Seis decisões curiosas da Justiça americana

O informe noticioso "Direto da Redação" - editado, para a Internet, pelos jornalistas Eliakim Araújo e Leila Cordeiro (ex-"casal 20" da Globo) - traz, nesta segunda-feira, um artigo do jornalista Antonio Tozzi (veja nota de rodapé), intitulado Justiça Caolha, em que faz críticas a decisões curiosas de magistrados norte-americanos. Ele relata que entre as inúmeras correspondências que circulam pela Internet, acaba de receber uma que faz questão de republicar:

"Lembra de Stella Liebeck, a senhora de 81 anos que se queimou com café quente enquanto tentava beber e dirigir ao mesmo tempo? Dona Stella ganhou indenização do McDonald's. Em sua homenagem, foi criado nos EUA o Prêmio Stella, para sentenças judiciais verdadeiras, mas absurdas. Algumas favoritas:

1 - Carl Truman, 19 anos, de Los Angeles, ganhou o reembolso de despesas médicas e US$ 74 mil de indenização do motorista de um carro que passou em cima de sua mão. O motorista deu partida e andou, sem perceber que Truman estava roubando suas calotas.

2 - Terence Dickson, de Bristol, roubou uma casa e quis sair pela garagem. Portão enguiçado. Tentou voltar para a casa, mas a porta tinha batido e se trancara. Passou oito dias na garagem, com algumas latas de Pepsi e um saco de ração de cachorro. Só saiu quando os donos voltaram de viagem. Ganhou US$ 500 mil de indenização por "angústia mental indevida".

3 - Merv Grazinski, de Oklahoma, levou o motor-home para a estrada, regulou a velocidade em 120 km/h e saiu do volante para fazer um cafezinho. O motor-home saiu da pista e capotou. Grazinski processou a fábrica porque o manual não dizia que o motorista precisa ficar na direção com o veículo em movimento. Ganhou um motor-home novo, mais US$ 1,75 milhão de indenização".

Além dessas, o jornalista Antonio Tozzi acrescenta mais três, que leu nos jornais norte-americanos.

A primeira refere-se a um comerciante local, na Flórida, que, na tentativa de melhorar as vendas, lançou mão de uma estratégia de marketing para atrair novos consumidores, enviando o menu através de fax. Pois bem, um advogado esperou juntar 75 faxes para ir à Justiça pedir indenização, solicitando ao juiz o ressarcimento de US$ 500 por fax enviado, alegando estar o comerciante infringindo uma lei sobre privacidade. O dono do restaurante lamentou que, se perder a ação, perderá também o negócio, com o qual sustenta sua família. Ele apenas se perguntava: “Por que ele não pediu antes para não enviar fax? Lógico que teria parado de mandar”.

Outro advogado, na Geórgia, moveu uma ação milionária contra a rede de restaurante Hooters – para quem não conhece, o sucesso da rede deve-se mais às garçonetes, vestidas com shorts curtíssimos e miniblusas justíssimas do que por seus pratos – contra uma promoção enviada pelo restaurante. Argumentando que não solicitara nenhuma promoção, foi à Justiça e ganhou, no ano passado, uma indenização milionária.

Por fim, na Califórnia, uma garota, maior de 18 anos de idade, concordou em ter sexo com um rapaz. Bem, no momento do, digamos, êxtase, ela se arrependeu e pediu para o rapaz tirar o pênis. Ele continuou – até porque, convenhamos, ficava difícil interromper o ato – e ela, sentindo-se ultrajada, foi à Corte dizendo-se vítima de estupro. Pior, uma juíza acolheu a denúncia e o rapaz foi em cana, encarando uma pena de seis meses. Uma jornalista do The Washington Post criticou a decisão e lembrou que no tempo dela era mais fácil dizer não antes… e não durante o ato.

--------------------------------------------------------------------------------

(Antonio Tozzi foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Mudou-se para os EUA onde foi editor-chefe do Florida Review e editor na CBS Telenoticias Brasil. Vive em Miami e trabalha para o canal de esportes PSN).

 
 

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Linhas e parágrafos quebram automaticamente.

Mais informações sobre opções de formatação

ANTISPAM
Usamos este sistema para evitar spam dentro do Casa da Maite.
6 + 12 =
Resolva a simples operação matemática de soma acima e coloque o resultado. Por exemplo 1+ 3, digite 4