Doce diário
“Querido diário, ainda bem que tenho com
quem desabafar! Preciso de um amigo, porque meu mundo
parece vazio e sem perspectivas...”
Era assim, todas as noites, quando Sabrina
ia se deitar. Passava horas escrevendo em seu diário,
e depois o guardava com cuidado para que seus segredos
mais íntimos não pudessem ser descobertos.
Em seus dezesseis anos, ela já via despontados
os seios bem feitos, que lhe dava uma aparência
de mais velha, tinha a pele lisa e corada, como poucas
meninas em sua idade, mas nunca fora de se cuidar horas
e horas em frente ao espelho, como suas amigas. Sequer
lembrava-se de passar perfume, o batom só fazia
trilhas em seus lábios carnudos e grossos, quando
a mãe perguntava-lhe sobre isto. Suas roupas
eram sempre claras e azuis, o que dava um brilho maior
em seus olhos de safira e colocava seu corpo esguio
em destaque. Mas tudo parecia acontecer por casualidade,
pois não ficava se mirando no espelho.
- Sabrina, telefone para você.
Atenda, por favor!
- Sim mamãe, pode deixar. Alô?!?
- Olá Sabrina, sou eu Karen,
o que estava fazendo?
- Nada, na verdade só estava
deitada, pensando na vida, por quê?
-Pensei que poderíamos ir ao
cinema, hoje é sexta-feira, e está passando
um filme bom.
- Não sei se estou afim.
- Ah! Então vem aqui para casa,
meu irmão pegou um monte de filmes... Vem me
fazer companhia!
- Está bem, só vou avisar
minha mãe e estou indo.
A noite, passou lentamente, elas assistiram
uns dois filmes, riram muito, comeram pipoca e foram
se deitar, mais para conversarem, que para dormir. Karen,
era ruiva, muito sardenta e com um sorriso perfeito,
traduzia sua simpatia sem precisar de uma só
palavra. Quando, de repente, a força acabou.
Depois de alguns gritos, e tateando o quarto encontraram
uma vela de aniversário e acenderam, sem dificuldade.
A proximidade se fez necessária, pois pareciam
ter medo de tanta escuridão. Se deram as mãos,
e se deixaram ficar naquela conversa gostosa.
- Karen, seus pais sempre deixam você
sozinha em casa e viajam?
- Sim, dizem que meu irmão toma
conta da casa – e riu alto – e eu tomo conta
de mim!
- Nem sequer vi seu irmão! Ele
chega tarde?
- Normalmente, nem chega. Fica pela
rua com seus amigos, e vem pela manhã para dormir.
Estamos de férias e ele não tem nenhuma
obrigação.
- Ah! E você, não sente
medo de ficar aqui sozinha?
- Não, acho que já me
acostumei! Por quê, está com medo ainda?
- Só um pouco, principalmente
com tudo apagado.
- Deita aqui no meu colo. Não
precisa ter medo, estou aqui.
- Já namorou com alguém?
-Não, acho que minhas sardas
espantam... – e ficou séria – Não
me acham atraente.
- Mas você é linda, olhe
só para mim, magrela, e cumprida – e se
levantou pegando a vela e passando perto de seu corpo
– Sabe do que me chamam? – e fez uma careta
– de Vara Pau.
- Seus olhos tem um azul belíssimo,
sua pele é perfeita... Eu me apaixonaria por
você instantaneamente, pena que sou mulher.
- Se eu fosse homem você estaria
em primeiro lugar na lista. Ficaria horas passando a
mão em seus cabelos...
- Eu beijaria sua boca com tanta força,
que sentiria medo, e me imploraria para parar...
- Eu tocaria seus seios fartos e alisaria
seu corpo, que você iria pedir que eu não
parasse mais, ficaria fazendo massagem nas suas costas
até relaxar e depois beijaria seus pés.
- Ah! Mas você não teria
coragem, como eu, de penetrar você até
que se sentisse plena de paixão e se esqueceria
por completo da escuridão. Faria amor até
que cansada pediria para dormir em meu colo...
- Dá-me um beijo!
-Como?!? – Karen parou e fitou
a amiga – Como?
- Um beijo... – mas não
deu tempo para Karen pensar, abraçou-lhe com
força, até que não sentiu mais
resistência e procurou tocar com a língua
todo o céu da boca, acariciando-lhe a nuca e
tocando seu corpo no dela.
- Sabrina... – sussurrou Karen
– e amanhã?
- Esqueça... – e beijou-a
com sofreguidão – esqueça!
Seus corpos se misturaram nos lençóis
macios, deixando em desalinho a cama toda, e se amaram
com determinação, se envolvendo em carinhos
e beijos, até que as mãos delicadas de
Karen separaram as pernas de Sabrina e tocou-lhe no
âmago de sua juventude, então o gozo e
a euforia preencheu o quarto.
Quando Sabrina quase afogava-se nos
seis fartos de Karen a luz voltou, e elas se surpreenderam
nuas, enganchadas uma na outra... e riram muito.
Aproveitando a claridade, se descobriram,
se tocaram e se declararam. O ar estava repleto de paixão
e romantismo, as palavras sussurradas vivificavam ainda
mais aquele amor recém- descoberto, então
ouviram barulho vindo da sala, Karen correu para apagar
a luz, e se deitaram sob as cobertas acomodadas uma
na outra, como peças de um quebra- cabeça,
e dormiram.
Na manhã seguinte, quando Sabrina
acordou, levantou-se cuidadosamente, vestiu-se, escovou
os dentes e os cabelos e saiu de mansinho. Não
sem antes dar um beijo nos lábios de Karen, que
dormia regaladamente.
Quando chegou em casa, correu
para seu quarto e pegou o diário, e escreveu
em letras garrafais: “ Doce diário, hoje
descobri que posso ser feliz. Amo Karen!”






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