Senhor Pinto

Continho transformista

Um dia G. acordou e viu que havia se transformado em uma mulher. Não era o pesadelo kafkiano de Gregor Samsa se realizando em plena São Paulo. De pesadelo não tinha nada. G. estava acordando dentro de seu próprio sonho, ele próprio transformado em realidade. Pesadelo, pensava G., era o que vivia antes, quando acordava todas as manhãs e se via dentro do corpo de um homem.
 

O Fenômeno e as t-gatas


Talvez hoje quando vocês estiverem lendo essa coluna seja um dia ensolarado. Mas neste momento em que escrevo, uma sexta-feira chuvosa em São Paulo, o dia está mais para leitura e sessão da tarde do que para outra coisa. Ou para o sexo, que nunca tem dia nem hora, nem local, nem gênero, nem cor, nem idade (mesmo as criancinhas tem suas fantasias, como dizia o dr. Freud. Vi e alisei minha primeira periquita quando tinha uns 10 anos).
 

Srta. S

Depois de quase uma hora de sexo, quando nós dois já havíamos gozado, quase simultaneamente, recostei a cabeça no travesseiro e, acariciando aquelas coxas macias e com pelinhos dourados, perguntei a Srta. S: “Há quanto tempo nos conhecemos?” Ela fez uns cálculos mentais e respondeu: “Há uns quatro anos, logo depois que eu cheguei a São Paulo”. Como o tempo passa, pensei. Foi numa noite, há quatro anos, que eu a conheci, vendendo prazer numa esquina da cidade. E eu me apresentei para receber esse artigo tão cobiçado: o amor com uma travesti.
 

Uma vida dupla

Quando saio às ruas em busca de prazer, me sinto personagem de um filme. Parece que estou vendo uma outra pessoa se esgueirando por becos escuros, perigosos, com a adrenalina em alta. E pelo caminho vou encontrando pessoas que, à luz da iluminação pública, ganham contornos mais interessantes que à luz do dia. Pernas à mostra, pedaços de seios, saltos altos, unhas vermelhas, hálitos de cigarro.
 

Um velho álbum de fotografias – Parte 2 - Final

Nas minhas lembranças, os bons momentos e as boas amizades que ficaram

Começo meu texto de hoje com um pedido de desculpas a vocês que me leêm periodicamente e à querida Maitê, por ter ficado tanto tempo sem escrever, por causa do excesso de compromissos profissionais que assumi. Nas últimas semanas precisei me dedicar a tantas coisas de forma simultânea, que esse cantinho aqui ficou esquecido. Gosto muito de escrever para vocês e peço que me perdoem. Para 2008, serei mais constante, porque tenho muitas coisas para contar.

Um velho álbum de fotografias – Parte 1

Vejo fotos antigas da internet
e lembro de histórias que vivi

O Yahoo vai acabar com a seção de fotos e, preocupado, decidi olhar as fotos que tenho guardadas no site para copiar as que me interessam. São fotos que comecei a colecionar desde que mergulhei de cabeça no mundo-T. Acho que muita gente começa assim: colecionando fotos até ter coragem de sair com uma menina. E depois é um caminho sem volta. Quem é desse mundo sabe do que estou falando.

A primeira vez a gente não esquece

Não tenho do que me orgulhar do meu primeiro
encontro com uma tgata. Ao contrário, me envergonho

Soneto da separação

Dizem que um dia tudo acaba. Mas porque não
podemos saber o que está errado para tentar consertar?

Os olhos tristes que me enfeitiçaram

Um encontro casual com uma T-Gata
que deixou marcas em meu coração

Por que as t-gatas tem tanto medo de envelhecer?

Será que a causa não está em nós, que procuramos apenas
a beleza física e as descartamos como se fossem objetos?

Quem é o ATIVO num relacionamento T-lover X T-gata?

Ativo é quem supera os preconceitos
e realiza seus desejos mais secretos

Senhor Pinto