Lésbica

As lésbicas em São Paulo - um texto inteligente de Martha Vasconcelos e Luriana Cohen

Para muitas mulheres que transitam anonimamente pelas ruas de São Paulo, a vida pode parecer um pouco mais complicada do que a normal, vivida por tantas outras. Não apenas por serem mulheres, em histórica desvantagem em relação aos homens - aos olhos de alguns de seus colegas e chefes. Também, não por serem mães solteiras ou por terem que criar sozinhas seus filhos, trabalhando fora de casa e dentro dela. Nem por serem negras e terem que ouvir que o "Brasil não é um país racista". Nem, ainda, por sentirem na pele o a violência do machismo; ou por ainda ouvirem dizer que "lugar de mulher é na cozinha ou no tanque e não gerenciando uma empresa". A vida de muitas mulheres que transitam anonimamente pelas ruas de São Paulo pode parecer um pouco mais complicada que o normal; por tudo isso, mas, também, por "algo" a mais: muitas dessas anônimas mulheres também carregam em si o medo de serem discriminadas por amarem outras mulheres.

As lésbicas, em São Paulo, enfrentam os mesmos problemas que as de outras cidades, mas as dimensões e a diversidade cultural da capital paulistana lhes permitem um pouco mais de "liberdade" que nas cidades menores, onde o controle social é mais fácil e intenso. Por exemplo, nas horas de lazer com amigas ou namoradas, quando é possível usarem a cidade e permanecerem no anonimato. Opções não faltam. Além da já conhecida área gay dos Jardins, as lésbicas muitas vezes costumam -ou preferem- buscar novos ares, um pouco mais afastados desse centro visado por agressores intolerantes.
 

Entre as possíveis escolhas há a área da Praça Benedito Calixto, na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, conhecido ponto de encontro de homossexuais de toda a cidade. Em meio à feira de artesanatos, "barezinhos" cuja grande maioria de da clientela é formada por de gays e lésbicas, espalham suas mesas pelas calçadas.onde os grupos se reúnem para bate-papos e paquera.
 

Outra possibilidade, para o lazer e encontro é ir para o mais distante bairro do Ipiranga, onde as lésbicas são maioria absoluta na freqüência do conhecido Boteco Ouzar, na R. Bom Pastor. Ali, lésbicas de todas as idades sentem-se à vontade sendo quem são. Talvez porque as proprietárias ajudem a tornar o ambiente acolhedor. Mas não é fácil manter alguns homens embriagados longe do estabelecimento.

 

As menos "escondidas" podem, uma vez ao ano, ocupar a Av. Paulista durante a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Caminhada Lésbica e participar dos eventos culturais na Praça da República onde, a cada edição, a proporção de mulheres aumenta em relação ao todo. Há, ainda, há as que não gostam de badalação ou de grandes multidões, preferindo sair com as amigas que conhecem por meio de fãs-clubes de séries de TV, como The L Word (série lésbica norte-americana, exibida no Brasil pelo canal pago Warner Channel) ou de cantoras como Ana Carolina e outras.

 

Segundo Laura executiva de uma grande empresa, São Paulo a presenteia com muitas opções de lazer e entretenimento. A cidade a acolhe bem como mulher homossexual, mas também mostra o seu outro lado. Apesar de dizer-se completa com sua vida lésbica na capital paulistana, Laura não assume sua condição no trabalho, pois diz saber que perderia o emprego caso descobrissem. Segundo ela, "não seria demitida de imediato", e compara sua hipotética demissão por ser lésbica a um "conta-gotas".

 

Já para Juliana, funcionária de uma construtora, assumir-se homossexual para a chefia da empresa não lhe causou problemas. Ela ouviu de sua chefa imediata que o fato de ela ser lésbica não mudaria em nada o seu desempenho no trabalho. Juliana afirma não sofrer nenhum tipo de discriminação em seu local de trabalho. Mas não tem certeza de que sua sexualidade não seja alvo de comentários durante sua ausência. Essa aceitação tão plena e sem problemas no ambiente profissional não é, entretanto, uma realidade para todas as homossexuais, seja no trabalho, em casa ou na universidade.
 

Márcia, estudante de uma grande universidade paulistana, diz que nunca viveu uma situação de preconceito por parte dos heterossexuais de sua turma, mas viu isto acontecer com uma colega de curso, que foi excluída do grupo de amigos ao se assumir lésbica. Ela afirma, ainda, que nunca ouviu comentários preconceituosos de professores, mas que já presenciou um funcionário falando de forma cruel e desrespeitosa sobre "trabalhar em um lugar com homossexuais" - não exatamente nessas educadas palavras. Para Márcia, ao contrário do que pode parecer, as pessoas não estão se tornando mais tolerantes com o passar do tempo, mas, sim, mais temerosas, por saberem que podem ser presas e processadas caso discriminem uma pessoa homossexual. Ou porque "ser tolerante está na moda".
 

Os comentários intolerantes ou "jocosos" são muitos e não partem apenas de funcionários de lugares públicos ou de colegas de trabalho. Se a lésbica for "pouco feminina" ou se sua orientação sexual for "aparentemente visível" - ao menos para aqueles que ainda acham que as lésbicas têm sempre um comportamento masculinizado - as piadinhas ou expressões de desconforto podem ocorrer inclusive na rua, vindas de um dos rostos anônimos.

 

Independentemente da idade ou da ocupação, contudo, tanto Laura, como Juliana e Márcia percebem que as lésbicas se assumem mais cedo, hoje em dia; algumas até durante a adolescência. E as ruas de São Paulo dão a essas lésbicas o poder de, em algum ponto de suas vidas, transitando em meio à multidão, sustentarem sua identidade mergulhando no anonimato possibilitado pelo ritmo da metrópole, onde diariamente se cruza com pessoas que talvez nunca mais se veja. Mas isso também mostra o quanto assumir a própria identidade em seu círculo social pode ser difícil, nem todas podendo desfrutar o prazer de serem respeitadas como pessoas e profissionais, dimensões da vida humana em que ser lésbica deveria ser apenas um detalhe que não deveria importar tanto.

Notas

Martha Vasconcelos é jornalista e Luriana Cohen é engenheira. Ambas administram o grupo brasileiro de discussões sobre o seriado norte-americano The L Word, no Yahoo.Grupos

http://www.aguaforte.com/osurbanitas7/Vasconcelos&Cohen072008.html

 

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II Fortalecendo - Rio de Janeiro - de 24 a 27 de abril de 2008

O II FORTALECENDO acontecerá na Lapa, no Hotel Arcos Rio Palace, o endereço segue logo abaixo:

Contatos do hotel:
www.arcosriopalacehotel.com.br
Av. Mem de Sá, 117 - Centro - Rio de Janeiro
(21) 2242-8116

Confira AQUI o convite feito por uma das ONGS mais respeitadas do cenário feminino e LÉS - o grupo DELLAS para Maite Schneider. No nome de sua presidente Yone Lindgreen, agradeço de coração pelo generoso e honroso convite.

Confira como as meninas LÉS de Fortaleza, Recife, Campo Grande e Porto Alegre se divertem

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Roteiro GLS de Curitiba

Se você tem alguma casa ou estabelecimento GLS ou que não tenha preconceitos com esté público, envie-nos um email com seus dados completos para que coloquemos em nossa lista, para casadamaite@gmail.com

  • Bares e Restaurantes
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    Apresentadora portuguesa assume homossexualidade

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