Aeroporto
A tarde era fria, chuvosa, típica de inverno,
embora o inverno na Ilha da Magia não fosse normalmente
rigoroso. Mas esse ano especialmente o estava
sendo, talvez por capricho dos ventos que sopram vindos
da Argentina, talvez prenunciando um quente verão.
Mas Florianópolis ainda assim era bonita,
acolhedora e amiga como uma cadeira colocada à sombra
de uma árvore.
Felizmente eu estava usando uma gabardine
comprida que me mantinha bem aquecido.
Estava no aeroporto aguardando a chegada da
minha amada. A criatura mais linda e maravilhosa que já
houvera encontrado em toda minha vida.
Ela estivera ministrando e, administrando, um
seminário em Curitiba durante dois longos dias.
Era psicóloga. Uma pessoa renomada em sua área.
Nunca me assustara de verdade o fato dela ser
psicóloga. Sempre interagimos sem deixar que sua
profissão pesasse entre nós.
Respeito a profissional competente que ela
sempre demonstra ser, mas adoro quando a sinto em meus
braços tremendo, fazendo beicinho e falando de suas
inseguranças.
Minha amada, minha linda Anne tinha, como
qualquer mulher tem, seus momentos de fraqueza.
Dúvidas, incertezas, ciúmes, fragilidade, medos.
Sentimentos absolutamente normais que fazem dela minha
amada e minha mulher e jamais a profissional que trata
dos receios e incertezas de terceiros. Somos amigos,
parceiros, cúmplices e amantes e isso tem se mostrado
extremamente gratificante no transcorrer de nossa
trajetória.
Estava absorto, folheando revistas a esmo na
banca, quando ouvi anunciar a chegada do vôo provindo
de Curitiba.
Dirigi-me ao terminal de chegada.
Nesta ocasião além das flores e do chocolate
suíço que sempre levava quando ia recepcioná-la, havia
comprado uma pulseira para presenteá-la. Gosto de
presentear minha amada. Nunca me preocupei com o valor
gasto em presentes, geralmente de pequeno montante,
pois me dá prazer o fato em si, de presenteá-la, de ver
seu sorriso, seus olhos brilhantes. Sempre entre nós
ficou explícita a vontade de estar sempre namorando,
sempre trocando carinhos e afagos, sempre buscando a
conquista diária. Nós sempre tivemos presente que nada
é definitivo e quem ninguém pode dizer “eu te amo para
toda vida”, pois só podemos amar enquanto formos
cativados, enquanto formos conquistados, enquanto
enamorados, sendo essa uma manifestação que deve
ocorrer e ser trabalhada de forma diária.
Aguardei sua saída misturado na multidão.
Quando a vi meu coração, como sempre acontece,
se enterneceu. Seu sorriso era como o sol surgindo numa
manhã clara de verão; amigo, forte e transbordando de
calor.
Trajava um vestido preto, com meias e sapatos
combinando. Usava o colar que lhe dera no Dia dos
Namorados. Seus cabelos maravilhosos e sempre bem
cuidados pendiam sobre seus ombros.
Ela sempre representara para mim a típica
mulher européia. Uma mulher de extrema classe, muito
vaidosa no vestir, na maneira de se portar, sempre de
forma sóbria e educada. Mas ao mesmo tempo possuía a
pimenta da mulher sul-americana. Muito dengosa e
especialmente fogosa quando na intimidade.
Enlacei-a pela cintura e beijei-a
demoradamente, com paixão e ternura.
As pessoas a volta sorriam, entre espantadas e
admiradas, pois não era comum entre os casais
demonstrações explícitas de carinho.
Mas nós nunca nos importamos em de demonstrar
publicamente nosso amor.
Quando entreguei-lhe os presentes encantei-me,
como sempre acontecia, com seu semblante iluminado. Ela
pediu que eu colocasse a pulseira imediatamente em seu
pulso e ficou, tal qual uma criança, admirando-a.
Indaguei sobre o seminário e sobre seus irmãos
que moram em Curitiba enquanto empurrando o carrinho
com as malas rumamos em direção ao estacionamento.
No caminho, enquanto conversávamos, senti sua
mão sobre minha perna, numa clara demonstração de que
ela queria namorar. Essa química sempre se estabeleceu
facilmente entre nós. Pequenos gestos, toques,
palavras, eram como um código que nos dizia tudo,
embora nada precisasse ser dito.
Abri os botões da gabardine, deixando-a ver
que, por baixo, usava um micro-vestido, com meias 7/8.
Isso imediatamente a acendeu e mesmo sem mudar o rumo
da conversa senti suas mãos ávidas escorrendo por entre
minhas pernas, buscando segurar o lhe dava prazer.
Aqui cabe um parêntese, para que o leitor possa
melhor entender. Ao iniciar meu relacionamento com a
Anne, fui aos poucos e sem qualquer premeditação de
qualquer das partes, adentrando no mundo dos cross
dresser, homens que, embora mantendo exclusivamente o
padrão heterossexual, deleitam-se e excitam-se ao verem-
se vestidos com roupas femininas.
Dirigi devagar, enquanto gemia de prazer e
buscava também enfiar minha mão dentro das suas
calcinhas.
Mesmo com o risco de algum acidente
constrangedor conseguimos chegar em casa.
Quando o portão automático da garagem desceu,
livrei-me rapidamente da gabardine mostrando-me
inteiramente para ela.
Livrei-a velozmente da calcinha e coloquei-a
sentada em meu colo, de frente para mim –nossa posição
preferida-. Senti seus gemidos chegarem aos meus
ouvidos, enquanto colocava seus seios em minha boca e
chupava-os, ora com extrema ternura ou vorazmente e com
muita tesão.
Senti seu gozo abundante chegando repetidas
vezes e só depois disso tivemos condições de sair do
carro.
Felizmente a garagem tinha conexão direta com a
casa, permitindo que pudéssemos sair do carro sem
preocupação com as roupas.
Subimos as escadas tropeçando nas nossas
próprias pernas, entre beijos e carícias.
Eu, a essa altura, apenas de calcinha e soutien
e ela sem que mais nada cobrisse seu corpo espetacular
e que tanta tesão me despertava.
Nos abraçamos com muita ternura e tesão, mãos e
bocas percorrendo os corpos sedentos, buscando
sofregamente o prazer, o gozo tão esperado. Não buscava
eu diretamente meu próprio prazer, mas sim através de
sentir minha amada derramando-se em gozos consecutivos.
Nossos momentos de intimidade variam e
intercalam-se indo do doce e terno olhar até as
mordidas e os tapas que tanto excitam minha amada.
Adoro vê-la gemendo, quase gozando enquanto suplica:
Minha mãezinha linda bate em mim, bate com vontade na
tua putinha.
Depois de, através do amor, exaurirmos nossos
desejos, vontades e fantasias, satisfeitos e exaustos,
mas plenamente felizes, deitamos abraçados, mãos
entrelaçadas, corpos suados, respiração ofegante,
exalando o cheiro próprio do sexo recém consumado,
deixamo-nos ficar. Quietos, olhos fechados, sorriso nos
lábios, como que numa prece inaudível, agradecendo ao
UNIVERSO a oportunidade de termos nos encontrado e com
isso, termos verdadeiramente descoberto o AMOR





