Tarde úmida

Chove, chove muito nesta cidade que
não foi feita para estar úmida. Os tons
que colorem os habitantes do Rio de janeiro não
combinam com o cinza desta tarde. Claro que não
estou falando dos que moram longe do mar, tão
pouco dos desafortunados que se abrigam nos subterrâneos
de uma vida besta: escriturários, bancários,
operários, comerciários etc... os esquecidos
da sorte, os deserdados da terra, os excluídos
das listas de convidados dos grandes salões.
Falo desta gente bonita que com seus passos desocupados
transformam as ruas numa passarela, falo de mim também,
e por que não. Sou uma mulher de 32 anos, ainda
bastante jovem, meu corpo é cobiçado por
homens dos mais diferentes. Se passo em frente a algum
prédio em construção, ouço
um sonoro " Gostosa" " Que bunda!".
Se, ao invés disso, cruzo o caminho de um grupo
de amigos que tomam o seu chopp em algum bar, em alguma
esquina desta cidade, ouço no mesmo tom "esta
é dez".

No meu local de trabalho recebo
cantadas de todos os escalões. Divirto-me, fingindo-me
distraída, e percebendo o esforço dos
homens em apreciar o fundo das minhas calças
ou olhando para minha bunda depois que eu passo. Enfim,
sou muito gostosa. Se o meu caso fosse sentir uma pica
me rasgando a vagina, não me faltaria ocupação.
Mas decididamente, não aprecio sexo com os homens.
Eles se julgam os detentores do nosso prazer, acreditam
que não existe nada melhor para uma mulher do
que ter um pau na boca e se lambuzar com a porra deles,
julgam que nossa boceta é um depósito
de esperma, e ainda tem aqueles que estão verdadeiramente
convencidos que achamos sexo anal uma maravilha.

Soubessem
eles de suas fragilidades e inutilidade tratariam de
se mudar para outro planeta, algum asteróide
bem distante onde seus habitantes sejam eles todos formados
por infinitos buracos, para que, aí sim, nossos
desconsolados machos, tenham onde enviar suas precárias
ferramentas. Peço desculpas se algum representante
da categoria homem sentiu-se ofendido com o que eu disse,
talvez seja tudo fruto desta tarde chuvosa, gosto da
umidade, mas só em xoxotas. Estou carente, verdadeiramente
carente. Entrei na intenet, sites de bate-papo, sempre
aquela mesma historinha boba: " tc de onde"
como vc é" erros e mais erros de português,
uma infinidade de adolescentes, com o rosto cheio de
espinhas, se passando por garanhões. Ou então,
o que é mais chato ainda, mentindo ser mulher.
Gosto de sexo virtual, me excita, além do mais,
adoro me masturbar: Vou para a frente do micro, fico
só com uma camiseta comprida e bem usada que
tenho, meus seios firmes, os mamilos duros, os bicos
perfurando os vários furinhos do tecido. Pego
uma calcinha de algodão, sem rendas ou qualquer
bordadinho, bem velhinha e bem grande, mantenho ela
a mão só para isso, abro bem minhas pernas
e vou enfiando a calcinha para dentro da minha vagina,
vou enfiando lentamente com os dedos, primeiro uma pontinha,
depois mais um pouco, até ficar só um
pedacinho para fora, minha boceta fica estufada. Ligo
o micro, conecto e lá estou eu dando um oi para
a turma, logo aparece alguma amiguinha virtual, aí
é só ficar apertando e afrouxando as coxas
e sentindo minha boceta estufada. Que tesão!
Eu lambo o grelinho dela e ela o meu. Pego nos peitinhos
e sinto ela apertando meus bicos duros, aí ela
pede e eu imploro " Enfia 2 dedinhos no meu cuzinho"
Adoro sentir no cú, principalmente quando estou
com a boceta ocupada. " bate na minha bunda"
eu grito. Adoro levar uns tapas na bunda, adoro sentir
minha bunda quente, minha bunda branquinha, lisinha
e arrebitada sendo apalpada, apertada e levando palpadas.

Eu deliro. " me fode" eu peço. "
me enraba" eu grito" "Faz a sua puta
gozar" eu gozo. Sou assim, adoro ser puta de uma
mulher. Desde os meus 13 anos. Já trepei muito
com homem, mas gosto mesmo é de ser puta de mulher,
gosto de mulher bonita, mas forte, mulher que me lambe
e manda eu lambe-la, mulher que esfrega a boceta no
meu rosto, mulher que senta na minha boca e mija. Gosto
de ser dominada, gosto de apanhar, gosto que a mulher
coloque o vibrador na cintura e me enfie, prefiro no
cú, na boceta às vezes me machuca, gosto
de sentir o troço me rasgando o cú, eu
de quatro, bem submissa, bem puta, rebolando e tomando
no cú, a calcinha enterrada na boceta e o cacete
me arrebentando o cú. "Abre bem essa bunda
para mim" eu abro. "Empina" eu obedeço.
"Agora sente esse cacete no cú" eu
fico gemendo e pedindo " Mais, mais, mais"
eu grito " fode o cú da sua puta".
Mas esta tarde está deserta. Nem real nem virtual.
Me masturbo mas não gozo, enfio a calcinha em
vão entre as minhas pernas. Minha boceta é
um vão. Meu grelo carece de beijos e língua
e mordidinhas carinhosas. Um vazio imenso. A cidade
está úmida e minha boceta permanece seca.
Um deserto. Que merda!

 

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