de decidir as coisas, mas a gente ainda não tem registro oficial, a gente tem estatuto e tudo isso, e então é o momento de a gente se fortalecer documentando tudo isso, legalizando tudo isso. Não é coordenação, é coordenação política nacional. A secretaria de comunicação, que é nacional, a gente queria te convidar porque você está sempre colocando tudo para a gente, porque é exatamente esta a proposta. Se quiser compor com outra pessoa ótimo, se cada pólo quiser se comprometer a isso, é uma coisa embrionária, estamos dando novos rumos, eu até brinco, porque são os novos horizontes da ABL, e a gente tem que construir tudo isso em conjunto. Eu gostaria de fazer isso rápido porque em junho tem a conferência e já estar com tudo isso pronto na conferência nacional, pode ser, alguém tem alguma coisa contra?”






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