Sexualidade

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Estigma de gênero e preconceito permeiam modalidades de luta

Estudo realizado na Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP) mostra que a mulheres que praticam algumas modalidades esportivas, em especial as lutas, são estigmatizadas e sofrem com o preconceito.

Conduzido pelo educador físico Marco Ferretti, o estudo mostra que a desvalorização das lutadoras vai desde a fase amadora, passando pelas atividades físicas na escola, e chegando a atingir as profissionais, acontecendo até nos Jogos Olímpicos.

Segundo Ferretti, algumas modalidades esportivas ainda carregam o predomínio de um dos gêneros, e isso pode acarretar em preconceito quando praticado por pessoa do sexo oposto. “Isso se deve à sexualidade ser relacionada ao gênero em nosso contexto social”, explica.

Onde "está" a sexualidade?

Que lógica é essa que nos faz utilizar essas perguntas marcadas pelo “ou” e não pelo “e”?
Por que o sexo do indivíduo importa tanto?
Será porque achamos que a partir desta definição “todo o resto” estará resolvido???

Ainda hoje, proliferam os discursos em torno da sexualidade e, dentre outros campos, a medicina segue exercendo intensos efeitos de verdade em nossa sociedade. Aliando o prazer à saúde, os discursos médicos ampliam seu campo de atuação, divulgando “verdades” que costumam vir com um “selo de garantia” de que “foi comprovado cientificamente...”- e isto as tornam, muitas vezes, inquestionáveis.
Nos textos publicados em atualizados sites na Internet brasileira/mundial o que mais se encontra são dicas, orientações, precauções sobre sexualidade, direcionadas muito mais ao público feminino do que ao masculino. Por que será?

Privatiza-se um jeito de viver a sexualidade (matrimônio, monogâmico, heterossezual), enquando se “denunciam publicamente” todos os outros jeitos de vivê-la que não se enquadrem nesta norma.
Anseia-se pelo estabelecimento de uma norma.
Fabricam-se normas e fronteiras.
As normas afinal tornam-se visíveis apenas a partir da sua diferença, ou seja, o normal só é nomeado em função do que não é normal.
E a classificação se dá a partir da medida da distância entre o sujeito e a linha tênue da fronteira chamada norma.

Ao longo do tempo observamos, contudo, mudanças nos significados atribuídos à norma:
O sentido de “normal” nos séculos XVI e XVII era: retangular, perpendicular, posicionado em ângulo reto.
Em seu sentido atual, entretanto, a palavra revela nitidamente conotações dadas no século XIX: normal no sentido de regular (1929); escola normal para treinamento de professores (1834), normal do sentido de média em física (1859); normalizar (1865); normativo (1880) e normal no sentido de comum (1890).
A sua referência já não é o esquadro, mas a média, a norma toma agora o seu valor de jogo das oposições entre o normal e o anormal ou entre o normal e o patológico.
A partir do século XVIII, o normal se estabelece como princípio de coerção no ensino.

A partir do século XIX a norma passa a diferenciar-se de regra, vai designar ao mesmo tempo um certo tipo de regras, uma maneira de as produzir e, sobretudo, um princípio de valorização.
A norma, diferentemente da lei e de outras regras, funciona de forma que nem a percebamos, pois quanto mais eficiente é a norma, menos ela “aparece” como tal; ou seja, o objetivo maior da norma é se fazer presente, sem ser vista- normalizando comportamentos, pensamentos, atitudes, a partir de discursos que, em geral, são carregados de legitimidade e poder.
E por mais que a norma esteja em pleno funcionamento, ou melhor, para que de fato funcione, ela precisa do que está fora dela exatamente para se diferenciar e “garantir” seu espaço de “normalidade”.

A norma precisa de um atento investimento contínuo para poder se manter como tal.

É preciso reconhecer que foi a partir do final do século XIX que as chamadas sexualidades desviantes tornaram-se alvo de estudos, pesquisas, investigações, intervenções, terapêuticas, normalizações.

Nascia a sexologia. Inventavam-se tipos sexuais, decidia-se o que era normal ou patológico e esses tipos passavam a ser hierarquizados. Buscava-se tenazmente, conhecer, explicar, identificar e também classificar, dividir, regrar e disciplinar a sexualidade.
Tais discursos, carregados da autoridade da ciência, gozavam do estatuto de verdade e se confrontavam ou se combinavam com os discursos da igreja, da moral e da lei.

Surgem muitos manuais, dentre eles, os de psicopatologia (que abordarão num capítulo específico as chamadas disfunções sexuais e perversões- como o DSM- Manual de Diagnóstico em Saúde Mental), os manuais da Igreja Católica (que tratarão como desvios todas as práticas que não se conformam às suas regras), os manuais para educar crianças, adolescentes, esposas, enfim, manuais que tentarão, ao longo do tempo, demarcar os limites do normal e do anormal, do certo e do errado, indicando caminhos para “curar” ou se “converter” das possíveis aberrações e anormalidades que o sujeito, por descuido às normas, acabou “contraindo”.
Tenho uma impressão de que quando a sexualidade entra em questão, o exercício dessas normas se intensifica, porque “o perigo e o pecado moram ao lado”.

Os significados que damos à sexualidade e ao corpo são socialmente organizados, sendo sustentados por uma variedade de linguagens que buscam nos dizer o que o sexo é, o que ele deve ser e o que ele pode ser.

Nessa hierarquia, o casal heterossexual monogâmico com filhos/as estaria no topo da norma desejada e quanto mais o sujeito se afasta desta norma, tanto mais sofrerá uma desvalorização e uma insistência para que “retorne” à norma.

Assim como existe uma pedagogia que poderíamos chamar de escolar, existem inúmeras pedagogias culturais ocorrendo e concorrendo por espaços de poder e visibilidade em nossa sociedade.
Louro (2000) refere-se a “pedagogias da sexualidade” que seriam os diversos mecanismos que, de uma forma ou de outra, “ensinam” modos de viver a sexualidade, os prazeres, os desejos, as vontades; promovem valores, crenças e comportamentos em torno da sexualidade nas mais variadas instâncias sociais.

Não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz; é preciso tentar determinar as diferentes maneiras de não dizer, como são distribuídos os que podem e os que não podem falar, que tipo de discurso é autorizado ou que forma de discrição é exigido a uns e outros.
Não existe um só, mas muitos silêncios e são parte integrante das estratégias que apóiam e atravessam os discursos.

A heterossexualidade é concebida como “natural” e também como universal e normal. Aparentemente supõe-se que todos os sujeitos tenham uma inclinação inata para eleger como objeto de seu desejo, como parceiro de seus afetos e de seus jogos sexuais alguém do sexo oposto.
Consequentemente, as outras formas de sexualidade são constituídas como antinaturais, peculiares e anormais.
É curioso observar, no entanto, o quanto essa inclinação, tida como inata e natural, é alvo da mais meticulosa, continuada e intensa vigilância, bem como do mais diligente investimento.

As professoras, frequentemente, acabam se tornando “vigilantes” da possível orientação sexual das crianças.
A preocupação com os meninos parece ainda maior quando eles brincam de bonecas ou mesmo quando brincam em demasia com as meninas.

As coisas se complicam ainda mais para aqueles e aquelas que se percebem com interesses ou desejos distintos da norma heterossexual.
A esses restam poucas alternativas: o silêncio, a dissimulação ou a segregação.
A produção da heterossexualidade é acompanhada pela rejeição da homossexualidade.
Uma rejeição que se expressa, muitas vezes, por declarada homofobia.

A moldagem dos corpos, seu disciplinameto é não apenas um dos componentes centrais do currículo, mas provavelmente um de seus efeitos mais duradouros e permanentes.

Percebe-se que é recorrente a idéia de que o desenvolvimento da sexualidade se dá de forma evolutiva, em etapas cujas manifestações características são definíveis, observáveis e, dentro do possível, corrigíveis.

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A tarefa mais urgente talvez seja exatamente desconfiar do que é tomado como “natural”.

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Onde "está" a sexualidade?: representação de sexualidade num curso de formação de professores.
Patrícia Abel Balestrin

 

Orientação Sexual: Preconceito, Ideologia e Fraude.

É da concepção naturalizadora da sexualidade que decorre a idéia segundo a qual nos cromossomos e nos hormônios estariam pré-fixadas as essências masculina e feminina que marcariam o desejo sexual e o destino social de homens e mulheres.

Generalizações como estas ignoram a diversidades das culturas, a variabilidade das famílias, mesmo que apenas no interior das sociedades ocidentais, assim como a amplitude, a variabilidade e o dinamismo das relações humanas que engendram a biografia de cada indivíduo, incluindo aí a sua sexualidade- esta seguramente não sendo construída apenas pelas relações que se produzem no microcosmo familiar e na infância.

Conceber a sexualidade do indivíduo em termos de orientação sexual (e esta como atração, fantasia e desejo direcionados a indivíduos de outro, do mesmo ou de ambos os gêneros) é quase um consenso entre especialistas hoje.
Para evitar a substancialização da orientação sexual, é importante trazer a reflexão sobre o assunto para o terreno da reflexão antropológica e sociológica: a orientação sexual é uma construção subjetiva, certo!, como desejo é singular e em grande medida inconsciente, mas é igualmente uma construção de caráter social.
Constituída de prazeres, sensações, fantasias, imaginação, práticas eróticas, etc., a orientação sexual é construída nos embates subjetivos e sociais, produzidos nas interações, a partir de padrões culturias, relações de poder, idéias sociais, configurando-se como um fenômeno individual tanto quanto coletivo.

Uma orientação sexual expressa a plasticidade e as possibilidades humanas no terreno da sexualidade, como em outros.

A própria normalidade não é mais do que uma construção simbólica reversível, mas que, para se perpetuar, procura todos os meios de sua naturalização e divinização.

Técnicas sobre a Gênese da Homossexualidade: ideologia, preconceito e fraude.
Alípio de Sousa Filho. (2009)

 

Repensando algumas questões sobre a Orientação Sexual nas Escolas

No entanto, ainda que de acordo com alguns desses argumentos, ao invés de criticar a intervenção escolar ou propor alguma solução, gostaria aqui de problematizar essa questão de uma outra maneira. Por que o tema da sexualidade exige uma abordagem tão diferenciada?
Por que essa demanda de que o ensino sobre reprodução ultrapasse a biologia enquanto o mesmo não é demandado do sistema respiratório, circulatório ou digestório?
Por que questões ligadas ao sexo precisam ser ensinadas de modo distinto de questões ligadas à alimentação ou à respiração, por exemplo?
Por que uma proposta curricular nacional como os PCN cria um tema transversal específico sobre esse assunto intitulado “Orientação Sexual”?
Considerando a existência de um outro, chamado Saúde, cabe ainda questionar por que a Orientação Sexual não está incluída no tema Saúde, merecendo, ao contrário, um
tratamento específico e privilegiado?

Há algo que perpassa todas essas críticas e problematizações em relação à atuação escolar: a busca de uma intervenção mais eficiente. Há uma forte demanda de resultados, em outras palavras, uma busca constante de mudar ou adequar os dispositivos que estruturam os comportamentos preventivos.
Busca-se o aprimoramento das técnicas de prevenção, considerada a melhor estratégia frente a diversas doenças. Por sua vez, a prevenção de DSTs e da AIDS, bem como de uma gravidez, depende, em grande parte, da mudança de comportamentos sexuais. É essa busca que justifica a implementação de políticas preventivas na escola, como a educação sexual e o NAM.
Através de técnicas de poder diversas, fundamentadas em determinados campos de saber, pretende-se levar os/as adolescentes a “incorporarem a mentalidade preventiva e a praticarem sempre” (BRASIL, 1998, p. 328).

Conforme será demonstrado, o que marca a diferença entre a escola e outros espaços é ela ser recorrentemente apontada como o local onde se tem acesso a explicações, a informações mais detalhadas e confiáveis, em outras palavras, informações tidas como científicas e, portanto, consideradas verdadeiras. Que “verdade” é essa sobre o sexo que a escola ensina?

Se antes a televisão já mostrara um parto, agora eles passam a ter informações detalhadas, não apenas sobre o parto em si, mas sobre o que lhe antecede: o ciclo menstrual, a fecundação e a gestação. Se já haviam ouvido falar sobre AIDS, através da escola conhecem outras DSTs, seus sintomas e a única forma de preveni-las: a
camisinha. Se já tinham ouvido falar da camisinha masculina, a escola lhes ensina a como utilizá-la e lhes apresenta a desconhecida camisinha feminina. Se já sabiam que existia gravidez, agora aprendem que existe “gravidez precoce”, a qual pode ser prevenida não apenas por camisinha, pílula anticoncepcional e coito interrompido, mas por outros métodos anticoncepcionais: DIU (Dispositivo Intra-
Uterino), diafragma, gel espermicida, entre outros.

Através de uma “aula prática”, realizada no “laboratório”, os/as adolescentes foram instruídos/as sobre o funcionamento dos métodos, seus efeitos, indicações e contra-indicações e, principalmente, como usá-los. Segundo os/as estudantes, essa foi a primeira vez que viram uma camisinha feminina e a primeira vez que lhes foi ensinado como usar a camisinha masculina. Essa última já era conhecida por todos/as, mas não a técnica correta de utilização. Cada um dos métodos – pílula anticoncepcional, gel espermicida, diafragma, DIU, camisinha feminina e camisinha masculina – foi apresentado e explicado. A camisinha masculina, método mais recomendado aos/às adolescentes, foi o último e representou também o momento ápice da aula.
Risadas e cochichos por toda a turma, quando a professora retirou da bolsa uma camisinha e uma prótese peniana para a demonstração. Com a ajuda de uma exparticipante do NAM, ela mostrou como deve ser utilizada: o pênis deve estar
ereto tanto para colocá-la quanto para retirá-la, não se deve usar tesoura para abrir o invólucro e é preciso ter cuidado para não rasgá-la com a unha, deve-se tirar o ar da ponta para não estourar, não deve ser utilizada concomitantemente à camisinha feminina, após ser usada uma vez deve ser jogada fora etc.

Busca-se, por exemplo, privilegiar uma dimensão psicológica na abordagem do tema – mesmo que ela nem sempre obtenha êxito. Exemplo disso é a grande importância dada à “auto-estima”. Esta é considerada como sendo fundamental para que adolescentes adotem uma prática preventiva, motivo pelo qual, são criadas inúmeras dinâmicas com o objetivo de “resgatar a auto-estima”. Também nos PCN essa preocupação está presente. A abordagem do tema “corpo: matriz da sexualidade” deve buscar “favorecer a apropriação do próprio corpo pelos adolescentes, assim como contribuir para o fortalecimento da auto-estima e a conquista de maior autonomia” (BRASIL, 1998).

Se a escola tem como objetivo esclarecer, ampliar as informações dos adolescentes sobre temas ligados à sexualidade, esta pesquisa mostra que ela o faz.
Disse Ana Beatriz (13): “Eles conversam um pouco com a gente, aí aqui na escola eles explicam mais, melhor. Explicam mais do que nossos pais. Dão detalhes.”
No entanto, não é qualquer conhecimento que ela se propõe difundir. Qualquer forma de conhecimento é sempre perspectiva, parcial e, portanto, implica igualmente em desconhecimentos. O saber que a escola transmite sobre sexualidade é primordialmente oriundo das ciências biológicas e, na medida em que se apresenta como um conhecimento científico, propõe-se verdadeiro.

Em nossa sociedade, o que confere valor de verdade a um determinado discurso é seu caráter científico. Segundo Foucault, (1995: 12) cada sociedade tem o seu regime de verdade, isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir enunciados verdadeiros de falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro.

“Não são adequados métodos diretivos de ensino, do tipo aula expositiva”. Deve-se, ao contrário, privilegiar a participação do aluno, estimulando-os a compartilhar suas experiências com o grupo.
Aqui, o que gostaria de mostrar é que a escola interfere no conhecimento trazido pelos estudantes, negando-o ou apresentando-o sob uma nova perspectiva, demarcando-o com um certo crivo de verdade – ainda que ela nem sempre seja aceita. O efeito de verdade produzido pela escola na sua versão dos fatos pode ocorrer de diversas maneiras: ensinando termos corretos, se contrapondo aos mitos, ao discurso religioso, à postura familiar, entre outros. Em suma trata-se de uma verdade “científica”.

A própria frase da professora já começa a responder a essas questões: conhecer o corpo do homem e da mulher exige o conhecimento de seus órgãos e suas finalidades. Esse conhecimento é profundamente marcado pelo campo das ciências biológicas: divide-se o corpo em partes e cada uma delas é estudada a partir da sua funcionalidade. Outrossim, trata-se de conhecer o corpo do homem e o corpo da mulher. Eis aí uma outra divisão importante entre os corpos: eles são masculinos ou femininos, suas diferenças são determinadas a partir de seus órgãos sexuais, seus genes e seus hormônios.

Os funcionamentos de cada uma das partes dos aparelhos reprodutores são explicados. “A função do pênis é lançar espermatozóides e urinar.” A vagina é assim definida no livro: É um canal que liga o útero com o meio externo. Durante a relação sexual, a vagina acomoda o pênis, sendo nela depositado o esperma. É também através da vagina
que a criança será conduzida ao meio externo, durante o parto.

A educação sexual na escola é, antes de tudo, uma educação sobre reprodução e o corpo que fundamenta esse ensino é um corpo orgânico e funcional, conhecido primordialmente a partir de seu interior.

Do mesmo modo, a prevenção da gravidez acabava sendo considerada uma questão feminina. Vale notar que historicamente não se produziu, ou ao menos não se disponibilizou, métodos anticoncepcionais masculinos do mesmo modo que se fez em relação à mulher: para elas, pílula, DIU, diafragma, camisinha feminina, hormônios injetáveis, laqueadura, entre outros; para eles, vasectomia e camisinha. Como mostra Emily Martin (1996), foram realizadas mais investigações sobre a reprodução feminina, permitindo que as responsabilidades do controle da natalidade ficasse a cargo das mulheres.

Vemos aqui que, hoje em dia, a entrada na sexualidade adulta é subordinada
ao que Michel Bozon chama de uma “poderosa obrigação de proteção”:
À norma contraceptiva acrescentou-se a norma do uso da camisinha desde a primeira relação, iniciada com as campanhas de prevenção da aids e que se impôs em apenas alguns anos. Isso traduz algo mais além do medo da contaminação: a adoção da camisinha no repertório sexual juvenil cria um ritual reconhecido que, diante da incerteza da fase de experiência no início de um relacionamento, organiza
e estabelece uma atitude socialmente “responsável” na relação sexual.

Elas pretendem que a primeira relação sexual ocorra numa relação estável: para a maioria delas numa relação de namoro, para algumas, ligadas à igreja, após o matrimônio. No entanto, isso, por si só, não é suficiente, pois dentro desse critério está inserido um outro duplo critério temporal referente à durabilidade da relação: ela já deve existir a algum tempo e deveria continuar a existir após o ato sexual.
Pode-se dizer que a temporalidade do ingresso na sexualidade adulta é regulada não só pela idade da garota, mas também pela duração e perspectiva futura da relação. Podemos observar aqui algo destacado também em outras pesquisas (BOZON e HEILBORN, 2001): a experiência sexual propriamente dita aparece para essas meninas como conseqüência da consolidação de um vínculo amoroso.

Conversando com elas, pode-se perceber que valorizam a virgindade a partir da intensa atenção dada a primeira relação sexual. Essa passagem não aparece sendo motivada por “curiosidade”, elas não pretendem que “aconteça por acontecer”. Ao contrário, manifestam uma clara vontade que esse momento seja planejado, “elaborado”, “consciente”, que ocorra com a “pessoa certa”, num determinado
tipo de relação e em um momento específico da trajetória dessa relação.

A responsabilidade aparece como algo imprescindível para a adoção de uma prática preventiva, no que se refere a doenças, à gravidez e à privacidade. Emerge aqui novamente uma sobreposição entre corpo e intimidade como foco de fortes preocupações preventivas que perpassam todo o trabalho escolar de educação sexual.

Essa opinião, no entanto, não era partilhada pela professora. Sua mensagem
final em torno desse debate foi de que, antes de uma relação sexual, as pessoas
devem conversar, se conhecer melhor, o que inclusive facilita o uso da camisinha.
Também em outros momentos, o uso do preservativo aparece como dependente de
uma negociação que passa por uma suposta conversa. A necessidade de usá-lo é
apresentada dentro de uma relação ideal e não considerando as diversas
possibilidades de relação entre duas pessoas. Mais do que prescrever o uso do
preservativo, prescreve-se um tipo de relação: heterossexual e com algumas etapas
a serem seguidas.
Assim, a importância da camisinha é destacada sempre dentro de um padrão idealizado de relacionamento e não dentro de relacionamentos sexuais de um modo geral, independentemente de quais sejam suas características
e configurações. Outras formas de relacionamento são, direta ou indiretamente,
desvalorizadas ou, no mínimo, não consideradas.

O debate não é guiado, por exemplo, no sentido de “como um casal, que se
conhece em um baile funk e acaba transando na mesma noite, usa camisinha”. O
curso do debate é de que esse casal não deve transar já na primeira noite, mas
esperar, se conhecer melhor e só então ter relações sexuais e usar camisinha. Além
disso, o casal que aparece nessas situações é sempre de um garoto e uma garota,
ou seja, heterossexual. Não são construídas situações com relações homossexuais
nas quais a camisinha deveria ser usada.

Além disso, esse modo de divulgação do uso da camisinha pressupõe racionalização e controle da relação, a qual não é relacionada ao inesperado ou até mesmo ao descontrole. Essa expectativa de controle subjacente à prática educativa
parece pouco condizente com a realidade, conforme têm atestado vários estudos. Na cultura brasileira, a sexualidade masculina hegemônica é freqüentemente associada ao descontrole e racionalizar os “impulsos sexuais” acaba sendo visto como não condizente com a virilidade. A fala do aluno Manfred (14), “Na hora a gente não pensa em nada, só pensa em transar, transar, transar!”, é exemplar nesse sentido.

Nesse exemplo, vê-se novamente a prescrição de um tipo de relacionamento “etapista”. Na medida em que os/as docentes imaginam os/as adolescentes
irresponsáveis, despreocupados com a primeira relação sexual, ingressando na
sexualidade adulta precocemente, buscam intervir nas suas relações, a fim de
torná-los responsáveis, adiando essa passagem. O uso de algum preservativo ou
algum outro método anticoncepcional se inseriria dentro desse padrão ideal de
relação. No entanto, na medida em que as relações entre as pessoas não seguem
sempre esse curso, a prescrição do preservativo perde efeito, uma vez que ela não
é pensada, discutida ou problematizada dentro de outras formas de relacionamento.

Uma gravidez nessa faixa etária parece nunca ser chamada simplesmente de gravidez.
Ao contrário, ela é recorrentemente adjetivada, como por exemplo, na adolescência,
precoce, indesejada, não-planejada, de risco ou inesperada.

Ao estudar as gravidezes na adolescência na França, Charlotte Le Van (1998) mostra
que, se a gravidez em idades jovens não é um fenômeno inédito em si mesmo, as recentes evoluções sociais e culturais contribuíram para fazê-la emergir como um problema social novo. Para a autora, a expansão e o prolongamento do ensino, assim como a inserção da mulher no mercado de trabalho, contribuíram para um retardamento da gravidez e da constituição da família. A imagem social da criança também se modificou: despojada progressivamente de seu valor econômico e social, ela aparece, antes de tudo, como uma gratificação. Os futuros pais devem escolher o momento propício para procriar, quando o/a filho/a não possa mais criar obstáculos para suas realizações pessoais e quando sejam suscetíveis a lhe dar as melhores condições possíveis de vida. A exigência de uma paternidade e maternidade “inteligentes” implica que a criança desejada chegue no momento em que o casal possa lhe oferecer o espaço e a estabilidade necessários.

Não só aqui, mas durante todo o programa, é dada especial ênfase às inúmeras
conseqüências negativas de uma gravidez para a menina: impossibilidade de continuar os estudos e investir no futuro, abandono pelo namorado, mudanças no corpo, impossibilidade de sair e se divertir, dificuldades para cuidar do bebê etc. Cabe contrapor esse modo de focar a questão com pesquisas que têm mostrado que a experiência da maternidade e da paternidade para adolescentes pode ser, tanto disruptiva, quanto ter o sentido de uma “ancoragem social”.

De certo modo, a gravidez na adolescência é encarada como um
anacronismo, pois expectativas, demandas sociais e econômicas induzem a concepção de
que essas duas experiências devam ser vividas separadamente. A adolescência é atualmente concebida como um período de imaturidade, de instabilidade, em que a/o adolescente deve viver novas experiências e investir na sua formação pessoal e profissional. Diferentemente, a gravidez requereria uma situação mais amadurecida, estável e estruturada, seja em termos econômicos, profissionais ou pessoais.

Parece haver uma contradição no trabalho desenvolvido pela escola. Por um lado, um
dos objetivos da educação sexual é evitar a gravidez na adolescência. Esta justificativa consta nos PCN (BRASIL, 1998) e também era expressa, direta ou indiretamente, por diversos docentes. No entanto, quando se fala sobre sexo, toda ênfase recai justamente sobre fecundação, gestação e maternidade. Cabe, portanto, questionar se enfatizar a gestação e vincular reiteradamente a relação sexual à reprodução são as melhores estratégias quando se tem o objetivo contrário, qual seja, de prevenir a gravidez entre adolescentes.

Mesmo que ela esteja informada sobre a contracepção, o sentimento de “ilegitimidade” de uma jovem mulher cuja sexualidade não é reconhecida em seu meio pode criar obstáculos ao seu acesso à contracepção e afetar negativamente sua prática contraceptiva.

Voltando à escola, em sala de aula, a professora deixava claro que o método
anticoncepcional mais indicado a adolescentes era a camisinha, fosse ela a masculina ou a feminina. Apesar da camisinha feminina ser proclamada como um método que garantiria autonomia à mulher na gestão da sua vida sexual, pois, supostamente, ela não mais dependeria do homem se dispor a usar a camisinha masculina, sua utilização é extremamente limitada pelo seu preço e, de certa forma, pelo seu formato e aparência. Em uma farmácia próxima à escola, uma camisinha feminina custava seis reais (R$ 6,00), enquanto a masculina, oitenta centavos (R$ 0,80). O tamanho e o formato da camisinha feminina causavam reação de espanto e risadas por parte de alunas e alunos que, também durante as entrevistas, comentaram nunca a terem visto antes. Diziam que parecia um coador de café e mostravam dificuldades em compreender como ela seria introduzida no corpo. Semelhantemente, o DIU e o diafragma também lhes eram abjetos.

Por outro lado, cabe observar que esse discurso escolar é absolutamente distinto do
que divulgam atualmente os médicos ginecologistas e os laboratórios farmacêuticos.
Ressaltam justamente o contrário: os efeitos benéficos das pílulas que não resultariam em ganho de peso, mas ajudariam a regular o ciclo menstrual, trariam melhorias na pele e no cabelo, preveniriam alguns tipos de câncer, entre outros.

Além disso, o uso diário da pílula oral pressupõe, mesmo que indiretamente, uma
relação estável ou, no mínimo, uma vida sexual com uma certa periodicidade. Parece não fazer muito sentido ingerir doses diárias de hormônios, temendo o ganho de peso, entre possíveis outros efeitos colaterais, e ter relações sexuais esporádicas.

Fundamentada nesse saber “científico”, a escola busca regular as experiências sexuais de seus estudantes através de instruções e práticas úteis e não pelo rigor de proibições. Com o intuito de colaborar na administração da vida sexual adolescente, ela se propõe a esclarecer e oferecer opções de auto-cuidado, mostrando não apenas os riscos de uma relação sexual desprotegida, mas também como se proteger, como utilizar um preservativo ou algum outro método anticoncepcional.

Aliado ao esclarecimento, e através dele, as intervenções escolares buscam
desenvolver um sentido de “responsabilidade” em torno das relações sexuais,
buscando mudar ou adequar os dispositivos que estruturam os comportamentos
preventivos. Para isso, além de recomendar o uso do preservativo para uma
prática de sexo seguro, acaba-se aconselhando um determinado modelo de
relacionamento no qual a relação sexual deva ocorrer. O preservativo não é
pensado e aconselhado para múltiplas formas de relação sexual entre adolescentes,
independentemente da sua durabilidade, orientação sexual, entre outros. Além
disso, o modo de focá-lo pressupõe uma racionalização e previsibilidade das
relações que, na prática, parece nem sempre ocorrer.
Esse modo de focar a
questão pode estar limitando os efeitos que essa ação educativa pretende atingir.
Atenção particular deve ser dada às relações homossexuais, as quais são
praticamente ignoradas nessas ações educativas.

 

Derivas da Masculinidade

A diversidade de representações com relação à masculinidade não pode ser percebida como um conjunto de estilos de vida, igualmente valorizados, e dos quais o indivíduo faz a escolha como se fossem mercadorias na prateleira de um supermercado.

Caracterizar- e mesmo definir- o que se entende por masculinidade não é tarefa que experimente unanimidade. Connel (1997) agrupa as definições existentes de masculinidade em quatro conjuntos.
O primeiro deles diz respeito àquelas definições que estabelecem um atributo, tido como essencial, e a partir daí fazem derivar toda uma tipologia, havendo aqueles situados mais próximos e outros mais distantes do referido atributo. No caso da masculinidade, um atributo que se presta excepcionalmente para isso é o da atividade, tomada muitas vezes como força, e daí derivando força física, capacidade de decisão, força moral, responsabilidade para assumir grandes empreendimentos, coragem, ser ativo na relação sexual, etc.
Um segundo conjunto de definições, estas de caráter positivista, enfatiza que a masculinidade é aquilo que os homens "realmente são". Para saber o que os homens "realmente são", necessita-se de uma pesquisa "isenta" e "científica", que nos permitiria montar um panorama completo- e em geral tomado como definitivo- da masculinidade. Montado este panorama científico, neutro, eterno e isento de influências pessoais, estaríamos em condições de estabelcer tipologias, ou escalas verificando em que ponto se localiza cada homem em relação à masculinidade que possui. Teremos então aqueles que são mais próximos daquilo que os homens "realmente são", e aqueles mais distantes. Pela própria configuração do modo como estas tipologias se montam, elas tendem a tranformar em patologias as posições afastadas da norma, e propor então tratamentos para "corrigir" estes afastamentos, vistos como desvios.
Num terceiro grupo, teríamos aquelas definições que enfatizam a normatividade, pois lidam com a noção de modelo, que nos indica como os homens "deveriam ser". A conhecida teoria dos papéis sexuais e dos papéis de gênero opera nessa lógica, estabelecendo, em geral a partir da análise de produtor da comuniação, como os filmes e a própria vida dos atores mais famosos, um conjunto de características que definiriam o papel masculino seja ele objeto de crítica ou e aplauso. No caso dos estudos da masculinidade, e em especial dos movimentos sociais dos homens, a aceitação das teorias normativas, em particulr os conceitos de papéis sexuais e de gênero, produziu um tipo de análise que terminou por transformar o homem em vítima da tirania dos papéis.

Em geral, os indivíduos buscam a explicação dos males que lhes afligem por gostarem de homens e mulheres no conflito entre o que realmente gostariam de ser e o papel que a sociedade deles espera. Ficam completamente desconsideradas as atitudes e modos de vida que contribuem ativamente para a manutenção dos referidos papéis, e que por vezes constituem a tônica na vida cotidiana dos mesmos homens que se colocam como vítimas da ação dos papéis. Esta situação, que pode ser resumida na frase "eu sofro porque quero ser uma coisa e a sociedade quer que eu seja outra", mantém-se em boa medida pela rígida separação entre moral pública e moral privada, pela exigência de sigilo e discrição, que estão valorizadas em muitas das cartas enviadas...
A separação entre a vida pessoal e a vida social, levada nestas cartas ao extremo, inviabiliza qualquer possibilidade de que o sujeito sinta-se contribuindo para modificar aquela situação por ele mesmo nomeada como opressora, equivocada ou atrasada.

Retomando a classificação de Connel dos vários modos de definir a masculinidade, o quarto agrupamento concentra as definições que ancoram a masculinidade num sistema simbólico, que opera produzindo as diferenciações entre os lugares do masculino e do feminino. Os elementos do discurso, seguindo a fórmula da linguistica estrutural, são definidos pelas diferenças que guardam entre si, o que nos permite afirmar que o masculino é definido em geral como o não feminino.

Qualquer definição só pode ser entendida dentro de um sistema de relações.
No caso da masculinidade, está só pode ser definida no interior das relações de gênero e de sexualidade, e não será nunca uma definição cristalizada, pois fruto de tensões, disputas e interesses próprios da cultura, e tem seu existência marcada por essas disputas de significado.

Diferentes masculinidades se produzem o mesmo espaço social, seja este espaço a família, a região de moradia, o grupo cultural ou étnico, o grupo racial, o pertencimento religiosos, a classe econômica, etc.
Desta forma, a trajetória de construção da masculinidade de cada hom se faz com o modelo de masculinidade hegemônica sempre presente e reforçado, seja pela mídia, pela escola, pela igreja, etc., mas ao mesmo tempo com uma pluralidae de outros modos de viver a masculinidade presentes em seu cotidiano, representados pelos tipos particulares e originais que cada homem encontra ao produzir sua própria trajetória masculina na vida do dia a dia. Estes modos particulars podem gozar de maior ou menor prestígio, a depender de um complexo jogo de fatores.
O modo de viver masculino que desfruta da maior concentração de privilégios, num dado sistema de relações de gênero, será considerado como a forma de masculinidade hegemônica.
A manutenção da masculinidade hegemônica não pode ser pensada como elaboração orquestrada e consciente de um grupo de homens nela interessados. Trata-se antes de uma complexa trama de situações e condições que a favorecem mais ou menos, dependendo das circunstâncias.

O medo de ser afeminado parece ser maior do que o medo de se relacionar sexualmente com outro homem, pois se essa relação for interpretada como uma relação entre machos, poderá ser vista então como algo muito viril, uma relação entre iguais. Atribuir a um homem o adjetivo de macho, no senso comum, significa referendar algo que seria natural e institintivo, produto da biologia, inscrito no seu corpo, um comportamento que decorreria de forma natural pelo fato do homem ter o pênis.

Uma atitude sempre bem marcada por parte da maioria dos informantes homens bissexuais é a crítica à homossexualidade masculina, entendida como característica de bichas loucas, afeminados, homens fracos, pré-travestis, etc. Considerando-se serem a bissexualidade e a homossexualidade modos de vivenciar o masculino excluídos do modelo da masculinidade hegemônica, chama a atenção essa violência verbal contra os homossexuais.

Narcisismo das pequenas diferenças: ora, se a identidade cultural diz respeito à produçao de diferenças, então há que se preocupar justamente com aqueles que são mais parecidos conosco, e que mais ameaçam trazer confusão para a definição de nossa identidade.

Boa parte da política de identidade de afirmação da masculiniade bissexuais é elaborada com grande ênfase na negação de que ela seja "outra coisa" ("não somos homossexuais, não somos mulheres, não somos afeminados"), e com menor ênfase na proposição de modos de vida próprios. Desta forma, essa política de identidade revela sua debilidade, pois que se caracteriza por ser uma identidade de resistência.

Nos relatos e histórias que compõem parte das fontes utilizadas para essa pesquisa verificaram-se numerosas situações de diferencial de poder entre os participantes, conforme sejam eles, por exemplo: homens mais velhos e homens mais jovens; homens casados e homens não casados; homens brancos e homens negros; homens que se dispõem a pagar pela relação sexual e homens que se dispõem a receber algum dinheiro para fazer sexo; homens que se apresentam como virgens em relações com homens, e outros que se anunciam como tendo experiência na relação com outros homens; homens que viajam pelo país e se dispõem a conhecer parceiros em cidades distintas da sua, e homens que se dipõem a receber em sua cidade por alguns dias outro homem; homens que se dispõem a servir de fêmea a outro homem, e homens que querem desempenhar o papel de machos na relação com outro homens; homens gordos e homens magros; homens peludos e homens lisos; homens fortes e homens fracos; homens querendo apenas sexo e outros querendo um companheiro estável; homens ativos e homens passivos; homens carecas e homens com cabelo; homens do campo e homens da cidade; homens casados em que a esposa pode participar da relação e homens casados em que a esposa não pode saber; etc.

As identidades qu se constroem a partir desa diversidade são todas não fixas, em relações marcadas pela transitoriedade e pelo diferencial de exercício do poder, e um indivíduo pode sempre ser pensado como tendo mais de um atributo, e ser interpelado na relação em algns dos binômios acima, e não exclusivamente num único deles.

As identidade são, enfim, posições de sujeito.

São com certeza poucos homens que detém o conjunto completo de atributos prescritos para a masculinidade hegemônica, e talvez se possa dizer que são mesmo poucos aqueles que conseguem reunir uma quantidade razoável daqueles atributos. Desta forma, muitos homens mantém alguma forma de conexão com o modelo hegemônico que não cumprem na totalidade. Ênfase em casar, ter filhos, ser um bom pai provedor, ser um homen viril e musculoso, dentre outos atributos possíveis.

Não se trata aqui de imaginar uma postura individual maquiavélica, fruto de um planejamento consciente do tipo "vou casar com uma mulher para evitar que pensem que sou homossexual". Trata-se de ler o conjunto de ações que o indivíduo realiza, fruto de negociações momento a momento, e que o levam a busca uma situação em que não se sinta estigmatizado ou discriminado.
Desfrutar dos privilégios da masculinidade hegemônica pode ser vivido muito mais como uma situação de conforto e alívio de tensões, mesmo que momentânea, do que propriamente como uma conquista a partir de um planejamento estratégico.
Evitar a possível dor, ou, conforme o conceito de estigma de Goffman, evitar passar da situaçao e indivíduo desacreditável para aquela de indivíduo desacreditado, pode envolver manobras que preservem o anonimato, mas garantam o alívio de tensão, mesmo que elas impliquem em perder a possibilidade de desfrute do prazer.

É a masculinidade hegemônica que aparece como correta, normal e plena de êxito, e esta situação é reforçada por um conjunto de privilégios que, de forma ostensiva ou menos explícita, mantém os indivíduos que a ela aderem com melhores chances de sucesso na vida.
Embora qualquer listagem dos atributos- ou características- da masculinidade hegemônica esteja sujeita a fortes discussões, uma vez que sua variação história e cultural e seus diferentes modos de percepção não permitem uma unanimidade, acredito ser possível reconhecer um conjunto de traços, ou uma concentração de aspectos, que assinala a forma hegemônica da masculinidade para o tema que estamos tratando: uso da violência em diversas circunstânas da vida, incluída aí a vida sexual; vivência de agrupamentos masculinos (como no futebol, na pescaria, no exército, etc.); a tendência a dominar suprando aquela a conciliação; o uso de piadas sexistas, com depreciativo para mulheres e homens afeminados; o comportamento guerreiro e a valorização de guerras como modos de resolver contendas; a crença no patriarcado; o exerício do papel de provedor; o reconhecimento dos ritos de passagem da vida sexual, que podem incluir iniciação sexual com prostitutas; a extrema valorização da conquista sexual; a valorização do corpo musculoso e forte; a valorização do corpo sem exageros de expressão (sem lágrimas nem grandes expansões de afeto); os comportamentos homofóbico e misógino quase como inerentes à masculinidade heterossexual; a valorização da pornografia e da sacanagem; a geração de filhos e o exercício em geral pouco dedicado da paternidade; a noção de chefe de família; o gosto pela vida pública e pela atividade política e especialmente político partidária. A listagem com certeza não é exaustiva, mas ajuda a dar forma ao que pode ser entendido como masculinidade hegemônica no cotidiano.
(p. 141)

Os papéis de provedor, de profissional bem sucedo, de trabalhador dedicado, de líder empresarial e tantos outros este diapasão são reveladores de uma masculinidade assertiva, competitiva e plena.
A eventual falta de masculinidade que pode existir num homem que vez por outra mantém relações sexuis com outros homens parece ficar diminuída ou "compensada" com o êxito profissional.

Masculinidade e feminilidade não são sobreponíveis, respectivamente, a homens e mulheres: são metáforas de poder e de capacidade de ação.

Fernando Seffner (2003)
Derivas da Masculinidade- Representação, Identidade e Diferença no Âmbito d
da Masculinidade Bissexual

 

Gênero, Sexualidade, Estigma e Normalidade

Segundo Foucault (1985, 1990), precisamos todos de um verdadeiro sexo, de um sexo definido, esta é uma informação importante sobre nós. Esta foi e tem sido a regra nas sociedades ocidentais. Neste terreno a ambiguidade, a incerteza, a indefinição, podem trazer muitas complicações para a pessoa.

(...) Saber do gênero e da sexualidade do indivído pode nos fazer rever todo o conhecimento que temos das outras dimensões de sua identidade.
Na sociedade ocidental, gênero e sexualidade se ligam de maneira chave com o conceito de identidade, e por vezes é a partir da identidade sexual que todas as demais construções identitárias do sujeito se ordenam.
As questões de gênero estão vinculadas àqueles comportamentos, atitudes e modos de ser que definimos como sendo masculinos ou femininos. Tal como define Joan Scott:
(1) o gênero é um elemento constitutivo das relaçõs sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos.
(2) o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder.

De forma resumida, convém ressaltar que gênero diz respeito à produção da diferenciação social entre homens e mulheres. Esta diferenciação é social, cultural e histórica.

Foucault quebrou com a idéia de que havia uma sexualidade natural, tentanto se expressar, sufocada pela opressão da sociedade, e mostrou que a situação é muito mais complexa: a sociedade literalmente produz a sexualidade.

A sexualidade diz respeito ao modo como os indivíduos organizam e valorizam as questões relacionadas à satisfação do desejo e do prazer sexuais.
A identidade de gênero refere-se à identificação do indivíduo com aqueles atributos que culturalmente definem o masculino e o feminino, num dado contexto social e histórico, revelando-se na expressão de modos de ser, de gestos, de jeitos de vestir, de atitudes, de hábitos corporais, de posturas para andar, sentar, movimentar-se, de tonalidade de voz, de seleção de objetos e adornos, etc.

Britzman diz que não se trata apenas de se indagar sobre o que é o outro, mas que ao tratar das diferenças, cada um coloca em dúvida um conjunto de "certezas" sobre o qual estrutura sua identidade sexual.

Ainda que gênero e sexualidade se constituam em dimensões extremamente articuladas, parece necessário distingui-las aqui.
Estudiosas e estudiosos feministas têm empregado o coneito de gênero para se referir ao caráter fundamentalmente social das distinções baseadas no sexo; assim sendo, as identidades de gênero remetem-nos às várias formas de viver a masculinidade ou a feminilidade.
Por outro lado, o conceito de sexualidade é utilizado, nesse contexto, para se referir às formas como os sujeitos vivem seus prazeres e desejos sexuais; nesse sentido, as identidades sexuais estariam relacionadas aos diversos arranjos e parcerias que os sujeitos inventam e põem em prática para realizar seus jogos sexuais. (LOURO, 2000, p. 63-64)

Temos a manifestação de que pode ter havido algum "desvio de rota" na construção da masculinidade, e, portanto a terapia serve de instrumento para correção. A idéia de que a terapia possa ser um instrumento para que o indivíduo se reinvente como pessoa está colocada para poucos informantes. Na maioria das vezes, a terapia é vista como uma modalidade científica de buscar e confirmar um eu interior que serviria se solução para os problemas que o indivíduo está enfrentando na construção da masculinidade.

Qualquer coisa pode ser associada à sexualidade, e é no terreno da cultura que isso se decide. Se em nossa sociedade a maçã e o pepino podem ser associados ao sexo, ao contrário da batata e da tangerina, isso acontece pela e na cultura, e não por uma propriedade intrínseca qu estas frutas possuam.
Resta saber como as crenças se tornam plausíveis, como elas "colam",
fazendo com que vivenciemos a luz vermelha como um convite ao sexo, por exemplo.

Nessa visao, o indivíduo é percebido como tendo capacidade de agência na construção de sua identidade, o que não implica deixar de perceber os constrangimentos que a todo momento afetam seu poder de agência.

O conceito de agênca não deve ser confundido com livre arbítrio, não se trata de imaginar o indivíduo fazendo uma livre escolha entre diferentes estilos de vida. É na tensão entre a agência e as representações socialmente construídas que cada indivíduo vai fabricando sua identidade, entre limites e possibilidades, negociações e imposições.

Em qualquer parte do mundo e em todas as populações há machos e fêmeas, e isso parece estabelecer uma "invariabilidade" entre os seres humanos. Entretanto, é a cultura que cria homens e mulheres, e as maneiras de viver o masculino e o feminino são radicalmente diferentes de lugar a lugar, de tempo a tempo.

A sexualidade pode ser vista como uma atividade lúdica, inventada e reinventada todos os dias, com diferentes nomes e possibilidades.
A competência para nomear como correta uma determinada modalidade de vida sexual, empurrando as variações para o campo do patológico, é um exercício de poder que está atualmente bastante concentrado nas mãos da medicina, da psiquiatria, da psicologia e dos agentes da moral.

Em geral, a diferença é nomeada a partir de um lugar tido como referencial, como norma, que está sempre presente embora, paradoxalmente, do qual quase não se fala.
A sociedade estabelece como normal a sexualiade reprodutiva, que decorre da aproximação dos contrários ditos "complementares", homem e mulher, e esta posição em geral não é problematizada.
A sociedade se representa a si própria como efetivamente heerssexual, e reserva a esta orientação a maioria dos privilégios.

Entretanto, pode-se indagar: a heterossexualidade é tida como normal porque é majoritária, ou, visto por outro ângulo, a heterossexualidade é majoritária porque é considerada normal?

Segundo Foucault, a eleição da heterossexalidade como norma é uma decorrência de políticas de controle das populações e de regulação da reprodução, num processo que ocorre com intensidade a partir do século XVIII.

A expressão minoria não designa agrupamento minoritário em termos numéricos, mas em termos de significação na representação social, e implica a noção de que tems hieraquias definidas no campo do sexual.
De toda forma, para o período em que vivemos, e lembrando Foucault, falar e preocupar-se com a sexliade é um imperativo da construção identitária.

Uma terceira ênfase diz respeito à identidade sexual como escolha. Aqui nos movemos num terreno marcado, por um lado, pelo conceito de agência, e por outro, pela idéia de que "muitas pessoas são 'empurradas' para a identidade, derrotadas pela contingência, ao invés de guiadas pela vontade"

O estigma pode ser definido como "um traço que pode-se impor à atenção e afastar aqueles quele encontra, destruindo a possibilidade de atenção para outros atributos seus".
O drama do indivído desacreditável é efetuar o controle sobre os comentários de colegas, a visibilidade das relações com homens, os delizes na conversa, as abordagens que podem não sair de acordo com o planejado, a garantia do segredo do outro e mil outras pequenas manobras.
mesmo quando alguém pode manter em segredo um estigma, ele descobrirá que as relações íntimas com outras pessoas, ratificadas em nossa sociedade pela confissão mútua de defeitos invisíveis, levá-lo-ão ou a admitir a sua situação perante a pessoa íntimia, ou a se sentir culpado por não fazê-lo. (GOFFMAN, 1982, p. 85).

"coisas de homem" e "coisas de mulher" aparecem impressas em situações muito alheias ao sexal propriamente dito.

Que identdades são, afinal, marcadas? Aquelas que são diferentes- é a resposta imediata. Mas diferentes em quê? Ou melhor, diferentes... de quem? (LOURO, 2000, p. 67).

Uma identidade sexual marcada é aquela que se vai diferenciando a ponto de "fugir" da norma. A norma é, paradoxalmente, aquilo que esta sempre presente, mas pouas vezes enunciado claramente. Não é possível verificar, com facilidade, a que ponto a diferença- ou o desvio- chegou, pois tanto a norma como a diferença são frutos de uma permanente tensão de poderes, se constroem numa luta política que acontece basicamente na esfera da cultura e das representações.

De toda forma, a visibilidade da diferença é infinitamente superior a da norma. Mídia eletrônica, pesquisas acadêmicas, conversas de bar, legislação civil e de costumes, religiões e muitos outros meios e lugares problematizam continuamente a diferença, para o bem ou para o mal, construindo-a, classificando-a, localizando-a.

"a norma não precisa dizer de si, ela é a identidade suposta, presumida: e isso a torna, de algum modo, praticamente invisível" (LOURO, 2000, p. 68)

Fernando Seffner (2003)
Derivas da Masculinidade- Representação, Identidade e Diferença no Âmbito d
da Masculinidade Bissexual

 

TENTANDO SER HOMEM NA VIRADA DO SÉCULO

As mulheres acreditam que os homens são mais solidários, sentem-se traídas por suas amigas e acreditam que existe um maior entrosamento entre os homens. Isto é pura fantasia, eles não conseguem ser autênticos, não mostram o que realmente sentem e passam a desempenhar papéis que socialmente são aceitos, em busca de reconhecimento e estabilidade. Muitos têm medo de perder esta imagem, acomodando-se muitas vezes em uma grande empresa, com benefícios, planos de saúde, segurança, na busca de um útero que os mantenha protegidos. Esquecem que nada é definitivo e permanente, a vida é dinâmica e o que é seguro hoje, amanhã pode deixar de ser.

Homens autoritários, infantis, pouco solidários e fugidios, com grande dificuldade em viver seus afetos, seu romantismo; é o que se vê e a maioria das mulheres tem reclamado de seus relacionamentos, mantendo uma tensão constante que muitas vezes confunde-se com tesão em uma relação difícil, onde a mulher busca incessantemente um comprometimento afetivo e o homem foge desesperadamente com medo de ser preso.

Preservam a todo custo a fantasia de ser o grande Dom Juan, que estará conquistando todas as mulheres possíveis e imagináveis, mas não se comprometem com nenhuma delas, muito menos consigo mesmo, pois passam a viver em busca de conhecimento das necessidades destas mulheres, para conquista-las e satisfaze-las temporariamente, não se preocupando em satisfazer as necessidades mais profundas. Vivem relações superficiais consigo mesmos, não entrando em contato com emoções mais intensas e profundas, racionalizam tudo. Mantém os estereótipos de bom de briga, bom de bola, devoradores de mulheres - objeto, vão para o trabalho em busca de sucesso, " poder " e ganhar muito dinheiro, são homens que vivem neste universo infantil e entendem o mundo assim, machistas inveterados ou enrustidos. Como grandes caçadores, desfilam com suas mulheres - troféus para segurança de seus frágeis egos.

Urna grande mudança se faz necessária, política e socialmente, já que sofremos influencias fortes de povos latinos que tendem, em seus núcleos familiares, a infantilizar sempre seus membros mantendo através de chantagens emocionais, uma dependência que impede o crescimento e favorece a acomodação. As leis protegem ainda hoje os homens e seus salários são sempre maiores para manter a posição de provedores. Estas famílias e seus conceitos morais, desenvolvem homens que estruturam-se em bases autoritárias, grandes censores e moralistas, fugindo do que é mais sensível, sublime e afetivo entre as pessoas. Vivem o certo e o errado, não se permitem relaxar e viver o leve, o solto e sem tensão. Transam tudo e todas como uma forma de descarregar suas ansiedades e angústias, imaturo fogem do medo de serem aprisionados ou comidos pelas mulheres com quem se relacionam.

 

Sucesso é a saga de suas vidas, para serem admirados e desejados a qualquer custo, idealizam vivem a fantasia dos poderosos, o grandioso pênis invejado por todos.

Lesados pelo condicionamento cultural a que foram submetidos, os homens não questionam o que lhes foi roubado:

"a possibilidade de expressar seu lado afetivo", dificultando os relacionamentos Homem - Mulher , pois criou-se um grande vazio, um buraco nas relações afetivas, que mantém urna insatisfação constante , declarada por todas as mulheres que vivem com estes homens; quando elas se cansam e vão embora estes homens não sabem lidar com a perda, fragilizados passam a ficar descontrolados, bebem, se drogam , alienam-se ou passam a ficar violentos. O fracasso, a perda... não suportam tamanha fragilidade.

No coração, simbolicamente esta o afeto. Como os homens enfartam! A vontade de mudar é evidente em muitos homens mas enquanto não houver consciência, a mudança fica difícil de ser alcançada. Não se questionando, não podem conhecer-se entendendo suas reais necessidades, representando apenas o que lhe foi Imposto desde a infância. Queixam-se de dores, fumam, bebem. Com suas vidas limitadas, embasadas apenas na tecnologia, vivem muita tensão e sentem estar jogando a vida fora.

As mulheres atualmente passam a assustar estes homens. São inteligentes, desafiam, questionam, põem em dúvida as verdades que os mantém seguros. Eles se mostram de inicio gentis mas fogem depois da primeira relação sexual. Elas passam a ter a vantagem de viver afetivamente e agora desenvolverem suas capacidades intelectuais e profissionais, abalando a estrutura machista.

Apesar destas mudanças , o homem ainda acredita encontrar a mulher ideal, que irá realiza-lo plenamente e ainda substituir o papel de sua mãe. Por outro lado nos desejos e sonhos mais ocultos, mulheres sonham com o homem ideal para formar um casal e ter filhos. 0 homem acaba casando-se mecanicamente, após ter terminado a faculdade e já estar namorando mais de 4 anos. As mulheres esperam amor e mais cumplicidade e o desencontro se inicia. Ele liga o " automático " e passa a viver intensamente o seu trabalho, tudo e todos são mais importantes que sua própria vida e sua relação afetiva. Pensando sempre e só no futuro, patrimônio e viagens, vai comprometendo seu presente, adiando seu prazer, destruindo seu relacionamento e qualidade de vida.

Thony ( 56 anos ) começou seu processo psicoterápico com a queixa de que precisava melhorar sua vida, já havia se realizado em vários momentos de sua vida, mas sentia que faltavam resolver tantas outras...

Formou-se na Faculdade que seu pai havia se formado e já estava com o casamento marcado com sua noiva, com a qual começou a namorar aos 17 anos, logo teve seus filhos (3), que já estão todos encaminhados e casados atualmente.

Sua carreira profissional foi um grande sucesso e passou a ocupar posições de destaque em grandes instituições sendo reconhecido internacionalmente. Conheceu muitos países pelo mundo a fora em função de seu trabalho, mas sempre viajou só. Sua casa é ótima, mas tem o estilo de sua mulher com quem já está a 40 anos casado e não mantém uma relação satisfatória , o que o fez procurar uma amante que já mantém a 20 anos. Calcula ter trabalhado em media 12 horas diárias nestes anos de profissão, sua mulher reclamava e ele acabava sentindo-se melhor em companhia da amante. Questionava demais seu casamento, muito imaturo, hoje não faria a mesma escolha e não se casaria tão cedo. A amante era bom para poucos momentos. Sentia necessidade de viver novas situações. Sua mãe, no período em que trabalhávamos suas dificuldades em exteriorizar suas emoções , veio a falecer. Muitos medos emergiram.

Quando parou seu processo psicoterápico , após alguns anos, havia rompido seu casamento e sua relação com a amante. Estava morando em um apartamento que decorou com muito entusiasmo. Com total apoio dos filhos estava programando urna viagem pelo mundo, por 6 meses com sua atual companheira.

Modelo de uma geração, Thony desenvolveu-se profissionalmente e não compartilhava os momentos do casal e em família , abrindo um " buraco " no relacionamento que acabou sendo preenchido por uma amante. Quando parou para rever-se, suas emoções mais profundas revelavam insatisfações, perdas e tristezas.

Precisamos de urna democracia individual e existencial para o nascimento do novo homem , rediscutindo a família e o trabalho, para que ele possa ser mais solidário, mais companheiro, mais afetivo, mais cúmplice, mais intimo. Precisamos de uma estratégia pacifista, para que ele possa parar e sentir o que carrega no peito. As mulheres podem ajudar, já que são responsáveis pelo desenvolvimento da infância destes machos, e pôr terem mais " jogo de cintura " existencial.

Jacob Levy Moreno fala que a saúde emocional se mede pelo nível de espontaneidade e criatividade nas relações que um indivíduo estabelece consigo mesmo, com os outros e com o mundo em que vive. "Conservas culturais" ou comportamentos padrões acabam com a saúde, desenvolvendo comportamentos inadequados, neuróticos, muitas vezes agressivos. Freud diz que o homem é agressivo por natureza, mas a cultura contribuiu para isso. Repensando o " complexo de Edipo " as dificuldades começam nas relações sociais mais primarias. Mães controladoras, fazem com que seu filhos se desenvolvam utilizando sua potência para agrada-las, o que posteriormente irá dificultar o uso desta potência para libertar-se e viver a própria vida. As relações possessivas e as expectativas depositadas inconscientemente e muitas vezes declaradamente , como formas de amor, traçam o destino de como irão se estabelecer suas relações pelo resto de sua vida.

Amor não e posse, é Liberdade.

É conseguir aceitar o outro como ele é.

Rever as obrigações estabelecidas socialmente para as relações Homem Mulher , poderá facilitar a busca da relações amorosa, com o respeito pelos limites individuais e da relação , com liberdade de ir e vir. Como o pássaro que vem em sua janela cantar ao bel-prazer e pode ir e voltar quando quiser sem sentir-se ameaçado em seu potencial de vida e Liberdade. Substituirá a gaiola que aprisiona em nome dos cuidados diários e que mantém uma dependência constante de quem foi preso e de quem prendeu e não poderá sair em tranqüilidade pois em guarda não pode abandonar seu papel. Após algum tempo , ambos estarão tão inseguros, que a gaiola pode ser aberta que o medo de voar e ser atacado por outros pássaros ou de não conseguir mais buscar seus alimentos será tão grande que voltará para dentro da gaiola. Por outro lado, a rotina pobre de cuidar da gaiola e alimentar seu dependente vai afastando-o de uma vida mais dinâmica, deixando-o inseguro para estabelecer novos relacionamentos.

É preciso romper modelos tradicionais que não mais funcionam e experimentar novas possibilidades de relacionar-se com o mundo e à dois.

Psicólogo Eduardo Robillard de Marigny
Psicodramatista - Acupunturista e Técnicas Orientais

 

MASCULINO, FEMININO, PODER E TRANSCENDÊNCIA

Uma época de grandes transformações como a nossa é também propícia a grandes confusões. Essas confusões ocorrem em todas as áreas da realidade humana. Sem dúvida isso acontece também em relação à sexualidade. Diante desse fato torna-se importante levantarmos questões básicas, como as que buscam as raízes naturais da sexualidade: O que é sexualidade? O que é masculino? O que é feminino? Existem diferenças naturais? As diferenças decorrem apenas de influências sociais? Discute-se muito o abuso do poder na obtenção do prazer sexual. Mas qual e como é o poder da própria sexualidade? A sexualidade, ao mesmo tempo que é algo carnal, muito concreto, inspira por outro lado os sentimentos e as ações mais sublimes. Como isso pode ser entendido?

Sem a preocupação de respondê-las, mas buscando apenas objetivar melhor essas questões, vamos inicialmente explicitar os conceitos de sexualidade e de genitalidade.

A sexualidade na espécie humana se constitui do conjunto de fenômenos bio-psico-sócio-espirituais decorrentes do fato dessa espécie ser constituída de indivíduos machos e fêmeas, aos quais estão atribuídos um papel determinado na geração de novos indivíduos e que lhes confere certas características distintas. Esse conjunto de fenômenos está relacionado à preservação da espécie, pertencendo portanto a um nível diferente do conjunto dos fenômenos que estão em função da preservação do indivíduo.

A genitalidade é a qualidade ou a propriedade, geneticamente determinadas, que cada indivíduo possui em relação à capacidade, potencial ou efetiva, de geração, determinando também uma série de características anatomo-fisiológicas específicas. Na espécie humana, cada indivíduo tem, naturalmente, uma genitalidade específica, masculina ou feminina.

A genitalidade é a parte central da sexualidade. A sexualidade é o total. A genitalidade é a figura que se destaca do fundo. Embora a sexualidade se expresse de muitas maneiras, é através da genitalidade que ela se expressa de forma mais evidente.

Para entender melhor a sexualidade e genitalidade a partir do referencial psicodramático conceituo o Papel de Acasalador ou Papel Genital.

Considero-o como um papel Sociossomático ou Socio-fisiológico pois, ao corresponder a uma função social trata-se de um papel social, porém, diferentemente dos demais papéis sociais, desenvolve-se ligado a uma função fisiológica: a função fisiológica genital. Esse papel surge juntamente com os primeiros papeis sociais, ou seja, inicia seu desenvolvimento em torno dos dois anos de idade. Da mesma forma que os outros papéis sociais, leva consigo a estrutura do Núcleo do Eu. Evidentemente haverá o Papel de Acasalador Masculino e o Papel de Acasalador Feminino. É principalmente através deles que se evidenciará a identificação sexual.

No adulto esses papéis se apresentarão sob formas sociais diversas: marido/esposa; namorado/namorada; flertador/flertadora; amásio/amásia; solteiro/solteira; celibatário/celibatária etc.

A cada um dos Papéis Masculino e Feminino corresponderão os Modelos de Acasalador Masculino e Feminino, que serão constituídos do Papel, com sua estrutura nuclear, e das marcas mnêmicas de todas as vivências que ocorrerem durante seu desenvolvimento nos demais papéis sociais.

É através do Papel de Acasalador que e instala e se elabora o Complexo de Édipo. O Papel de Acasalador participa portanto do Processo de Triangulação Social, mas não com exclusividade, como nos faz crer Freud.

 


MASCULINO/FEMININO

O Modelo de Acasalador Masculino tem por base referencial os processos de conquista.

Conquistar tem o sentido de submeter, vencer, subjugar; alcançar. adquirir, ganhar; adquirir à força do trabalho.

Com conotação familiar tem o sentido de obter o amor (de alguém).

A ação fundamental masculina é sair, ir longe, ir fundo em busca da mulher.

A música "Moto Contínuo"de Edu Lobo e Chico Buarque descreve com muita propriedade aspectos da ação masculina de conquista:

"Um homem pode ir ao fundo do fundo
Se for por você.
Um homem pode tapar os buracos do mundo
Se for por você.
Pode inventar qualquer mundo, como um vagabundo
Se for por você

Basta sonhar com você
Juntar o suco dos sonhos e encher um açude
Se for por você
A fonte da juventude correndo nas bicas
Se for por você
Homem também pode amar e abraçar e afagar seu ofício porque
Vai habitar o edifício que faz pr'a você
Homem constrói sete usinas usando a energia
Que vem de você
Homem conduz a alegria que sai das turbinas
De volta a você
E cria o moto-contínuo da noite pro dia
Se for por você
E quando um homem já está de partida, da curva da vida ele vê
Que seu caminho não foi um caminho sozinho porque
Sabe que um homem vai fundo e vai fundo e vai fundo
Se for por você"

 

Por outro lado, o Modelo Acasalador Feminino tem por base referencial os processos da sedução.

Seduzir, na sua origem latina, seducere, tem significado de "levar para o lado", "conduzir para o lado". Significa inclinar de forma artificiosa para o mal ou para o erro; desencaminhar, enganar ardilosamente

O samba de Dorival Caymmi, "A vizinha do lado" descreve com muita graça esse significado da ação sedutora:


"A vizinha quando passa
Com seu vestido grená
Todo mundo diz que é boa
Mas como a vizinha não há
Ela mexe co'as cadeiras prá cá.
Ela mexe co'as cadeiras prá lá.
Ele mexe com o juízo
Do homem que vai trabalhar".

 

Atendemos também para o simbolismo da bolsa de Pandora, da mitologia grega.

Pandora, que pode ser considerado um mito correlato ao de Eva da mitologia semítica, em virtude da curiosidade feminina abre a bolsa que os deuses do Olimpo haviam dado de presente aos homens. Dessa bolsa sairam todas as calamidades e desgraças que até hoje atormentam os homens (presente de grego...) Entretanto, no fundo da bolsa permaneceu guardada a Esperança.

A bolsa de Pandora simboliza o genital feminino. Podemos entender a Esperança que restou no fundo como sendo a capacidade do útero de gerar novos seres.

Seduzir, porém, é também atrair, encantar, fascinar, deslumbrar, como Tom Jobin e Vinícius de Moraes descreveram de forma maravilhosa em "Garota de Ipanema".


"Olha, que coisa mais linda,
Mais cheia de graça,
É ela menina,
Que vem e que passa,
Seu doce balanço,
A caminho do mar...

Moça do corpo dourado,
Do sol de Ipanema,
O seu balançado,
É mais que um poema,
É a coisa mais linda
Qu' eu já vi passar...

Ah! Se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor..."

A ação feminina fundamental não é ir em busca do homem, mas atraí-lo, pois a ação de seduzir se caracteriza por uma espera ativa.

A letra da música de Sílvio César, "Pr'a você" descreve com muita felicidade essa espera ativa:


"Pra você eu guardei,
Um amor infinito.
Pr'a você procurei
O lugar mais bonito.
Pr'a você eu sonhei
O meu sonho de paz.
Pr'a você me guardei demais."

 

O PODER

O prazer sexual, do qual o prazer genital é a figura que se destaca do fundo, exerce seu poder sobre o indivíduo tendo iniciamente por meta a ação auto-erótica.

Ao se desenvolver o hetero-erotismo, surge um jogo de poder. Nesse jogo as estratégias masculina e feminina são basicamente diferentes.

A estratégia masculina tende a ser mais direta, mais evidente. É a estratégia da conquista, onde a ação básica é a de avançar.

O poder masculino é baseado na força física, na conquista, no ir além dos limites territoriais, no sair do conhecido para o desconhecido para buscar coisas novas, inclusive outras mulheres que não são as do território onde nasceu e ao qual pertence.

Já a estratégia feminina é baseada na ordem, na solidificação da conquista territorial. Permanecendo no território, seduz, convida, atrai o homem para dentro do seu espaço.

Numa visão social mais ampla, o prazer sexual tem forte poder de transformação. Na Grécia Antiga, Eros foi um deus muito popular, pois, com seus dardos, tinha o poder de unir pessoas de classes sociais muito diferentes. Na formação social brasileira, desde os tempos mais crus do processo antropofágico até nossos dias, a miscigenação racial, que deu origem ao "país mulato", é um exemplo significativo desse poder.

 

A TRANSCENDÊNCIA

Transcendência tem origem do latim transcendentia que tem significado de "escalada (de um muro)". Tem o sentido de superar os limites da experiência possível. De ir além do sujeito para algo fora dele. Pode referir-se, também, ao conjunto de atributos do criador ressaltando a superioridade em relação à criatura.

Todo encontro humano busca a transcendência. O vínculo acasalador é, no entanto, privilegiado nessa busca.

O encontro acasalador, no qual a ação feminina é a da espera ativa e de receber o homem e a ação masculina é a de ir em busca de conquistas e por fim ser recebido pela mulher, está magnificamente descrito na música de Chico Buarque "Sem fantasia", onde se estabelece o seguinte diálogo:


A fala feminina:

"Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pr'a você
Vem, mais vem sem fantasia
Que da noite pr'o dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços

Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Veu que eu te quero todo meu

A fala masculina:

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pr'a não morrer
De tanto te esperar

Eu quero te contar

Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus."

 

Do ponto de vista biológico, o encontro acasalador tem o poder de produzir um novo ser humano. Com isso faz com que os indivíduos que se acasalam se aproximem do processo criador como em nenhuma outra situação. Esse encontro transforma o ser humano de criatura em criador.

O jogo de poder que se estabelece no encontro masculino/feminino pode terminar no orgasmo, onde ambos ganham e ambos perdem. No momento do orgasmo o ser humano perde o controle do próprio eu. O orgasmo possibilita uma vivência transcedental de si mesmo

Já vimos que o prazer sexual é um fator importante de transgressão de ordem social. O vínculo acasalador, na sua busca de transcendência, tem sempre um cero tom transgressor. É desse aspecto transgressor que surge a cumplicidade. Um vínculo acasalador que não tenha algum grau de cumplicidade é um vínculo fraco.

Consideremos agora um caminho alternativo do acasalamento: o monge e a freira, que fazem voto de castidade, socialmente são celibatários. Buscam, porém, a transcendência através de um casamento místico. Estabelecem através do Papel de Acasalador um vínculo místico com a deidade.

Para terminar, chamo a atenção para a música de Ivan Lins e Vitor Martins "Vitoriosa", que nos faz sentir um pouco da transcendência do encontro acasalador:


"Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além..."

 


José Manuel D'Alessandro
Psicoterapeuta Psicodramatista

 

Monólogo da bêbada

Uma mulher bela e elegante sai de um bar embriagada.

Caminha em direção ao seu automóvel, um BMW novíssimo, e com a chave tenta abrir a porta, mas o seu estado alcoólico não o permite.

Quando se abaixa um pouco para se aproximar da fechadura acaba por cair e ficar sentada de pernas abertas ao lado da porta.

Desesperada com a situação olha para baixo e, reparando que não tem calcinhas, começa a falar com a sua própria vagina:
"- Tu pagaste o carro... tu pagaste as jóias... tu ME dás tanto dinheiro.... tu permites que escolha o homem que eu queira... tu pagas a mansão que comprei...


E, de repente, começa a mijar-se e diz:

- Não precisas chorar que eu não estou zangada contigo !!!!"

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A dona do mundo

Um cara, andando pelas ruas de Las Vegas vê uma figura maravilhosa.
Ele inicia uma conversa amigável e acaba fazendo a grande pergunta:

- Quanto você cobra?

Ela responde:

Começa em US$ 500 por uma punheta.

Ele...US$500?!? Por uma punheta? Não pode ser... Nenhuma punheta vale tanto dinheiro!

A puta responde:

- Você está vendo aquele restaurante na esquina?

- Sim. - Ele responde.

- Você está vendo aquele outro restaurante uma quadra abaixo?

Diferença entres homens e mulheres pode estar não no cérebro, mas em um pequeno órgão na estrutura nasal de certos vertebrados

Há muitos anos cientistas têm procurado partes do cérebro cujas funções poderiam explicar as grandes diferenças entre os comportamentos masculino e feminino. Agora, um novo estudo indica que a procura talvez tenha sido feita no lugar errado, uma vez que a origem de tais diferenças pode nem mesmo estar no cérebro.

Para quem vive querendo sexo anal

 Desde o primeiro dia de casamento, Romualdo pedia à mulher para fazer sexo anal, mas ela nunca aceitava.

Certo dia, quando ele chegou mais cedo do serviço, a encontrou fazendo um sexo anal violento com o seu melhor amigo.

Não acreditando no que havia visto, saiu sem que eles percebessem e foi encher a cara no bar. Lá ele encontrou um bêbado pra quem desabafou. Contou toda a história. O bêbado escutou pacientemente e, quando o corno, quer dizer, o marido traído terminou de falar, ele respondeu:

O tenente e a jumentinha

Um tenente era novato no quartel, logo se enturmou com os soldados:

- Pois é soldado, e esse macharal todo ai, como é que você fazem, não tem mulher?

- Tenente, o esquema é o seguinte: tem uma jumentinha no fundo do quartel...

- Pode parar, eu não quero nem saber... eu não gosto dessas coisas e pronto...

- Mas tenente...

- Não, pode parar...

E se passou um dia, dois, uma semana, um mês, dois, três:

- Soldado, como era mesmo a historia da jumentinha?

Conversa de boteco

O cara entrou no bar, pediu uma bebida e começou a falar:
- Se essa CPI fosse séria...
- Moço! Conversa de política no meu bar, não. Só dá confusão!
- Tudo bem! É que o meu time...
- Moço! Futebol também não..., disse o dono.
- Tudo bem! Mas lá na Igreja que eu freqüento...
- Também não fale de religião!
- E de sexo, pode falar?
- Claro!
- Então vai tomar no cú!

 

De flerte até o casamento

FLERTE

Quando ela é toda sorriso, você cheio de nove-horas e gentilezas. Fica naquela conversa mole por mais de 10 minutos, ri de qualquer bobagem que ela fala, e quando ela anda, você crava os olhos naquele belo traseiro, imaginando... Isto é um flerte. Este relacionamento só tem vantagens.Você a chama para sair, é super legal, a noite toda é só risadas e bons
momentos. Depois do primeiro amasso, isso já vira um...

CASO

A vingança

Um cara foi ao bingo com 100 reais. Sobraram só 5, e ele tinha que voltar de táxi, naquela hora não tinha ônibus.

Foi a um ponto e perguntou: - Só tenho 5 reais e preciso ir até a PENHA. Quebra o galho?

O motorista não deu a mínima: - Não trabalho pra sustentar vagabundo...

Foi ele então gastar o resto no Bingo. Teve sorte e ganhou 1000. Voltou para o ponto. Viu o taxista mal-educado na última posição.

Chegou para o 1º da fila e falou: - Dou 200 se você me levar para casa e mais 200 se você der pra mim.

'Na confraria das sedutoras' mostra as diferentes facetas do sexo e do amor

Descalce os sapatos, abra uma garrafa de vinho, diminua a luz – ou, então, leve os fones de ouvido cidade afora - e deixe a sonoridade envolvente do 3namassa girar. A receita, preparada à base de baixo, bateria e programações, é infalível: vozes macias interpretam letras picantes compostas por homens, criando um clima sensual que remete à obra do francês Serge Gainsbourg ou aos quadrinhos eróticos de Milo Manara.


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