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O que alimenta o preconceito contra transexuais?

 O tema “transexual” é com certeza um dos assuntos mais polêmicos na sociedade, que provoca fortes reações emocionais. Muitas vezes, essas reações têm tons predominantemente negativos, o que levanta a questão sobre a raiz da hostilidade quanto a esse tópico.

Segundo uma acadêmica que estuda atitudes e comportamentos sociais, o desconforto em relação às pessoas transexuais vem de convenções desafiadoras.

Diane Everett, professora de sociologia, diz que na cultura americana, sexo e gênero pertencem a uma de duas categorias. Assim que os seres humanos nascem, a primeira coisa que as pessoas perguntam é se o bebê é um menino ou menina.

“Temos a tendência, como sociedade, de colocar as pessoas em caixas”, disse ela. “Um transexual não só atravessa as fronteiras de gênero, mas também as desafia. Se as pessoas não veem você como ‘ou isso ou aquilo’, elas têm dificuldade em se relacionar com você em seu nível de conforto”, explica.

Depois, há pessoas que por razões religiosas acreditam que os transexuais são fundamentalmente “errados”, que Deus criou o homem e a mulher e, automaticamente, o homem é macho, a mulher é fêmea, e eles não devem cruzar essas linhas.

As questões geralmente acabam em um debate sobre qual banheiro as pessoas transexuais deveriam usar. Isso é um símbolo de toda a controvérsia, porque tem a ver com gênero, sexualidade e nível de conforto.

O desconforto decorre da visão de que uma pessoa é do sexo feminino ou masculino. Mudar o sexo com que você nasce é “basicamente automutilação”, disse Regina Griggs, diretora do grupo Parentes e Amigos de Ex-Gays & Gays. “É uma cirurgia que altera quem você realmente é do ponto de vista biológico”.

Segundo Regina, pessoas com transtorno de identidade de gênero merecem ajuda médica e psiquiátrica adequada. Transtorno de identidade de gênero é listado como doença no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a “bíblia” da psiquiatria.

Pessoas transexuais desafiam as ideias arraigadas na sociedade sobre gênero e sexo. As pessoas são ensinadas que meninos são meninos, meninas são meninas e meninos casam com meninas.

“Todas essas coisas são verdadeiras para a maioria das pessoas”, disse Mara Kiesling, diretora do Centro Nacional para a Igualdade Transexual. “É verdade que a maioria das pessoas é do sexo masculino ou feminino e isso é imutável para a maioria das pessoas. O que estamos aprendendo agora é que nenhuma dessas coisas é totalmente imutável”, explica.

Pessoas transexuais enfrentam um estresse de minoria, o que significa que elas se sentem indesejadas como uma minoria excluída. Elas também enfrentam o estigma, às vezes de suas próprias famílias, além de discriminação no trabalho e bullying.

A hostilidade pode vir, por vezes, de forma surpreendente. Uma mulher transexual, Amber Yust, que mudou seu nome de David, foi ao Departamento de Veículos Motorizados em San Francisco, EUA, para atualizar sua licença. Ela recebeu uma carta de um dos funcionários, acusando Yust de agir de uma maneira que é “uma abominação que leva para o inferno”. O empregado foi identificado e, posteriormente, se demitiu.

Ainda assim, nos dias de hoje, muitas manifestações contra transexuais são tornadas públicas e adquirem tamanha repercussão que oprimem ainda mais essas pessoas. O fim dessa discussão, no entanto, está muito longe – a mudança de pensamento vai demorar a chegar, tendo em vista o tamanho dos conceitos que precisam ser revisados para tanto.[CNN]

 

Escola sem homofobia - direito à diferença

A crescente disposição de significativos setores da sociedade em discutir questões relativas à diversidade sexual vem encontrando correspondência no plano das políticas públicas. O reconhecimento da legitimidade das diferenças dá uma dimensão cada vez mais concreta da formação cidadã para a diversidade. Isso é fator essencial para garantir inclusão, promover igualdade de oportunidades e enfrentar preconceito, discriminação e violência, que requerem políticas educacionais que contemplem suas especificidades.

A homofobia no espaço escolar é grave. Abala a autoestima, leva a baixo rendimento e ao abandono escolar. Dados do Centro de Apoio a Diversidade Sexual de São Paulo revelam que apenas 17% dos transgêneros chegam ao ensino superior. Entre os homossexuais que não apresentam identidade transgênera, esse número salta para 41% e para 50% entre os bissexuais.

A escola, e, em particular, a sala de aula, é um lugar privilegiado para se promover o reconhecimento da pluralidade das identidades e dos comportamentos relativos a diferença. Como espaço de construção de conhecimento e de desenvolvimento do espírito crítico, onde se formam sujeitos e identidades, a escola deve ser uma referência para respeito, acolhimento e diálogo com a diversidade. Um local de questionamento das relações de poder e de análise dos processos sociais de produção de diferenças e de sua tradução em desigualdades, opressão e sofrimento.

O Ministério da Educação, ciente de suas responsabilidades em relação ao tema, criou o projeto Escola sem Homofobia, que prevê a distribuição para as escolas públicas de ensino médio do País, de material - vídeos, livretos, cartilhas – como suporte pedagógico. O material recebeu aprovação da representação da Unesco no Brasil e foi submetido à apreciação do Conselho Federal de Psicologia, que emitiu parecer favorável, enfatizando que a homossexualidade expressa nas diversas identidades de gênero e orientações sexuais compõe parte das possibilidades sexuais do humano, que também inclui a heterossexualidade.

O Conselho considera o material adequado às faixas etárias e de desenvolvimento afetivo-cognitivo a que se destinam, com linguagem contemporânea e de acordo com a problemática enfrentada na escola: agressões físicas ou psicológicas a pessoas ou grupos que são permanentemente intimidados e coagidos. Avalia que a produção é bem articulada, com qualidade visual, representa material de vanguarda, pois é instrumento de formação continuada para o próprio professor.  Convida o educador a voltar-se para o compromisso ético das competências profissionais, no enfrentamento do sofrimento de adolescentes homossexuais.

Com a aprendizagem do respeito à identidade e à orientação sexual do outro, do que é diferente e por vezes considerado minoria - principal objetivo do projeto -, fortalece-se uma educação inclusiva, já que as diferenças são constitutivas nas diversas sociedades, contextos sociais e culturas.

Por fim, faz uma provocação, afirmando que importante seria que outros projetos dessa natureza pudessem ser veiculados também em outras redes sociais e na mídia em geral. Tais projetos poderiam discutir os preconceitos que atravessam a sociedade brasileira e que se manifestam no racismo, na homofobia, na violência contra os pobres, os idosos, às pessoas com deficiência, enfim, os segmentos que, tradicionalmente, são excluídos e violentados em seus direitos sociais e humanos. Salienta que o projeto amadurece o Brasil como exemplo de democracia participativa, que não teme enfrentar os gigantescos obstáculos para se garantir avanços na área dos direitos humanos.

Enquanto isso, antes que o material seja aprovado pelo MEC – ainda está sob análise -, um grupo de deputados, tradicionalmente refratário a essa temática, já se movimenta para desqualificar a ação sem conhecer o seu conteúdo. É salutar que questões dessa natureza sejam amplamente debatidas pela sociedade, mas espera-se que não prevaleçam posições preconceituosas que venham a impor retrocessos no lugar de ampliar direitos iguais para todos.

Tânia Miranda, historiadora, mestre em educação
tania.miranda@terra.com.br

Contra o Amor- Entrevista com Laura Kipnis

Veja – Ou seja, enquanto antes as pessoas sofriam porque os casamentos eram arranjados, hoje sofrem porque acham que devem encontrar a pessoa ideal?
Laura – Exato. Imagine alguém dizer que é contra o amor. É considerado um herege. As propagandas, as novelas, os filmes, os conselhos dos parentes, tudo contribui para promover os benefícios do amor. Deixar de amar significa não alcançar o que é mais essencialmente humano. O casamento é envolto pelo mesmo tipo de cobrança. E, quando cai por terra a expectativa do romance e da atração sexual eternos, surge a pergunta: "O que há de errado comigo?". O diagnóstico dos terapeutas é "inabilidade para se estabelecer" ou "imaturidade". Não é à toa que as pessoas consomem cada vez mais antidepressivos. A questão que eu coloco é: talvez o problema não seja do indivíduo, mas da incapacidade do casamento em cumprir as promessas de felicidade.

Veja – E por que o casamento não satisfaz?
Laura – O casamento transforma pessoas agradáveis em tiranos domésticos. Criticar os hábitos do parceiro torna-se a conversa-padrão do casal e a diversão favorita passa a ser modificar o comportamento do cônjuge. Existe algum momento na vida do casal que não seja permeado por regras, desde o modo como você coloca os pratos na máquina de lavar louça até o que pode dizer em uma festa?

Veja – A instituição casamento vai desaparecer?
Laura – Nos Estados Unidos, o índice de divórcio é de 50%, o que dá uma idéia da fragilidade da instituição. Além disso, a proporção de casas sustentadas por solteiros está aumentando. Mas eu não acho que a instituição casamento vá acabar. Vai, isso sim, mudar muito. A primeira mudança é econômica. Cada vez mais os cônjuges têm independência financeira um do outro. A segunda mudança é que mais e mais jovens estão tratando seu primeiro casamento como algo temporário. Ou seja, as pessoas começam um casamento no qual elas já imaginam que não vão ficar. É só mais uma experiência de vida.

Veja – Como salvar um casamento?
Laura – Aí é que está. Para que tentar salvar um casamento fracassado? A verdade é que há uma indústria enorme que lucra com a infelicidade no casamento. Você tem drogas como o Viagra, para resolver o problema da falta de desejo, tem terapia, livros de auto-ajuda, pornografia para casais e antidepressivos. A impressão que se tem é que o maior beneficiado com a manutenção do casamento não é o indivíduo em si, mas a sociedade em geral. O indivíduo está cada vez mais estressado e deprimido porque é infeliz no casamento.

Veja – Nelson Rodrigues, um dramaturgo brasileiro, escreveu que a fidelidade deveria ser opcional, não obrigatória. A senhora concorda?
Laura – Concordo. Na maioria das vezes as pessoas optam pela fidelidade, ao mesmo tempo que a consideram uma obrigação. Há tanta pressão social nesse terreno que é difícil separar o que é opção pessoal do que é imposição. Há duas formas de pressão pela fidelidade. A primeira, entre quatro paredes, é o ciúme, um sentimento inquestionável. Ninguém gosta que o parceiro olhe para outra pessoa. E muitos se sentem no direito de controlar os movimentos do companheiro, para ter certeza de que não estão sendo traídos. Claro que isso é fruto da insegurança e do medo de ser abandonado. Pode ser um paradoxo, mas os desejos do parceiro acabam se tornando uma ameaça. A outra forma de pressão pela fidelidade é social. A sociedade é baseada no princípio de que o desejo pode ser controlado. Por isso, o desejo expresso fora do casamento é anti-social, porque ele promove instabilidade, em oposição a um relacionamento estável.

Veja – O mesmo vale para a pornografia?
Laura – A pornografia é central em nossa cultura. Nos Estados Unidos, movimenta uma indústria de 9 bilhões de dólares. E está se tornando cada vez mais disponível com a popularização da internet. Há um aspecto utópico na pornografia. Sua regra é a transgressão. Como as pessoas não estão recebendo tanto prazer como desejam, porque a expectativa em relação ao sexo vai além do que a realidade oferece, elas procuram a resposta para sua realização pessoal em outro lugar. E é nisso que a pornografia se aproxima do adultério: ambos são complementos que ajudam a sustentar relacionamentos estáveis e insatisfatórios.

Veja – Solteiros são mais felizes que pessoas casadas?
Laura – Aparentemente não. O solteiro é tratado como um perdedor. Estava assistindo a Sex and the City (seriado americano cujas personagens principais são solteiras) ontem à noite e essa era justamente a questão que estava sendo colocada. É difícil falar de felicidade se você vai contra a norma social, que é casar-se e constituir um lar tradicional.

http://veja.abril.com.br/190504/entrevista.html

 

Onde "está" a sexualidade?

Que lógica é essa que nos faz utilizar essas perguntas marcadas pelo “ou” e não pelo “e”?
Por que o sexo do indivíduo importa tanto?
Será porque achamos que a partir desta definição “todo o resto” estará resolvido???

Ainda hoje, proliferam os discursos em torno da sexualidade e, dentre outros campos, a medicina segue exercendo intensos efeitos de verdade em nossa sociedade. Aliando o prazer à saúde, os discursos médicos ampliam seu campo de atuação, divulgando “verdades” que costumam vir com um “selo de garantia” de que “foi comprovado cientificamente...”- e isto as tornam, muitas vezes, inquestionáveis.
Nos textos publicados em atualizados sites na Internet brasileira/mundial o que mais se encontra são dicas, orientações, precauções sobre sexualidade, direcionadas muito mais ao público feminino do que ao masculino. Por que será?

Privatiza-se um jeito de viver a sexualidade (matrimônio, monogâmico, heterossezual), enquando se “denunciam publicamente” todos os outros jeitos de vivê-la que não se enquadrem nesta norma.
Anseia-se pelo estabelecimento de uma norma.
Fabricam-se normas e fronteiras.
As normas afinal tornam-se visíveis apenas a partir da sua diferença, ou seja, o normal só é nomeado em função do que não é normal.
E a classificação se dá a partir da medida da distância entre o sujeito e a linha tênue da fronteira chamada norma.

Ao longo do tempo observamos, contudo, mudanças nos significados atribuídos à norma:
O sentido de “normal” nos séculos XVI e XVII era: retangular, perpendicular, posicionado em ângulo reto.
Em seu sentido atual, entretanto, a palavra revela nitidamente conotações dadas no século XIX: normal no sentido de regular (1929); escola normal para treinamento de professores (1834), normal do sentido de média em física (1859); normalizar (1865); normativo (1880) e normal no sentido de comum (1890).
A sua referência já não é o esquadro, mas a média, a norma toma agora o seu valor de jogo das oposições entre o normal e o anormal ou entre o normal e o patológico.
A partir do século XVIII, o normal se estabelece como princípio de coerção no ensino.

A partir do século XIX a norma passa a diferenciar-se de regra, vai designar ao mesmo tempo um certo tipo de regras, uma maneira de as produzir e, sobretudo, um princípio de valorização.
A norma, diferentemente da lei e de outras regras, funciona de forma que nem a percebamos, pois quanto mais eficiente é a norma, menos ela “aparece” como tal; ou seja, o objetivo maior da norma é se fazer presente, sem ser vista- normalizando comportamentos, pensamentos, atitudes, a partir de discursos que, em geral, são carregados de legitimidade e poder.
E por mais que a norma esteja em pleno funcionamento, ou melhor, para que de fato funcione, ela precisa do que está fora dela exatamente para se diferenciar e “garantir” seu espaço de “normalidade”.

A norma precisa de um atento investimento contínuo para poder se manter como tal.

É preciso reconhecer que foi a partir do final do século XIX que as chamadas sexualidades desviantes tornaram-se alvo de estudos, pesquisas, investigações, intervenções, terapêuticas, normalizações.

Nascia a sexologia. Inventavam-se tipos sexuais, decidia-se o que era normal ou patológico e esses tipos passavam a ser hierarquizados. Buscava-se tenazmente, conhecer, explicar, identificar e também classificar, dividir, regrar e disciplinar a sexualidade.
Tais discursos, carregados da autoridade da ciência, gozavam do estatuto de verdade e se confrontavam ou se combinavam com os discursos da igreja, da moral e da lei.

Surgem muitos manuais, dentre eles, os de psicopatologia (que abordarão num capítulo específico as chamadas disfunções sexuais e perversões- como o DSM- Manual de Diagnóstico em Saúde Mental), os manuais da Igreja Católica (que tratarão como desvios todas as práticas que não se conformam às suas regras), os manuais para educar crianças, adolescentes, esposas, enfim, manuais que tentarão, ao longo do tempo, demarcar os limites do normal e do anormal, do certo e do errado, indicando caminhos para “curar” ou se “converter” das possíveis aberrações e anormalidades que o sujeito, por descuido às normas, acabou “contraindo”.
Tenho uma impressão de que quando a sexualidade entra em questão, o exercício dessas normas se intensifica, porque “o perigo e o pecado moram ao lado”.

Os significados que damos à sexualidade e ao corpo são socialmente organizados, sendo sustentados por uma variedade de linguagens que buscam nos dizer o que o sexo é, o que ele deve ser e o que ele pode ser.

Nessa hierarquia, o casal heterossexual monogâmico com filhos/as estaria no topo da norma desejada e quanto mais o sujeito se afasta desta norma, tanto mais sofrerá uma desvalorização e uma insistência para que “retorne” à norma.

Assim como existe uma pedagogia que poderíamos chamar de escolar, existem inúmeras pedagogias culturais ocorrendo e concorrendo por espaços de poder e visibilidade em nossa sociedade.
Louro (2000) refere-se a “pedagogias da sexualidade” que seriam os diversos mecanismos que, de uma forma ou de outra, “ensinam” modos de viver a sexualidade, os prazeres, os desejos, as vontades; promovem valores, crenças e comportamentos em torno da sexualidade nas mais variadas instâncias sociais.

Não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz; é preciso tentar determinar as diferentes maneiras de não dizer, como são distribuídos os que podem e os que não podem falar, que tipo de discurso é autorizado ou que forma de discrição é exigido a uns e outros.
Não existe um só, mas muitos silêncios e são parte integrante das estratégias que apóiam e atravessam os discursos.

A heterossexualidade é concebida como “natural” e também como universal e normal. Aparentemente supõe-se que todos os sujeitos tenham uma inclinação inata para eleger como objeto de seu desejo, como parceiro de seus afetos e de seus jogos sexuais alguém do sexo oposto.
Consequentemente, as outras formas de sexualidade são constituídas como antinaturais, peculiares e anormais.
É curioso observar, no entanto, o quanto essa inclinação, tida como inata e natural, é alvo da mais meticulosa, continuada e intensa vigilância, bem como do mais diligente investimento.

As professoras, frequentemente, acabam se tornando “vigilantes” da possível orientação sexual das crianças.
A preocupação com os meninos parece ainda maior quando eles brincam de bonecas ou mesmo quando brincam em demasia com as meninas.

As coisas se complicam ainda mais para aqueles e aquelas que se percebem com interesses ou desejos distintos da norma heterossexual.
A esses restam poucas alternativas: o silêncio, a dissimulação ou a segregação.
A produção da heterossexualidade é acompanhada pela rejeição da homossexualidade.
Uma rejeição que se expressa, muitas vezes, por declarada homofobia.

A moldagem dos corpos, seu disciplinameto é não apenas um dos componentes centrais do currículo, mas provavelmente um de seus efeitos mais duradouros e permanentes.

Percebe-se que é recorrente a idéia de que o desenvolvimento da sexualidade se dá de forma evolutiva, em etapas cujas manifestações características são definíveis, observáveis e, dentro do possível, corrigíveis.

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A tarefa mais urgente talvez seja exatamente desconfiar do que é tomado como “natural”.

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Onde "está" a sexualidade?: representação de sexualidade num curso de formação de professores.
Patrícia Abel Balestrin

 

Orientação Sexual: Preconceito, Ideologia e Fraude.

É da concepção naturalizadora da sexualidade que decorre a idéia segundo a qual nos cromossomos e nos hormônios estariam pré-fixadas as essências masculina e feminina que marcariam o desejo sexual e o destino social de homens e mulheres.

Generalizações como estas ignoram a diversidades das culturas, a variabilidade das famílias, mesmo que apenas no interior das sociedades ocidentais, assim como a amplitude, a variabilidade e o dinamismo das relações humanas que engendram a biografia de cada indivíduo, incluindo aí a sua sexualidade- esta seguramente não sendo construída apenas pelas relações que se produzem no microcosmo familiar e na infância.

Conceber a sexualidade do indivíduo em termos de orientação sexual (e esta como atração, fantasia e desejo direcionados a indivíduos de outro, do mesmo ou de ambos os gêneros) é quase um consenso entre especialistas hoje.
Para evitar a substancialização da orientação sexual, é importante trazer a reflexão sobre o assunto para o terreno da reflexão antropológica e sociológica: a orientação sexual é uma construção subjetiva, certo!, como desejo é singular e em grande medida inconsciente, mas é igualmente uma construção de caráter social.
Constituída de prazeres, sensações, fantasias, imaginação, práticas eróticas, etc., a orientação sexual é construída nos embates subjetivos e sociais, produzidos nas interações, a partir de padrões culturias, relações de poder, idéias sociais, configurando-se como um fenômeno individual tanto quanto coletivo.

Uma orientação sexual expressa a plasticidade e as possibilidades humanas no terreno da sexualidade, como em outros.

A própria normalidade não é mais do que uma construção simbólica reversível, mas que, para se perpetuar, procura todos os meios de sua naturalização e divinização.

Técnicas sobre a Gênese da Homossexualidade: ideologia, preconceito e fraude.
Alípio de Sousa Filho. (2009)

 

Repensando algumas questões sobre a Orientação Sexual nas Escolas

No entanto, ainda que de acordo com alguns desses argumentos, ao invés de criticar a intervenção escolar ou propor alguma solução, gostaria aqui de problematizar essa questão de uma outra maneira. Por que o tema da sexualidade exige uma abordagem tão diferenciada?
Por que essa demanda de que o ensino sobre reprodução ultrapasse a biologia enquanto o mesmo não é demandado do sistema respiratório, circulatório ou digestório?
Por que questões ligadas ao sexo precisam ser ensinadas de modo distinto de questões ligadas à alimentação ou à respiração, por exemplo?
Por que uma proposta curricular nacional como os PCN cria um tema transversal específico sobre esse assunto intitulado “Orientação Sexual”?
Considerando a existência de um outro, chamado Saúde, cabe ainda questionar por que a Orientação Sexual não está incluída no tema Saúde, merecendo, ao contrário, um
tratamento específico e privilegiado?

Há algo que perpassa todas essas críticas e problematizações em relação à atuação escolar: a busca de uma intervenção mais eficiente. Há uma forte demanda de resultados, em outras palavras, uma busca constante de mudar ou adequar os dispositivos que estruturam os comportamentos preventivos.
Busca-se o aprimoramento das técnicas de prevenção, considerada a melhor estratégia frente a diversas doenças. Por sua vez, a prevenção de DSTs e da AIDS, bem como de uma gravidez, depende, em grande parte, da mudança de comportamentos sexuais. É essa busca que justifica a implementação de políticas preventivas na escola, como a educação sexual e o NAM.
Através de técnicas de poder diversas, fundamentadas em determinados campos de saber, pretende-se levar os/as adolescentes a “incorporarem a mentalidade preventiva e a praticarem sempre” (BRASIL, 1998, p. 328).

Conforme será demonstrado, o que marca a diferença entre a escola e outros espaços é ela ser recorrentemente apontada como o local onde se tem acesso a explicações, a informações mais detalhadas e confiáveis, em outras palavras, informações tidas como científicas e, portanto, consideradas verdadeiras. Que “verdade” é essa sobre o sexo que a escola ensina?

Se antes a televisão já mostrara um parto, agora eles passam a ter informações detalhadas, não apenas sobre o parto em si, mas sobre o que lhe antecede: o ciclo menstrual, a fecundação e a gestação. Se já haviam ouvido falar sobre AIDS, através da escola conhecem outras DSTs, seus sintomas e a única forma de preveni-las: a
camisinha. Se já tinham ouvido falar da camisinha masculina, a escola lhes ensina a como utilizá-la e lhes apresenta a desconhecida camisinha feminina. Se já sabiam que existia gravidez, agora aprendem que existe “gravidez precoce”, a qual pode ser prevenida não apenas por camisinha, pílula anticoncepcional e coito interrompido, mas por outros métodos anticoncepcionais: DIU (Dispositivo Intra-
Uterino), diafragma, gel espermicida, entre outros.

Através de uma “aula prática”, realizada no “laboratório”, os/as adolescentes foram instruídos/as sobre o funcionamento dos métodos, seus efeitos, indicações e contra-indicações e, principalmente, como usá-los. Segundo os/as estudantes, essa foi a primeira vez que viram uma camisinha feminina e a primeira vez que lhes foi ensinado como usar a camisinha masculina. Essa última já era conhecida por todos/as, mas não a técnica correta de utilização. Cada um dos métodos – pílula anticoncepcional, gel espermicida, diafragma, DIU, camisinha feminina e camisinha masculina – foi apresentado e explicado. A camisinha masculina, método mais recomendado aos/às adolescentes, foi o último e representou também o momento ápice da aula.
Risadas e cochichos por toda a turma, quando a professora retirou da bolsa uma camisinha e uma prótese peniana para a demonstração. Com a ajuda de uma exparticipante do NAM, ela mostrou como deve ser utilizada: o pênis deve estar
ereto tanto para colocá-la quanto para retirá-la, não se deve usar tesoura para abrir o invólucro e é preciso ter cuidado para não rasgá-la com a unha, deve-se tirar o ar da ponta para não estourar, não deve ser utilizada concomitantemente à camisinha feminina, após ser usada uma vez deve ser jogada fora etc.

Busca-se, por exemplo, privilegiar uma dimensão psicológica na abordagem do tema – mesmo que ela nem sempre obtenha êxito. Exemplo disso é a grande importância dada à “auto-estima”. Esta é considerada como sendo fundamental para que adolescentes adotem uma prática preventiva, motivo pelo qual, são criadas inúmeras dinâmicas com o objetivo de “resgatar a auto-estima”. Também nos PCN essa preocupação está presente. A abordagem do tema “corpo: matriz da sexualidade” deve buscar “favorecer a apropriação do próprio corpo pelos adolescentes, assim como contribuir para o fortalecimento da auto-estima e a conquista de maior autonomia” (BRASIL, 1998).

Se a escola tem como objetivo esclarecer, ampliar as informações dos adolescentes sobre temas ligados à sexualidade, esta pesquisa mostra que ela o faz.
Disse Ana Beatriz (13): “Eles conversam um pouco com a gente, aí aqui na escola eles explicam mais, melhor. Explicam mais do que nossos pais. Dão detalhes.”
No entanto, não é qualquer conhecimento que ela se propõe difundir. Qualquer forma de conhecimento é sempre perspectiva, parcial e, portanto, implica igualmente em desconhecimentos. O saber que a escola transmite sobre sexualidade é primordialmente oriundo das ciências biológicas e, na medida em que se apresenta como um conhecimento científico, propõe-se verdadeiro.

Em nossa sociedade, o que confere valor de verdade a um determinado discurso é seu caráter científico. Segundo Foucault, (1995: 12) cada sociedade tem o seu regime de verdade, isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir enunciados verdadeiros de falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro.

“Não são adequados métodos diretivos de ensino, do tipo aula expositiva”. Deve-se, ao contrário, privilegiar a participação do aluno, estimulando-os a compartilhar suas experiências com o grupo.
Aqui, o que gostaria de mostrar é que a escola interfere no conhecimento trazido pelos estudantes, negando-o ou apresentando-o sob uma nova perspectiva, demarcando-o com um certo crivo de verdade – ainda que ela nem sempre seja aceita. O efeito de verdade produzido pela escola na sua versão dos fatos pode ocorrer de diversas maneiras: ensinando termos corretos, se contrapondo aos mitos, ao discurso religioso, à postura familiar, entre outros. Em suma trata-se de uma verdade “científica”.

A própria frase da professora já começa a responder a essas questões: conhecer o corpo do homem e da mulher exige o conhecimento de seus órgãos e suas finalidades. Esse conhecimento é profundamente marcado pelo campo das ciências biológicas: divide-se o corpo em partes e cada uma delas é estudada a partir da sua funcionalidade. Outrossim, trata-se de conhecer o corpo do homem e o corpo da mulher. Eis aí uma outra divisão importante entre os corpos: eles são masculinos ou femininos, suas diferenças são determinadas a partir de seus órgãos sexuais, seus genes e seus hormônios.

Os funcionamentos de cada uma das partes dos aparelhos reprodutores são explicados. “A função do pênis é lançar espermatozóides e urinar.” A vagina é assim definida no livro: É um canal que liga o útero com o meio externo. Durante a relação sexual, a vagina acomoda o pênis, sendo nela depositado o esperma. É também através da vagina
que a criança será conduzida ao meio externo, durante o parto.

A educação sexual na escola é, antes de tudo, uma educação sobre reprodução e o corpo que fundamenta esse ensino é um corpo orgânico e funcional, conhecido primordialmente a partir de seu interior.

Do mesmo modo, a prevenção da gravidez acabava sendo considerada uma questão feminina. Vale notar que historicamente não se produziu, ou ao menos não se disponibilizou, métodos anticoncepcionais masculinos do mesmo modo que se fez em relação à mulher: para elas, pílula, DIU, diafragma, camisinha feminina, hormônios injetáveis, laqueadura, entre outros; para eles, vasectomia e camisinha. Como mostra Emily Martin (1996), foram realizadas mais investigações sobre a reprodução feminina, permitindo que as responsabilidades do controle da natalidade ficasse a cargo das mulheres.

Vemos aqui que, hoje em dia, a entrada na sexualidade adulta é subordinada
ao que Michel Bozon chama de uma “poderosa obrigação de proteção”:
À norma contraceptiva acrescentou-se a norma do uso da camisinha desde a primeira relação, iniciada com as campanhas de prevenção da aids e que se impôs em apenas alguns anos. Isso traduz algo mais além do medo da contaminação: a adoção da camisinha no repertório sexual juvenil cria um ritual reconhecido que, diante da incerteza da fase de experiência no início de um relacionamento, organiza
e estabelece uma atitude socialmente “responsável” na relação sexual.

Elas pretendem que a primeira relação sexual ocorra numa relação estável: para a maioria delas numa relação de namoro, para algumas, ligadas à igreja, após o matrimônio. No entanto, isso, por si só, não é suficiente, pois dentro desse critério está inserido um outro duplo critério temporal referente à durabilidade da relação: ela já deve existir a algum tempo e deveria continuar a existir após o ato sexual.
Pode-se dizer que a temporalidade do ingresso na sexualidade adulta é regulada não só pela idade da garota, mas também pela duração e perspectiva futura da relação. Podemos observar aqui algo destacado também em outras pesquisas (BOZON e HEILBORN, 2001): a experiência sexual propriamente dita aparece para essas meninas como conseqüência da consolidação de um vínculo amoroso.

Conversando com elas, pode-se perceber que valorizam a virgindade a partir da intensa atenção dada a primeira relação sexual. Essa passagem não aparece sendo motivada por “curiosidade”, elas não pretendem que “aconteça por acontecer”. Ao contrário, manifestam uma clara vontade que esse momento seja planejado, “elaborado”, “consciente”, que ocorra com a “pessoa certa”, num determinado
tipo de relação e em um momento específico da trajetória dessa relação.

A responsabilidade aparece como algo imprescindível para a adoção de uma prática preventiva, no que se refere a doenças, à gravidez e à privacidade. Emerge aqui novamente uma sobreposição entre corpo e intimidade como foco de fortes preocupações preventivas que perpassam todo o trabalho escolar de educação sexual.

Essa opinião, no entanto, não era partilhada pela professora. Sua mensagem
final em torno desse debate foi de que, antes de uma relação sexual, as pessoas
devem conversar, se conhecer melhor, o que inclusive facilita o uso da camisinha.
Também em outros momentos, o uso do preservativo aparece como dependente de
uma negociação que passa por uma suposta conversa. A necessidade de usá-lo é
apresentada dentro de uma relação ideal e não considerando as diversas
possibilidades de relação entre duas pessoas. Mais do que prescrever o uso do
preservativo, prescreve-se um tipo de relação: heterossexual e com algumas etapas
a serem seguidas.
Assim, a importância da camisinha é destacada sempre dentro de um padrão idealizado de relacionamento e não dentro de relacionamentos sexuais de um modo geral, independentemente de quais sejam suas características
e configurações. Outras formas de relacionamento são, direta ou indiretamente,
desvalorizadas ou, no mínimo, não consideradas.

O debate não é guiado, por exemplo, no sentido de “como um casal, que se
conhece em um baile funk e acaba transando na mesma noite, usa camisinha”. O
curso do debate é de que esse casal não deve transar já na primeira noite, mas
esperar, se conhecer melhor e só então ter relações sexuais e usar camisinha. Além
disso, o casal que aparece nessas situações é sempre de um garoto e uma garota,
ou seja, heterossexual. Não são construídas situações com relações homossexuais
nas quais a camisinha deveria ser usada.

Além disso, esse modo de divulgação do uso da camisinha pressupõe racionalização e controle da relação, a qual não é relacionada ao inesperado ou até mesmo ao descontrole. Essa expectativa de controle subjacente à prática educativa
parece pouco condizente com a realidade, conforme têm atestado vários estudos. Na cultura brasileira, a sexualidade masculina hegemônica é freqüentemente associada ao descontrole e racionalizar os “impulsos sexuais” acaba sendo visto como não condizente com a virilidade. A fala do aluno Manfred (14), “Na hora a gente não pensa em nada, só pensa em transar, transar, transar!”, é exemplar nesse sentido.

Nesse exemplo, vê-se novamente a prescrição de um tipo de relacionamento “etapista”. Na medida em que os/as docentes imaginam os/as adolescentes
irresponsáveis, despreocupados com a primeira relação sexual, ingressando na
sexualidade adulta precocemente, buscam intervir nas suas relações, a fim de
torná-los responsáveis, adiando essa passagem. O uso de algum preservativo ou
algum outro método anticoncepcional se inseriria dentro desse padrão ideal de
relação. No entanto, na medida em que as relações entre as pessoas não seguem
sempre esse curso, a prescrição do preservativo perde efeito, uma vez que ela não
é pensada, discutida ou problematizada dentro de outras formas de relacionamento.

Uma gravidez nessa faixa etária parece nunca ser chamada simplesmente de gravidez.
Ao contrário, ela é recorrentemente adjetivada, como por exemplo, na adolescência,
precoce, indesejada, não-planejada, de risco ou inesperada.

Ao estudar as gravidezes na adolescência na França, Charlotte Le Van (1998) mostra
que, se a gravidez em idades jovens não é um fenômeno inédito em si mesmo, as recentes evoluções sociais e culturais contribuíram para fazê-la emergir como um problema social novo. Para a autora, a expansão e o prolongamento do ensino, assim como a inserção da mulher no mercado de trabalho, contribuíram para um retardamento da gravidez e da constituição da família. A imagem social da criança também se modificou: despojada progressivamente de seu valor econômico e social, ela aparece, antes de tudo, como uma gratificação. Os futuros pais devem escolher o momento propício para procriar, quando o/a filho/a não possa mais criar obstáculos para suas realizações pessoais e quando sejam suscetíveis a lhe dar as melhores condições possíveis de vida. A exigência de uma paternidade e maternidade “inteligentes” implica que a criança desejada chegue no momento em que o casal possa lhe oferecer o espaço e a estabilidade necessários.

Não só aqui, mas durante todo o programa, é dada especial ênfase às inúmeras
conseqüências negativas de uma gravidez para a menina: impossibilidade de continuar os estudos e investir no futuro, abandono pelo namorado, mudanças no corpo, impossibilidade de sair e se divertir, dificuldades para cuidar do bebê etc. Cabe contrapor esse modo de focar a questão com pesquisas que têm mostrado que a experiência da maternidade e da paternidade para adolescentes pode ser, tanto disruptiva, quanto ter o sentido de uma “ancoragem social”.

De certo modo, a gravidez na adolescência é encarada como um
anacronismo, pois expectativas, demandas sociais e econômicas induzem a concepção de
que essas duas experiências devam ser vividas separadamente. A adolescência é atualmente concebida como um período de imaturidade, de instabilidade, em que a/o adolescente deve viver novas experiências e investir na sua formação pessoal e profissional. Diferentemente, a gravidez requereria uma situação mais amadurecida, estável e estruturada, seja em termos econômicos, profissionais ou pessoais.

Parece haver uma contradição no trabalho desenvolvido pela escola. Por um lado, um
dos objetivos da educação sexual é evitar a gravidez na adolescência. Esta justificativa consta nos PCN (BRASIL, 1998) e também era expressa, direta ou indiretamente, por diversos docentes. No entanto, quando se fala sobre sexo, toda ênfase recai justamente sobre fecundação, gestação e maternidade. Cabe, portanto, questionar se enfatizar a gestação e vincular reiteradamente a relação sexual à reprodução são as melhores estratégias quando se tem o objetivo contrário, qual seja, de prevenir a gravidez entre adolescentes.

Mesmo que ela esteja informada sobre a contracepção, o sentimento de “ilegitimidade” de uma jovem mulher cuja sexualidade não é reconhecida em seu meio pode criar obstáculos ao seu acesso à contracepção e afetar negativamente sua prática contraceptiva.

Voltando à escola, em sala de aula, a professora deixava claro que o método
anticoncepcional mais indicado a adolescentes era a camisinha, fosse ela a masculina ou a feminina. Apesar da camisinha feminina ser proclamada como um método que garantiria autonomia à mulher na gestão da sua vida sexual, pois, supostamente, ela não mais dependeria do homem se dispor a usar a camisinha masculina, sua utilização é extremamente limitada pelo seu preço e, de certa forma, pelo seu formato e aparência. Em uma farmácia próxima à escola, uma camisinha feminina custava seis reais (R$ 6,00), enquanto a masculina, oitenta centavos (R$ 0,80). O tamanho e o formato da camisinha feminina causavam reação de espanto e risadas por parte de alunas e alunos que, também durante as entrevistas, comentaram nunca a terem visto antes. Diziam que parecia um coador de café e mostravam dificuldades em compreender como ela seria introduzida no corpo. Semelhantemente, o DIU e o diafragma também lhes eram abjetos.

Por outro lado, cabe observar que esse discurso escolar é absolutamente distinto do
que divulgam atualmente os médicos ginecologistas e os laboratórios farmacêuticos.
Ressaltam justamente o contrário: os efeitos benéficos das pílulas que não resultariam em ganho de peso, mas ajudariam a regular o ciclo menstrual, trariam melhorias na pele e no cabelo, preveniriam alguns tipos de câncer, entre outros.

Além disso, o uso diário da pílula oral pressupõe, mesmo que indiretamente, uma
relação estável ou, no mínimo, uma vida sexual com uma certa periodicidade. Parece não fazer muito sentido ingerir doses diárias de hormônios, temendo o ganho de peso, entre possíveis outros efeitos colaterais, e ter relações sexuais esporádicas.

Fundamentada nesse saber “científico”, a escola busca regular as experiências sexuais de seus estudantes através de instruções e práticas úteis e não pelo rigor de proibições. Com o intuito de colaborar na administração da vida sexual adolescente, ela se propõe a esclarecer e oferecer opções de auto-cuidado, mostrando não apenas os riscos de uma relação sexual desprotegida, mas também como se proteger, como utilizar um preservativo ou algum outro método anticoncepcional.

Aliado ao esclarecimento, e através dele, as intervenções escolares buscam
desenvolver um sentido de “responsabilidade” em torno das relações sexuais,
buscando mudar ou adequar os dispositivos que estruturam os comportamentos
preventivos. Para isso, além de recomendar o uso do preservativo para uma
prática de sexo seguro, acaba-se aconselhando um determinado modelo de
relacionamento no qual a relação sexual deva ocorrer. O preservativo não é
pensado e aconselhado para múltiplas formas de relação sexual entre adolescentes,
independentemente da sua durabilidade, orientação sexual, entre outros. Além
disso, o modo de focá-lo pressupõe uma racionalização e previsibilidade das
relações que, na prática, parece nem sempre ocorrer.
Esse modo de focar a
questão pode estar limitando os efeitos que essa ação educativa pretende atingir.
Atenção particular deve ser dada às relações homossexuais, as quais são
praticamente ignoradas nessas ações educativas.

 

Derivas da Masculinidade

A diversidade de representações com relação à masculinidade não pode ser percebida como um conjunto de estilos de vida, igualmente valorizados, e dos quais o indivíduo faz a escolha como se fossem mercadorias na prateleira de um supermercado.

Caracterizar- e mesmo definir- o que se entende por masculinidade não é tarefa que experimente unanimidade. Connel (1997) agrupa as definições existentes de masculinidade em quatro conjuntos.
O primeiro deles diz respeito àquelas definições que estabelecem um atributo, tido como essencial, e a partir daí fazem derivar toda uma tipologia, havendo aqueles situados mais próximos e outros mais distantes do referido atributo. No caso da masculinidade, um atributo que se presta excepcionalmente para isso é o da atividade, tomada muitas vezes como força, e daí derivando força física, capacidade de decisão, força moral, responsabilidade para assumir grandes empreendimentos, coragem, ser ativo na relação sexual, etc.
Um segundo conjunto de definições, estas de caráter positivista, enfatiza que a masculinidade é aquilo que os homens "realmente são". Para saber o que os homens "realmente são", necessita-se de uma pesquisa "isenta" e "científica", que nos permitiria montar um panorama completo- e em geral tomado como definitivo- da masculinidade. Montado este panorama científico, neutro, eterno e isento de influências pessoais, estaríamos em condições de estabelcer tipologias, ou escalas verificando em que ponto se localiza cada homem em relação à masculinidade que possui. Teremos então aqueles que são mais próximos daquilo que os homens "realmente são", e aqueles mais distantes. Pela própria configuração do modo como estas tipologias se montam, elas tendem a tranformar em patologias as posições afastadas da norma, e propor então tratamentos para "corrigir" estes afastamentos, vistos como desvios.
Num terceiro grupo, teríamos aquelas definições que enfatizam a normatividade, pois lidam com a noção de modelo, que nos indica como os homens "deveriam ser". A conhecida teoria dos papéis sexuais e dos papéis de gênero opera nessa lógica, estabelecendo, em geral a partir da análise de produtor da comuniação, como os filmes e a própria vida dos atores mais famosos, um conjunto de características que definiriam o papel masculino seja ele objeto de crítica ou e aplauso. No caso dos estudos da masculinidade, e em especial dos movimentos sociais dos homens, a aceitação das teorias normativas, em particulr os conceitos de papéis sexuais e de gênero, produziu um tipo de análise que terminou por transformar o homem em vítima da tirania dos papéis.

Em geral, os indivíduos buscam a explicação dos males que lhes afligem por gostarem de homens e mulheres no conflito entre o que realmente gostariam de ser e o papel que a sociedade deles espera. Ficam completamente desconsideradas as atitudes e modos de vida que contribuem ativamente para a manutenção dos referidos papéis, e que por vezes constituem a tônica na vida cotidiana dos mesmos homens que se colocam como vítimas da ação dos papéis. Esta situação, que pode ser resumida na frase "eu sofro porque quero ser uma coisa e a sociedade quer que eu seja outra", mantém-se em boa medida pela rígida separação entre moral pública e moral privada, pela exigência de sigilo e discrição, que estão valorizadas em muitas das cartas enviadas...
A separação entre a vida pessoal e a vida social, levada nestas cartas ao extremo, inviabiliza qualquer possibilidade de que o sujeito sinta-se contribuindo para modificar aquela situação por ele mesmo nomeada como opressora, equivocada ou atrasada.

Retomando a classificação de Connel dos vários modos de definir a masculinidade, o quarto agrupamento concentra as definições que ancoram a masculinidade num sistema simbólico, que opera produzindo as diferenciações entre os lugares do masculino e do feminino. Os elementos do discurso, seguindo a fórmula da linguistica estrutural, são definidos pelas diferenças que guardam entre si, o que nos permite afirmar que o masculino é definido em geral como o não feminino.

Qualquer definição só pode ser entendida dentro de um sistema de relações.
No caso da masculinidade, está só pode ser definida no interior das relações de gênero e de sexualidade, e não será nunca uma definição cristalizada, pois fruto de tensões, disputas e interesses próprios da cultura, e tem seu existência marcada por essas disputas de significado.

Diferentes masculinidades se produzem o mesmo espaço social, seja este espaço a família, a região de moradia, o grupo cultural ou étnico, o grupo racial, o pertencimento religiosos, a classe econômica, etc.
Desta forma, a trajetória de construção da masculinidade de cada hom se faz com o modelo de masculinidade hegemônica sempre presente e reforçado, seja pela mídia, pela escola, pela igreja, etc., mas ao mesmo tempo com uma pluralidae de outros modos de viver a masculinidade presentes em seu cotidiano, representados pelos tipos particulares e originais que cada homem encontra ao produzir sua própria trajetória masculina na vida do dia a dia. Estes modos particulars podem gozar de maior ou menor prestígio, a depender de um complexo jogo de fatores.
O modo de viver masculino que desfruta da maior concentração de privilégios, num dado sistema de relações de gênero, será considerado como a forma de masculinidade hegemônica.
A manutenção da masculinidade hegemônica não pode ser pensada como elaboração orquestrada e consciente de um grupo de homens nela interessados. Trata-se antes de uma complexa trama de situações e condições que a favorecem mais ou menos, dependendo das circunstâncias.

O medo de ser afeminado parece ser maior do que o medo de se relacionar sexualmente com outro homem, pois se essa relação for interpretada como uma relação entre machos, poderá ser vista então como algo muito viril, uma relação entre iguais. Atribuir a um homem o adjetivo de macho, no senso comum, significa referendar algo que seria natural e institintivo, produto da biologia, inscrito no seu corpo, um comportamento que decorreria de forma natural pelo fato do homem ter o pênis.

Uma atitude sempre bem marcada por parte da maioria dos informantes homens bissexuais é a crítica à homossexualidade masculina, entendida como característica de bichas loucas, afeminados, homens fracos, pré-travestis, etc. Considerando-se serem a bissexualidade e a homossexualidade modos de vivenciar o masculino excluídos do modelo da masculinidade hegemônica, chama a atenção essa violência verbal contra os homossexuais.

Narcisismo das pequenas diferenças: ora, se a identidade cultural diz respeito à produçao de diferenças, então há que se preocupar justamente com aqueles que são mais parecidos conosco, e que mais ameaçam trazer confusão para a definição de nossa identidade.

Boa parte da política de identidade de afirmação da masculiniade bissexuais é elaborada com grande ênfase na negação de que ela seja "outra coisa" ("não somos homossexuais, não somos mulheres, não somos afeminados"), e com menor ênfase na proposição de modos de vida próprios. Desta forma, essa política de identidade revela sua debilidade, pois que se caracteriza por ser uma identidade de resistência.

Nos relatos e histórias que compõem parte das fontes utilizadas para essa pesquisa verificaram-se numerosas situações de diferencial de poder entre os participantes, conforme sejam eles, por exemplo: homens mais velhos e homens mais jovens; homens casados e homens não casados; homens brancos e homens negros; homens que se dispõem a pagar pela relação sexual e homens que se dispõem a receber algum dinheiro para fazer sexo; homens que se apresentam como virgens em relações com homens, e outros que se anunciam como tendo experiência na relação com outros homens; homens que viajam pelo país e se dispõem a conhecer parceiros em cidades distintas da sua, e homens que se dipõem a receber em sua cidade por alguns dias outro homem; homens que se dispõem a servir de fêmea a outro homem, e homens que querem desempenhar o papel de machos na relação com outro homens; homens gordos e homens magros; homens peludos e homens lisos; homens fortes e homens fracos; homens querendo apenas sexo e outros querendo um companheiro estável; homens ativos e homens passivos; homens carecas e homens com cabelo; homens do campo e homens da cidade; homens casados em que a esposa pode participar da relação e homens casados em que a esposa não pode saber; etc.

As identidades qu se constroem a partir desa diversidade são todas não fixas, em relações marcadas pela transitoriedade e pelo diferencial de exercício do poder, e um indivíduo pode sempre ser pensado como tendo mais de um atributo, e ser interpelado na relação em algns dos binômios acima, e não exclusivamente num único deles.

As identidade são, enfim, posições de sujeito.

São com certeza poucos homens que detém o conjunto completo de atributos prescritos para a masculinidade hegemônica, e talvez se possa dizer que são mesmo poucos aqueles que conseguem reunir uma quantidade razoável daqueles atributos. Desta forma, muitos homens mantém alguma forma de conexão com o modelo hegemônico que não cumprem na totalidade. Ênfase em casar, ter filhos, ser um bom pai provedor, ser um homen viril e musculoso, dentre outos atributos possíveis.

Não se trata aqui de imaginar uma postura individual maquiavélica, fruto de um planejamento consciente do tipo "vou casar com uma mulher para evitar que pensem que sou homossexual". Trata-se de ler o conjunto de ações que o indivíduo realiza, fruto de negociações momento a momento, e que o levam a busca uma situação em que não se sinta estigmatizado ou discriminado.
Desfrutar dos privilégios da masculinidade hegemônica pode ser vivido muito mais como uma situação de conforto e alívio de tensões, mesmo que momentânea, do que propriamente como uma conquista a partir de um planejamento estratégico.
Evitar a possível dor, ou, conforme o conceito de estigma de Goffman, evitar passar da situaçao e indivíduo desacreditável para aquela de indivíduo desacreditado, pode envolver manobras que preservem o anonimato, mas garantam o alívio de tensão, mesmo que elas impliquem em perder a possibilidade de desfrute do prazer.

É a masculinidade hegemônica que aparece como correta, normal e plena de êxito, e esta situação é reforçada por um conjunto de privilégios que, de forma ostensiva ou menos explícita, mantém os indivíduos que a ela aderem com melhores chances de sucesso na vida.
Embora qualquer listagem dos atributos- ou características- da masculinidade hegemônica esteja sujeita a fortes discussões, uma vez que sua variação história e cultural e seus diferentes modos de percepção não permitem uma unanimidade, acredito ser possível reconhecer um conjunto de traços, ou uma concentração de aspectos, que assinala a forma hegemônica da masculinidade para o tema que estamos tratando: uso da violência em diversas circunstânas da vida, incluída aí a vida sexual; vivência de agrupamentos masculinos (como no futebol, na pescaria, no exército, etc.); a tendência a dominar suprando aquela a conciliação; o uso de piadas sexistas, com depreciativo para mulheres e homens afeminados; o comportamento guerreiro e a valorização de guerras como modos de resolver contendas; a crença no patriarcado; o exerício do papel de provedor; o reconhecimento dos ritos de passagem da vida sexual, que podem incluir iniciação sexual com prostitutas; a extrema valorização da conquista sexual; a valorização do corpo musculoso e forte; a valorização do corpo sem exageros de expressão (sem lágrimas nem grandes expansões de afeto); os comportamentos homofóbico e misógino quase como inerentes à masculinidade heterossexual; a valorização da pornografia e da sacanagem; a geração de filhos e o exercício em geral pouco dedicado da paternidade; a noção de chefe de família; o gosto pela vida pública e pela atividade política e especialmente político partidária. A listagem com certeza não é exaustiva, mas ajuda a dar forma ao que pode ser entendido como masculinidade hegemônica no cotidiano.
(p. 141)

Os papéis de provedor, de profissional bem sucedo, de trabalhador dedicado, de líder empresarial e tantos outros este diapasão são reveladores de uma masculinidade assertiva, competitiva e plena.
A eventual falta de masculinidade que pode existir num homem que vez por outra mantém relações sexuis com outros homens parece ficar diminuída ou "compensada" com o êxito profissional.

Masculinidade e feminilidade não são sobreponíveis, respectivamente, a homens e mulheres: são metáforas de poder e de capacidade de ação.

Fernando Seffner (2003)
Derivas da Masculinidade- Representação, Identidade e Diferença no Âmbito d
da Masculinidade Bissexual

 

Até que ponto o sexo virtual pode ser fonte de prazer?

Segundo a sexóloga e psicoterapeuta Carmen Janssen, autora do livro Massagem Sensual para Casais Enamorados, não há nada de errado com isso. O contato virtual pode, inclusive, ajudar as pessoas a serem mais articuladas para o sexo e no contato pessoal, já que pela Internet é preciso falar muito mais.

O médico psiquiatra Leonard Verea acredita que tanto o sexo virtual e até mesmo os sites de relacionamento são alternativas utilizadas pelas pessoas para suprir a solidão. "Hoje em dia, o mundo e a correria do cotidiano, diferentemente da época dos nossos pais, favorece a solidão. As pessoas não estão treinadas a socializar", diz o psiquiatra. "O medo do desconhecido, da rejeição e de encarar as próprias dificuldades faz com que as pessoas busquem o mundo virtual", acrescenta Verea.

Na opinião do curitibano D.A, 20 anos, que busca parceiras para o sexo virtual em salas de bate-papo, mas preferiu não ter o nome identificado, tanto os homens quanto as mulheres procuram o sexo na Web por diversão e curiosidade ou mesmo porque enfrentam problemas na vida sexual.

"Muitas mulheres com quem conversei entram nas salas por não conseguirem realização total com os parceiros, por medo ou vergonha de pedir algo", conta D.A.

A sexóloga Carmen Janssen concorda que a Internet facilita quem tem timidez no sexo. "A internet facilita o contato. No anonimato, as pessoas podem deixar de transparecer suas emoções ou extravasá-las", declara.

Entretanto, Verea alerta sobre os riscos que a prática excessiva pode causar. "Não existe problemas com o sexo virtual desde que haja limites. Casais podem ver as salas de bate-papo como uma maneira de renovar as fantasias. Os solteiros podem até mesmo transformar os relacionamentos virtuais em reais, o que não vale é a dependência da Internet e o esquecimento da realidade exterior", acrescenta.

"A relação sexual por meio do computador pode ser prejudicial quando a pessoa passa a se relacionar somente pela Internet", diz Carmen Janssen. "Não é saudável quando ela começa a perder o contato humano das relações interpessoais, o olho no olho, o toque, a voz, podendo vir a ter dificuldades nos relacionamentos pessoais", conclui a sexóloga.

Serviço:
Carmen Janssen - sexóloga, psicoterapeuta e autora do livro Massagem Sensual para Casais Enamorados
Endereço eletrônico: www.energiadoamor.com.br

Leonard Verea - médico psiquiatra com especialização em Medicina Psicossomática e Hipnose Clinica
Telefone: 5051-2055
Endereço eletrônico: www.verea.com.br
 

 

Sou gay e muçulmano. Como é tudo sempre escondido, sou somente usado e não recebo carinho. O que faço?

DÚVIDA:

Bem, a minha história é um pouco complicada, e nem sei se vais te interessar, porém eu preciso desabafar com alguém, entendes? Em primeiro lugar, eu sou gay, e sou muçulmano. Não é fácil viver escondendo dos outros a minha sexualidade, mas eu não tenho muita escolha. Todos sabem que no Islamismo homens e mulheres não têm contato livre com o outro sexo e que assim é muito frequente que haja relação sexual homoerótica, mas é tudo muito escondido. Eu nunca transei com mulher, apenas com homem, e sinto atração pelos mais velhos do que eu (eu tenho 22 anos), mas fazer sexo não é muito frequente na minha vida.

Em fevereiro, eu terminei um relacionamento de 1 ano e 16 dias com um cara de 37 anos. Eu o amava muito, mas ele confessou que só ficou comigo por necessidade econõmica, e a verdade é que me trocou por outro que ganhava muito mais do que eu. Eu gostava demais dele, ainda gosto. Quando nos separamos, já fazia 4 meses + ou - que não dormíamos juntos. Com ele, e com todos os caras com quem eu já fiquei, eu sou muito piegas, muito carente. Mas já cansei de pedir carinho e não ter, então eu nunca fui feliz no sexo.

Tenho sempre medo de não gostarem do que eu pedir. Gosto de dar prazer ao cara, não importa em que papel eu fique, se ativo ou passivo, embora no mais das vezes eu seja passivo, e até gosto. Amo carícia, toque... Será algum problema psicológico? Meus parceiros não me deixaram muito fazer sexo oral neles, querem logo o anal. E, ainda assim, não tocam no meu pescoço, nem nas minhas costas, nem nos meus mamilos - regiões do meu corpo em que eu sinto muita emoção. A parte do corpo que eu mais gosto neles são as mãos, que se são grandes, fortes e peludadas, me deixam louco! Mas elas sempre se recusam a me tocar... Eu também sinto tesão na boca, muito, e gosto de usar os meus lábios, coisa que raramente dá pra frazer. Odeio a rapidez com que o sexo acontece, e depois que ele termina, eu me sinto usado.

Me sinto, sei lá, andando por um caminho que só vai me entristecer. Porém mulheres está fora de questão para mim, não sinto nada pelo sexo oposto. A vida parece muito irônica paara mim, porque eu não gosto de mulher, mas também os homens não me fazem feliz nunca. Eu me sinto uma criança idiota.

PS.: Não precisa nem ler se não tiveres tempo... sei que está muito longo o texto. Acho que exagerei um pouquinho.

 

LETICIA LANZ RESPONDE:

Caro amigo,

A sociedade - sistemas políticos e religiões incluídas - costumam negar e desrespeitar o que há de mais divino no ser humano, que é a unidade de cada pessoa. Ao contrário, fragmentam as pessoas em mil pedaços, transformando-as em meros “papéis” com todo um elenco de atribuições e expectativas sociais a serem atendidas. A verdadeira religião seria aquela que pudesse promover o que o próprio nome “religião” indica, ou seja, a “re-ligação” dos “pedaços” em que o ser humano se transformou, em função da sua vida em sociedade.

Você é só mais uma das bilhões de pessoas que vivem infelizes nesse mundo, tentando equilibrar-se como podem entre o que cada uma é efetivamente e o que a sociedade esperaria que cada uma fosse. O seu conflito é só o mesmo e velho conflito entre os nossos desejos e os impedimentos e obstáculos que a sociedade interpõe no caminho para a sua realização.

Seu problema não é ser homossexual: - ser homossexual jamais foi e jamais será um problema. Seu problema é estar rodeado de pessoas e instituições que acreditam que ser homossexual é um problema e, por causa dessa crença, acham que você é doente, pecador, anormal e outras bobagens semelhantes.

Sua sensação de desconforto e desamparo provém do desajuste entre o que você é e o que a sociedade espera que você seja. A escolha que cada um de nós tem que fazer em algum ponto da vida é exatamente essa que você tem pela frente, ou seja, seguir os modelos tradicionais de conduta que nos foram ensinados - e que são a fonte principal de todas as nossas angústias - ou começar a expressar livremente a nossa verdadeira natureza individual, mesmo correndo o risco de desagradar umas tantas pessoas e estruturas.

A outra face do seu desconforto está relacionada à sua insatisfação com sua vida sexual. Você diz que não tem conseguido realizar-se sexualmente porque todos os seus parceiros querem ir logo para a parte final da relação, deixando-o carente das carícias e afetos que tanto deseja.

Também aqui, ainda que você não perceba, o “dedo” da sociedade está presente. Embora haja uma enorme diferença entre “sensualidade” e “sexualidade”, as pessoas – particularmente os homens – são educados para considerar as duas como se fossem uma coisa só. E não são.

Quando você busca por contato físico, toque, afagos, carinhos prolongados, estimulação lenta e gradual de zonas erógenas do seu corpo, você está tentando expressar e ao mesmo tempo suprir a sua sensualidade. Quando sua meta imediata é o “gozo orgásmico”, você está tentando expressar e ao mesmo tempo suprir a sua sexualidade.

É essa diferença, sutil e ao mesmo tempo radical, que está deixando você confuso e angustiado. Confuso, por ter “aprendido”, através de “condicionamento sócio-cultural” que sensualidade é apenas um “item auxiliar”, um mero acessório secundário, a serviço da sexualidade. Angustiado, por perceber que sexo, sozinho, não lhe permite satisfazer a sua sensualidade. Para isso, seria necessário muito mais do que penetrar e/ou ser penetrado na relação.

E aí vem a parte mais complicada da história. Homens em geral – héteros ou homossexuais – não recebem treinamento social que lhes permita expressar livremente sua sensualidade. Muito pelo contrário, são constantemente desaconselhados e impedidos de manifestar suas sensações corporais através de toque, contato físico e carícias. Portanto, a sensualidade masculina acaba ficando restrita apenas à região genital, que é o lugar natural de expressão da sexualidade. Esse, aliás, é o grande conflito entre o homem e a mulher: - ele, altamente reprimido em sua sensualidade; ela, completamente liberada.

Para satisfazer a nossa sensualidade, como você já percebeu, é necessário muito mais do que uma simples relação sexual. É preciso encontrar alguém que a gente goste de tocar, acariciar, beijar e que também goste de nos tocar, acariciar e beijar. Nem é preciso dizer que uma relação amorosa é o terreno mais fértil para que a sensualidade se manifeste naturalmente entre os parceiros, sem necessidade de nenhum artifício e sem ser um mero “recurso cênico auxiliar” da sexualidade.

De qualquer modo, se ainda não foi possível encontrar uma relação amorosa onde a sensualidade se manifeste de modo espontâneo entre os parceiros, você sempre pode – e deve – falar abertamente, seja com quem você venha a se relacionar, que só se satisfaz numa relação sexual onde existe a possibilidade de toque, de carinho, de beijo, de contato físico amplo, geral e irrestrito.

E assim como cabe a você declarar ao outro o seu desejo, cabe ao outro decidir se quer ou não participar com você de uma relação assim. Não se preocupe se o outro disser que não quer. O mundo é muito grande e você sempre acabará encontrando alguém que esteja desejoso de encontrar alguém como você.

Letícia Lanz
www.leticialanz.org

 

Uma visão espírita do homossexualismo sem o dissimulado purismo cristão

As múltiplas experiências humanas pela reencarnação e os repetidos contatos com ambos os sexos proporcionam ao espírito as tendências sexuais na feminilidade ou masculinidade e este reencarna com ambas polaridades e se junge, muitas vezes contrariado, aos impositivos da anatomia genital e da educação sexual que acolhe em seu ambiente cultural.

Consoante essas experiências tenderá para qualquer das duas opções e o fará nem sempre de acordo com sua aspiração interior, que poderá ser inverso ao que determina o meio socio-cultural.

Emmanuel ensina na obra “Vida e Sexo” que o “Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.”

([1]) Além disso há vários fatores educacionais que poderiam contribuir para despertar no indivíduo as tendências sepultadas nas profundezas de seu inconsciente espiritual.

E, ainda que desempenhe papéis de acordo com a sua anatomia genital e que seu psiquismo se constitua de acordo com sua opção sexual, poderá ocorrer que se desperte com desejos de ter experiências afetivas com pessoas do mesmo sexo. Tal ocorrência poderá lhe tumultuar a consciência caracterizando, por aquele motivo, um transtorno psíquico-emocional.

A convivência do espírito com o sexo oposto ao que adotou em cada encarnação, bem como aquelas na qual exerceu sua opção sexual, irão plasmar em seu psiquismo as tendências típicas de cada polaridade. Explica Emmanuel, a homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.”([2])

Na questão 202 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos: "Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?" "Isso pouco lhe importa” responderam os Benfeitores, “o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar"([3]) esclareceram os Espíritos. A genética tem tentado encontrar genes que explicariam a homossexualidade como sendo desvio de comportamento sexual.

A psiquiatria tenta encontrar enzimas cerebrais que poderiam influenciar no comportamento sexual. Mas a sede real do sexo não se acha no veículo físico, porém na estrutura complexa do espírito. É por esse prisma que devemos encarar as questões relacionadas ao sexo. Dia virá que “a coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos”.[4]

Não podemos confundir homossexualismo com desvio de caráter, até porque os deslizes sexuais de qualquer tendência têm procedências diversas. Suas raízes genésicas podem vir de profundidades íntimas insondáveis. “A própria filogênese([5]) do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando pelo vegetal e ao animal, para depois chegar ao homem, apresenta enorme variação de formas, inclusive a autogênese[geração espontânea] dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas”([6]), para alguns pesquisadores justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos.

Com a liberação sexual e a ascensão do feminino na sociedade contemporânea, a tolerância ao homossexualismo aumentou, permitindo que uma grande quantidade de pessoas que viviam no anonimato se expressasse naturalmente.

Chico Xavier explica de forma clara o seguinte, “não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais as tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedirá certo número de pessoas de trabalhar e de serem úteis a vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria.

Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”([7])

A Doutrina Espírita é libertadora por excelência. Ela não tem o caráter tacanho de impor seus postulados às criaturas, tornando-as infelizes e deprimidas. A energia sexual pede equilíbrio no uso e não abuso ou repressão. O Espiritismo não condena a homossexualidade, contrariamente, recomenda-nos o respeito e fraterna compreensão para com os que têm preferências homoafetivas.

Muitas vezes pode até ser alguém tangido pelo apelo permissivo que explode das águas tóxicas do exacerbado erotismo, somados aos diversos incentivadores pseudocientíficos da depravação, que podem estar desestruturando seu sincero projeto de edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.([8]) Por isso mesmo, não pode ser discriminado, nem rejeitado, pois, como admoesta Jesus, "aquele dentre vós que não tiver pecados, que atire a primeira pedra"([9])...

Como já vimos com Emmanuel no início desta exposição, não há masculinidade plena, nem plena feminilidade na Terra. Tanto a mulher tem algo de viril, quanto o homem de feminil. Antigamente a educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo ambisséxuo, em seu sexo natural.

Assumir a homossexualidade não significa mergulhar em um universo de atitudes extremadas e desafiadoras perante seu grupo de relacionamento familiar ou profissional, “mas fazer um profundo exercício de autoaceitação, asserenar-se por dentro a fim de poder reconhecer perante si mesmo e todo seu círculo de amigos e parentes que vive uma situação conflitante.

O verdadeiro desafio é a construção interna para superar os desejos. E não estamos aqui referindo-nos exclusivamente a desejo sexual e sim a toda espécie de desejos que comandam a vida das criaturas.” ([10])

Emmanuel enfatiza que “O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie [homossexual], somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade devidos às criaturas heterossexuais.

”([11]) O homossexualismo não deve, pois, ser classificado como uma psicopatia ou comportamento merecedor de discriminação ou medidas repressivas. O homossexual, especialmente o "transexual", merece toda a nossa compreensão e ajuda, para que ele possa vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento.

Outra questão extremamente controvertida, para muitos cristãos, é a possibilidade da união estável (casamento) entre duas pessoas do mesmo sexo. Ante a miopia preconceituosa do falso purismo religioso da esmagadora maioria de cristãos supostamente “puros”, isso é uma blasfêmia. Isto torna o tema bastante complexo e, portanto, aberto para discussões. Porém, após refletir bastante sobre o assunto e, sobretudo, tendo como alicerce as opiniões de Chico Xavier, entendemos que a união estável (casamento) entre homossexuais é perfeitamente normal, sim.

Só conseguiremos entender melhor a questão homossexual depois que estivermos livres dos (pré)conceitos que nos acompanham há muitos milênios. Arriscaríamos a afirmar, que a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, é um avanço da sociedade, que estará apenas regulamentando o que de fato já existe.

Seria lícito a duas pessoas do mesmo sexo viverem sob o mesmo teto, como marido e mulher?

A propósito, vasculhando fontes sobre esta mesma indagação encontramos em Folha Espírita a resposta de Emmanuel “A esta indagação o Codificador da Doutrina Espírita formulou a Questão 695, em O Livro dos Espíritos, com as seguintes palavras: ‘O casamento, quer dizer, a união permanente de dois seres, é contrário a lei natural?’ Os orientadores dos fundamentos da Doutrina Espírita responderam com a seguinte afirmação: ‘É um progresso na marcha da humanidade.’ Os amigos encarnados no plano físico com a tarefa de sustentar e zelar pelo Cristianismo Redivivo, na Doutrina Espírita, estão aptos ao estudo e conclusão do texto em exame.”([12]) (grifamos)

Tanto o homossexual como o heterossexual devem buscar a sua reforma interior, não cedendo aos arrastamentos provocados pelos impulsos instintivos e sensuais. O que é ilícito ao hetero, também o é ao homossexual, ambos precisam “distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-las contra os desvios suscetíveis de corrompê-las. O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma”([13])

Mister, portanto, reconhecer que ao serem identificadas os pendores homossexuais das pessoas nessa dimensão de prova ou de expiação, é imperioso se lhes oferte o amparo educativo pertinente, nas mesmas condições que se administra instrução à maioria heterossexual da sociedade.

Acreditamos, por fim, que estas idéias poderão levar, a quantos as lerem, a meditar, em definitivo, sobre o assunto , lembrando que o homossexualismo transcende em si mesmo a simples questão da permuta sexual.

Fontes de Referência:
([1])Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.
([2]) Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.
([3])Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. Feb, 2000, perg. 202
([4])Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.
([5]) Filogenia (história evolucionária das espécies) opõe-se à ontogenia (desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação até a maturidade para a reprodução.)
([6])Disponível em <http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/homossexualismo-e-vampirismo.html>acessado em 21/04/06
([7]) Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Março de 1984
([8]) A recomendação do Espiritismo para o respeito e a compreensão para com os irmãos que transitam em condições sexuais inversivas (homossexualismo) ocorre em função do sentimento de fraternidade ou caridade que deve presidir o relacionamento humano, mas igualmente pelo fato de que nenhum de nós tem autoridade suficiente para condenar quem quer que seja, pois todos temos dificuldades morais e/ou materiais graves que precisam de educação.
([9])João, cap. VIII, vv. 3 a 11
([10])Disponível em <http://www.irc-espiritismo.org.br/irc_resp_sexualidade.html>acessado em 21/04/2006
([11])Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.
([12]) Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Julho de 1984.
([13]) Xavier, Francisco Cândido. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

Artigo gentilmente cedido por Jorge Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília Espírita "

O estigma da transgeneridade e a ação afirmativa

Na antiga Grécia, escravos, criminosos e traidores recebiam marcas nos corpos como forma de serem distinguidos – e discriminados - em locais públicos. O termo “estigma” era usado para designar tais sinais e, por conseqüência, passou a designar qualquer sinal corporal ou comportamento moral capaz de desqualificar uma pessoa para o exercício da vida em sociedade.

As três principais vertentes de aplicação do estigma são as deformidades corporais visíveis, as chamadas “fraquezas de caráter” e a prática de atos considerados socialmente “abomináveis”.

O estigma é gerado pela desinformação e pelo preconceito e cria um círculo vicioso de discriminação e exclusão social, que perpetuam a desinformação e o preconceito. As conseqüências para as pessoas que sofrem o estigma são muito sérias pois, no dia a dia das relações interpessoais, os estigmatizados não são nem mesmo considerados “humanos”.

Os preconceitos estigmatizantes contra pessoas transgêneras são fruto da ignorância e de uma consciência social moralmente hipócrita, herança de milênios de dominação patriarcal. Como qualquer outra categoria de cidadãos, as pessoas transgêneras devem ser julgadas pelos seus méritos e não pelo estigma ligado ao seu modo de se expressar no mundo.

Ao perceberem a gravidade do estigma social que paira sobre suas cabeças, a maioria das pessoas transgêneras passam suas vidas “no armário”, olhando para os dramas dos seus pares “assumidos” e dizendo: “isto não me vai acontecer comigo de modo nenhum, não sou maluco, tenho um emprego estável, uma família sólida”; “prefiro sofrer calado do que ser identificado como alguém assim”.

Com base na discriminação resultante do estigma, pessoas transgêneras escondem-se frequentemente por trás de “disfarces socialmente aceitáveis”, de modo a manter absolutamente secreta a sua transgeneridade. A necessidade de esconder sua condição resulta do medo de ser rejeitado e desvalorizado, como se fosse uma pessoa de “segunda categoria”, membros de um grupo indesejável, subentendendo-se que serão sempre “desviados”, recusando-lhes o direito de serem considerados cidadãos como os outros.

Por causa do estigma e da discriminação, as pessoas transgêneras são frequentemente tratadas com desrespeito, desconfiança ou medo, tornando ainda mais difícil que elas aceitem a sua condição e convivam com ela da maneira mais confortável, natural e rotineira possíveis.

O estigma e a discriminação impedem as pessoas transgêneras de trabalhar, estudar e de se relacionar com os outros. Esses impedimentos são sentidos de maneira ainda mais drástica por pessoas transgêneras que se originam dos extratos de mais baixa renda da população.

Pessoas transgêneras não são “maníacos sexuais”, não têm "dupla personalidade", não são perigosas nem “atacam” os outros. No entanto, o público em geral, e até mesmo alguns profissionais de saúde, tendem a manter uma imagem estereotipada e bastante deformada de pessoas transgêneras. Além de destruir a auto-estima, a discriminação também cria isolamento e exclusão social. Inúmeros estudos têm mostrado que o estigma social é o fantasma que mais atormenta a vida de pessoas transgêneras. A incompreensão e a rejeição dos outros, principalmente dos outros mais próximos, como pais, esposas, colegas de trabalho, etc., exercem um efeito devastador na imagem que a pessoa transgênera tem de si própria, reforçando nela uma espécie de auto-estigma, capaz de leva-la a profundas crises de culpa, depressão e até mesmo ao suicídio.

Por que as pessoas transgêneras são estigmatizadas? Porque a família, a escola, a igreja, os vizinhos, as empresas e a comunidade em geral, profundamente influenciados pela “moralidade religiosa”, acostumaram a ver o comportamento transgênero como desvio de conduta, “fraqueza moral” ou mero “capricho sexual”, totalmente superável, bastando para isso que a pessoa queira abster-se dos “atos deploráveis” que pratica em virtude de tal “veleidade”...

A mídia poderia contribuir muito para erradicar o estigma em torno da condição transgênera, promovendo a educação do grande público acerca desta condição. Entretanto, acaba sendo mais prejudicial ainda ao divulgar conceitos errados ou negativos a respeito da transgeneridade, reforçando-os em grande escala.

Os debates televisivos e outros programas sensacionalistas mostram, com frequência, uma versão unilateral e estereotipada de categorias de pessoas transgêneras, apresentando-as ao grande público, na melhor das hipéteses, como “curiosidades circences” ou “excêntricos sexuais” – jamais como pessoas normais, perfeitamente integradas na vida da comunidade. Alguns programas de humor, ridicularizam sistematicamente as pessoas transgêneras, lançando mão da sua forma particular de expressão na sociedade como fonte de humor mórbido e insalubre. Alguns anúncios comerciais divulgam imagens estigmatizantes de pessoas transgêneras, como recursos promocionais para a venda de seus produtos, invariavelmente apresentando-os de maneira ridícula e desrespeitosa.

Individualmente, nenhuma pessoa transgênera poderá cobrar da sociedade o reconhecimento e o respeito aos seus direitos plenos de cidadania. Tal como outras “ações afirmativas” de grupos socialmente estigmatizados, a Ação Afirmativa da Transgeneridade é o instrumento oportuno e necessário para assegurar-se o respeito da sociedade aos direitos de um grupo de cidadãos hoje discriminados em função da sua expressão diferenciada de gênero.

Letícia Lanz
www.leticialanz.org

leticialanz@yahoo.com.br

 

Tenho vontade de estar com outros homens. Amo minha esposa e quero contar para ela. O que devo fazer?

DÚVIDA:

Boa noite, tenho vontade de me abrir para minha esposa sobre a vontade de sentir e de ser penetrado novamente por um pênis de verdade. Explico: - quando transamos ela sempre faz carinhos no meu ânus e às vezes me penetra com consolos que temos em casa e ainda ao meu ouvido diz coisas que me deixam alucinado como "é isso que você quer? uma pica de verdade?", entre outras... Bem, eu adoro ser penetrado por picas da verdade mas ela não sabe... Eu acho... Tenho vontade de revelar a ela as inúmeras vezes em que fui uma verdadeira fêmea para outros homens. O que devo fazer? Me ajude!!!

LETICIA LANZ RESPONDE:

Até muito recentemente, a homossexualidade era tida como pura sem-vergonhice e grave desvio de conduta moral. Qualquer pessoa que desejasse sentir prazer, transando com indivíduos do mesmo sexo, estaria sujeito a terríveis sanções por parte da sociedade. A rigor, ainda é assim em muitas partes do mundo, como você deve saber.

Entretanto, as coisas mudaram e continuam mudando muito, de uns vinte anos para cá. De tal forma que até mesmo aqui no Brasil, que gosta de ostentar uma fachada de liberal e progressista mas que, no fundo, ainda é um país muito conservador, a homossexualidade foi descriminalizada (ou seja, não é mais crime ser homossexual) e desmedicalizada (ou seja, não é mais tida como doença, nem física, nem mental).

A única coisa que ainda permanece viva é a tradição de que macho tem que ser macho, o que inclui evidentemente transar apenas com mulheres. O problema é que nem todo macho nasce com orientação heterossexual. Segundo os estudos científicos mais recentes, estima-se que 10 a 15% da população de machos nasce com orientação homossexual. Mais uns 10 a 15% nascem com orientação hetero e homossexual, ou seja, são bissexuais.

Pelo seu perfil, é bem provável que você tenha orientação bissexual, ou seja, goste de transar tanto com mulheres quanto com homens. Como também pode ser que você tenha orientação apenas homossexual mas, preocupado em atender as exigências das “tradições”, contraiu matrimônio a fim de dar satisfação à sociedade e manter-se à salvo, dentro das aparências.

Qualquer que seja a sua orientação sexual, quero lhe dizer que ela é normal e é legal. Você não precisa manter-se refém do seu próprio desejo, nem envergonhar-se, nem desesperar-se por querer buscar a forma de prazer com a qual o seu corpo realmente se satisfaz.

A única questão que eu sempre levanto, no caso homossexuais ou bissexuais casados, é a necessidade de buscarem, o quanto antes, um diálogo franco e honesto com suas esposas.

Vida a dois requer confiança e intimidade absoluta entre os parceiros e questões envolvendo a sexualidade do casal, quando omitidas pelas partes, poderão minar a relação de modo incontornável e definitivo. Portanto, o melhor que você faz é preparar-se para revelar à sua esposa, o mais cedo possível, esse seu desejo por relações homossexuais, mesmo porque, pelo que você descreve, é muito pouco provável que ele desapareça por si mesmo. Ou seja, você vai ter que conviver com esse desejo com o qual, aliás, já vem convivendo há bastante tempo.

Mas esse é um papo delicado que exige muita preparação da sua parte. Antes de mais nada, é preciso reconhecer e aceitar a sua orientação sexual predominante. Pode ser até mesmo necessária a ajuda de um profissional da área psi. Não hesite em busca-la se sentir que está difícil encontrar sozinho uma solução.

Quanto à sua mulher aceitar ou não a sua orientação sexual, essa é outra história que, evidentemente, só diz respeito a ela. Tal como você, ela também é livre para decidir fazer o que julgar melhor para ela.

O que eu gosto sempre de lembrar, para pessoas que, como você, mantêm relacionamento sexual fora do matrimônio, é da necessidade de se resguardar tomando os cuidados necessários na hora de transar (leia-se camisinha), a fim não apenas de se proteger, mas também de proteger sua esposa que, num descuido seu, pode ser desnecessariamente contaminada por alguma DST.

Beijos,

Letícia Lanz

Se você tem alguma dúvida..... mande seu relato, com o maior número de detalhes possíveis e seja atendida no Divã da LANZ - um lugar especial que irá acolher seu coração e te mostrar novos horizontes. Escreva para casadamaite@gmail.com

 

 

 

Transgenerismo, Transgeneridade e Posgenerismo

Embora a palavra “transgenerismo” seja usada como rótulo genérico para indivíduos portadores de Transtorno de Identidade de Gênero - transexuais, em particular – esse termo também designa um movimento sócio-político bastante amplo, surgido no final do século XX, na esteira das conquistas dos gays e lésbicas, que busca a defesa dos direitos e interesses de pessoas transgêneras, assim como a afirmação do orgulho transgênero.

O movimento transgênero – ou simplesmente movimento “trans” ou T* - tem sido desde o começo um imenso guarda chuva, incorporando demandas tão diversas quanto de pessoas transexuais, travestis (crossdressers), dragqueens e dragkings, andróginos, transformistas, indíviduos intersexuados e quaisquer outros indivíduos não-conformes ao código binário de gênero masculino/feminino. Em síntese, o movimento acolhe pessoas que por qualquer motivo não se comportam de acordo com as expectativas sociais do gênero em que foram enquadradas ao nascer. Todo esse imenso contingente humano esteve durante muito tempo abrigado dentro do movimento de Gays e Lésbicas, mas aos poucos foi se destacando dele, na medida em que suas demandas específicas e tão diferenciadas começaram a vir à tona.

Durante a primeira década desse século XXI, o transgenerismo ganhou estrutura e fôlego, sobretudo em países do hemisfério norte, onde inúmeras organizações públicas e privadas trouxeram voz e força aos movimentos para a afirmação da pessoa transgênera na sociedade.

Foi também nesta década que se começou a falar, ainda que muito difusamente, de “transgeneridade” como uma terceira opção de gênero, além das duas alternativas oficiais existentes (masculino e feminino).

No Brasil, o movimento transgenerista ainda é bastante incipiente, se que é pode ser reconhecido como um movimento estruturado. Há, sim, muita articulação entre os órgãos de defesa dos interesses de transexuais e travestis, mas nenhuma organização se apresentou até agora como porta-voz do movimento transgênero em nosso país.

Simultaneamente ao avanço do movimento transgenerista em países do primeiro mundo, o final do século XX assistiu o surgimento de um “Movimento Posgenerista”, cuja proposta vai muito além da defesa dos interesses desses “outros gêneros” historicamente excluídos do modelo binário oficial masculino/feminino.

Na verdade, o Pós-Generismo advoga em essência a extinção total dos gêneros. Um dos principais argumentos dos que antevêem o fim dos gêneros é o crescimento vertiginoso das técnicas de biotecnologia avançada que têm levado a reprodução humana assistida para campos até agora imagináveis apenas em filmes de ficção científica. Mas o principal argumento dos posgeneristas é que a existência de apenas dois gêneros, estabelecidos a partir do sexo biológico das pessoas tem funcionado como mecanismo de repressão dos indivíduos e forte impeditivo do desenvolvimento de uma sociedade humana mais justa e igualitária.

Embora o femininismo radical defenda a pura e simples extinção do gênero masculino, alguns defensores mais moderados do posgenerismo predizem que o ser humano do futuro deverá ser basicamente um indivíduo andrógino, reunindo em si o que há de melhor nos “códigos sócio-culturais” da masculinidade e da feminilidade. Antes de serem “machos” ou “fêmeas”, “homens” ou “mulheres” ou “transexuais” ou “travestis” ou quaisquer outras categorias, os seres humanos de um futuro não muito distante serão apenas “pessoas humanas”, liberadas para exibir o melhor da espécie humana, por não estarem mais submetidas aos rígidos esquemas de comportamento e expectativas de desempenho social ligados a gênero.

Por outro lado, como o espaço de interação humana tende a ser cada vez mais virtual nessa era digital, os defensores do pós-generismo advogam que as rígidas estruturas de gênero, sexo e sexualidade nas quais temos vivido até hoje, tendem a diluir-se e ao mesmo tempo diferenciar-se ao infinito, de modo que se tornará praticamente impossível classificar qualquer ser humano em função desses critérios, como ainda se faz atualmente no mundo real. Porém, no mundo virtual, essa indistinção de sexo e gênero já é fato consumado. Ao navegar na Internet, por exemplo, é impossível saber se um eventual interlocutor é homem ou mulher, mesmo que ele se apresente de uma ou de outra forma.

A tecnologia, por seu turno, permitirá que as transformações corporais nos indivíduos tornem-se procedimentos tão corriqueiros que joguem por terra a terrível burocracia hoje existente em torno de tais transformações.

Para quem nasceu, cresceu e está vivendo em um “mundo generado” é simplesmente impossível, para não dizer “terivelmente ameaçador” pensar em um mundo assim, completamente sem gênero (ou, se preferirem, com tantos gêneros quantas pessoas existirem). Mas, embora pareçam possibilidades bastante remotas, as tecnologias necessárias para que isso tudo aconteça não só existem como continuam sofrendo avanços exponenciais.

Enquanto os cavalos continuam aparentemente no mesmo trote, o posgenerismo é mais do que oportuno como reflexão do gênero como instituição social “em fim de carreira”. É preciso por em cheque cada vez mais o que as pessoas “deveriam” ou “não deveriam” fazer em função do seu sexo biológico, a partir do seu enquadramento em um dos dois gêneros existentes. Apesar de ser o principal mecanismo repressor e embotador das melhores qualidades humanas, é sobre essa dualidade, totalmente supérflua no mundo atual, que continua estruturada toda a vida social do planeta.

Ao advogar o fim do gênero como critério de enquadramento dos seres humanos – o movimento posgenerista dá um novo enfoque a um dos pilares do próprio movimento transgenerista – que é a contestação da existência de apenas dois gêneros para enquadrar as infinitas possibilidades de expressão dos seres humanos.

Escreva diretamente para mim dando sua opinião. Vamos conversar?

Leticia Lanz
leticialanz@yahoo.com.br

Para as bonitonas encalhadas

As solteiras de plantão abrem um coro silencioso na hora de explicar porque é que estão encalhadas.

E o silêncio tem uma razão simples: elas não sabem! Muitas ficam para ‘titia’ sem saber o motivo e acabam culpando o resto do planeta pela solteirice. O que a advogada Laura Henriques, autora do livro “A Bonitona Encalhada” (Leitura, 2009), tem a dizer sobre o assunto é que: alô meninas, não há culpado! “O problema todo é que a culpa não é sua, nem minha, nem nossa. Infelizmente, nem deles, que poderiam nos desencalhar”.

O livro dessa mineira divertida acaba de chegar às prateleiras e promete fazer rir. Sem descobrir a receita para mudar de estado civil, ela resolveu escrever tudo que sente e pensa sobre a própria situação. O livro é consequência do blog de Laura, que bombou em comentários de outras mulheres na mesma situação.

E o que ela tenta explicar é que a mulher não vai descobrir se está sozinha porque decidiu ficar em casa naquela sexta à noite. E o motivo também não é o vestido vermelho curto que usou, ao invés do verde, longo e muito menos aquele e-mail enviado ao amigo da faculdade. Estar no banho quando o celular toca e o número é desconhecido também não é razão da sua solteirice. O que a leitora descobre - assim como Laura fez - é que não há motivo óbvio (nem ela sabe porque está encalhada).

O desespero de Laura seguiu a linha cronológica da vida (e das festas). Primeiro são os aniversários, depois os bailes de debutantes. Aí vem as formaturas e plim, os convites de casamento. “Suas amigas mais velhas te mandam os primeiros. Depois uma prima precoce, as amigas da vida inteira, algumas até mais novas. Quando você se dá conta, percebe que você virou exceção num mundo em que a regra é ser feliz até que a morte os separe”.

No meio de muito choro e frustração e a partir de desabafos desconexos e desordenados, Laura passou a refletir sobre essa sensação que a agoniava. “Deu uma vontade de expor o que vivia e perguntar para o mundo: só eu estou passando por isso?” A pergunta não demorou a ser respondida e indicaram que a situação se repete com personagens diferentes. “Eu sei que meus casos, com todas as suas especificidades, são apenas meus. Mas de alguns deles e da convivência com tantas bonitonas que me cercam, extraí que há sim padrões de experiências”.

Para as bonitonas encalhadas

Nessa entrevista especial para o Vila Dois, você vai descobrir o que é “Teoria do Encalhamento” - mas não adianta tentar encontrar respostas definitivas. O assunto não se esgota. Para Laura, o importante mesmo é ter amor próprio para ser feliz em qualquer estado civil. E lembrar: estar solteira é diferente de estar encalhada.

Que tipo de mulher pode se considerar “A Bonitona Encalhada”?
Quando comecei a escrever, achava que a única bonitona encalhada do mundo era eu. Hoje acho que qualquer mulher, com mais de 25 anos, formada e bem informada, com um emprego promissor mas que, por razões que independem completamente de sua vontade, não tem perspectivas de casar, pode se considerar uma bonitona encalhada. Além disso, ela tem que conviver com o casamento das amigas, das primas, das colegas e lidar, com o bom humor que lhe resta, às pressões (familiares, sociais e próprias) sobre seu tão sonhado casamento.

Quando é que elas sentem que vão ficar pra titias? O que fazer?
A partir do dia em que as amigas começam a se casar, acho que as expectativas aumentam. Porém, em termos de idade, acho que a proximidade dos trinta anos também potencializa a angústia. Não sei o que fazer. A minha saída foi fazer um blog e aprender a rir de mim mesma e entender que, no fundo, não é o estado civil que importa. Não há regras, obviamente. Mas uma boa ideia é lidar com bom humor e não se desesperar.

Falta homem no ‘mercado’ ou as mulheres estão mais exigentes?
Acho que não há falta de homens. Tanto que várias amigas minhas estão casadas. O que acontece é que os homens estão mais imaturos, vivem com os pais, só querem saber de viajar com os amigos e frequentar boates e baladas em geral. Além disso, os tempos estão mais difíceis. O mercado de trabalho exige muito e a formação não acaba com o curso superior. Tudo isso demanda tempo e dinheiro. As mulheres, no entanto, têm o relógio biológico e querem que as coisas aconteçam como nos filmes e nos sonhos. Acho que as prioridades dos homens e das mulheres é que estão um pouco descompassadas.

O que é a “Teoria do Encalhamento”?
A teoria do encalhamento é a resposta que criei para as pessoas que me falavam “mas você não é encalhada, você tem namorado!" Independentemente de ter ou não namorado, acho essencial estar num relacionamento em que os planos e os sonhos sejam mais ou menos compatíveis. Está encalhada quem sonha sozinha. Como eu brinco na Teoria, de que adianta você namorar há mil anos e colecionar panos de prato se o seu respectivo só se importar com a viagem com os amigos no fim de ano?

É possível ser uma bonitona encalhada feliz?
Claro. Sou muito feliz. No meu caso, brinco que só estou realizando o maior sonho da minha vida, de ser escritora, porque estou encalhada. Então, posso dizer que o encalhamento é a melhor coisa que me aconteceu! Agora, nem quero mais desencalhar! (Até parece...)

Por Sabrina Passos (MBPress)

 

Será que é fácil viver uma relação desconfiando do parceiro?

Sentir ciúmes é muito chato e pode ser um dos sentimentos mais incômodos que existem. Mas, como tudo que surge desagradável de dentro de nós, melhor é enfrentar. Dar nome a coisa, aceitar que sente, respirar a sensação, transmutar. É isso que liberta. Não dá para ficar como refém, apegado a energias desta natureza.

É importante assumir a própria responsabilidade por isso, ao invés de ficar por aí projetando no outro o que não é dele. Gente muito ciumenta geralmente é intransigente e controladora, não apenas com os que gostam, mas em tudo que fazem. Isso pode ser também reflexo da carência de algo que acabou comprometendo a auto-credibilidade. Quem não acredita que pode ser amado e respeitado, tenderá muito mais a viver desconfiando de tudo e de todos. Esse descrédito pessoal gera baixa auto-estima e a crença de que se é menos belo, menos inteligente, menos atraente, menos interessante... Transformar tudo isso em auto-apreço e auto-permissão para se dar e viver mais prazer pode até não resolver de todo a questão do ciúme, mas já ajudará bastante .

 

Hoje, quando resolvi escrever esse post, descobri que, antes de tudo, eu deveria fazer uma ‘aula’ para poder falar com mais autonomia. Depois de uma longa conversa no Messenger, percebi que escrever sobre confiança é discutir uma grande incógnita em todos os relacionamentos (e posso não chegar a lugar algum com esse texto). Por mais que as pessoas afirmam, atualmente, que confiam em seus parceiros com plenitude, sempre há um pé atrás em relação aos atos das pessoas. Mas vamos lá, de acordo com a Wikipédia, confiar “é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a”. Mas, na vida real, é tão fácil assim?

O amor dos tempos atuais, tão questionado e discutido, geralmente é só mais uma atração para a maioria dos jovens, logo, é passageiro. No geral, ninguém espera que a primeira ficada da sua vida seja a última de todas, chegando ao “até que a morte os separe” logo de cara. Quando ficamos completamente apaixonados - e digo apaixonados mesmo, com todos os benefícios e males que o amor pode causar a alguém - queremos, por mais inconsciente que seja, ter certeza de que a pessoa amada será completamente nossa. E só nossa! Mas com a internet e as facilidades que dela provém, a traição se torna rápida e imperceptível. Hoje é possível conversar com alguém no Messenger sem que ninguém desconfie de nada, marcar um encontro em qualquer lugar e depois nunca mais ver a pessoa, só para satisfazer o desejo, que é efêmero e rápido. Bem diferente do amor, que, conforme esperamos, deve durar para sempre.

Mas até onde a desconfiança pelo outro vale a pena? Se você anda muito preocupada com isso, antes de fazer uma besteira, sente e converse. Em toda a relação devemos ter pleno conhecimento da vida do outro e liberdade para conversarmos de igual para igual. Ninguém é melhor que ninguém em um namoro, os dois estão ali, no mesmo barco, juntos, lutando pelo mesmo ideal. Logo, se você não tem liberdade o suficiente para conversar e deixar claro o que pensa, é melhor rever em que pé está essa relação.

Claro que isso leva um tempo para nascer e se desenvolver. Se, de um lado, não há movimentação, então tome a frente você e comece a deixar espaço para que o outro te indague, deixando bem claro o que você realmente quer. Lembre-se: quando você se joga em qualquer casinho, você perde a possibilidade de se relacionar abertamente com outras pessoas (a não ser que vocês tenham algo aberto). Se ficar sempre prospectando por aí, o outro nunca conseguirá confiar em você também.

É complicado gostar de alguém e viver em dúvidas com relação ao próprio sentimento, coisas do tipo ’será que tá valendo a pena?’ ou ‘tenho certeza que ele me traí’ só fazem com que você se sinta mais deprimida e insegura, o que gera mais desconfiança. Infelizmente, não vejo uma maneira de acabar com esse sentimento, mas sempre há formas de diminuí-lo. Ser transparente é o ideal. Mostre, sem vergonha ou medo algum, que você está ali com um propósito: amar e ser amado, unicamente, sem ninguém mais no meio. Fazendo isso, o outro, provavelmente, irá querer mostrar para você o que realmente quer
e houver vontade de mudar.

 

Dez dicas para aumentar as chances de começar um namoro

Falta menos de um mês para o Dia dos Namorados e a proximidade começa a incomodar boa parte dos solteiros de plantão. É claro que alguns nem ligam para a data e estão satisfeitos com a condição atual, mas outros apostam em tudo para encontrar uma paixão, até mesmo deixar o pobre do Santo Antônio de ponta cabeça ou fazer passeatas pelas ruas, como o Movimento dos Sem Namorados fez no Rio de Janeiro e em São Paulo fez nos últimos dias.

Mas, afinal, por que é tão difícil para certas pessoas acharem um bom cobertor de orelha? "É que tem gente que não frequenta locais propícios, é muito exigente, é tímida, não sabe conversar ou não sabe paquerar. Ou seja, tem dificuldades que se tornam empecilhos", diz o psicólogo Ailton Amélio da Silva, que lança neste mês o livro Relacionamento Amoroso: Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar Dela (Publifolha, 304 páginas, R$34,90).

Um detalhe que merece destaque é que não existe parceiro perfeito. "Existem pessoas compatíveis. Elas contam com qualidades que o outro aprecia e defeitos que não incomodam tanto."

O psicólogo, que também é professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), acredita que a idéia de que os opostos se atraem raramente é transferida para a realidade. Segundo ele, estudos mostram a importância da similaridade para evitar muitos atritos e desencontros. "Tem de haver similaridade, atração e amor."

Disposto a encontrar alguém e, quem sabe, engatilhar um relacionamento? Então, confira dez dicas do profissional para aumentar as suas chances. São dicas simples, mas que podem gerar bons resultados. É claro que uma ajudinha da sorte também é sempre bem-vinda, não? E que fique bem claro que não basta conhecer uma pessoa interessante, tem de se empenhar e cuidar do relacionamento.

1- Como é muito improvável que um futuro parceiro bata na porta de sua casa, o primeiro passo é não ficar trancafiado;

2- Vá a locais provavelmente freqüentados por pessoas compatíveis e conhecidas. Por exemplo: reunião de condomínio, grupos de discussão, faculdade, festas, trabalho. Iniciar namoros com alguém que já conhece ou faz parte do seu círculo de relações diminui as chances de más surpresas quanto às suas características pessoais. Um estudo realizado pelo psicólogo e um mais amplo, nos Estados Unidos, indica que espaços menos restritos e freqüentados por desconhecidos, como barzinhos e baladas, favorecem relacionamentos mais superficiais. Mesmo assim, não precisa descartá-los. A internet também é uma alternativa;

3- Quando sair, nem pense em apostar na camuflagem. Não fique nos locais mais discretos, longe das passagens;

4- Aparência não é a qualidade mais importante para um relacionamento. Mas é impossível dizer que não tem relevância alguma. Por isso, evite o desleixo e cuide-se. A auto-estima agradece;

5- Caso se interesse por alguém, aumente as chances de contato. Aproxime-se ou pergunte alguma coisa;

6- Uma das dúvidas é: "O que falar?". O psicólogo recomenda a "conversa-contato", que se assemelha às de elevador. Comente ou pergunte algo sobre o ambiente ou o que aconteceu momentos antes, como "A festa está animada, não?", "Pegou trânsito para chegar aqui?". É um começo neutro, sem perguntas polêmicas ou invasivas;

7- Aliás, saber conversar ajuda, e muito, a iniciar e manter um relacionamento. A dica para ser bom de papo é aproveitar as informações gratuitas. Funciona assim: se questiona onde a pessoa mora e ela responde acrescentando algo (como viver com os pais ou gostar do lugar), aproveite a informação extra para fazer novas perguntas. Quando responder, também adicione algo;

8- Seja gentil e mostre interesse pelo que o outro está dizendo. Risque da lista ser discreto ou indiscreto demais, negativismo e só falar sobre seus assuntos. Bom senso é fundamental até na paquera;

9- Quando estiverem juntos, procure não ficar muito distante. Sentar cada um de um lado da mesa, por exemplo, dificulta o entrosamento;

10- O toque é muito importante. Mas não logo de cara, para não parecer atrevido ou invasivo. Durante o bate-papo, o toque deve tornar-se mais freqüente, demorado e carinhoso. É uma maneira de demonstrar interesse e avaliar o da outra pessoa.

 

10 dicas para descobrir se ele é um idiota em potencial

A publicitária Rennata Alarcon, que resolveu dividir com todo mundo oito histórias de amor que não deram certo e escreveu o livro “Homens Idiotas que Você Precisa (Ou Não) Conhecer Antes de Morrer” (Editora LivroPronto) dá 10 dicas para que as mulheres percebam, mais rapidamente, se ele é um "idiota" em potencial:

1.Se ele mente sobre coisas básicas (o que faz, o carro que tem...) pode ter certeza que é idiota, mais pra frente vai mentir de novo.

2. Se ele pede seu telefone e não te liga, não vá atrás achando que ele perdeu seu número.

3. Se tenta te seduzir com o kit do amor no primeiro encontro (jantar a luz de velas, abre a porta do carro, motel caro) e depois que você se deixa levar, ele some.

4. Se ele sumir no final de semana e só te chamar para sair durante a semana é roubada.

5. Se no primeiro encontro, não pagar a conta, é furada também.

6. Se o cara está com você em algum lugar público olhando para todo o redor, é com certeza um idiota.

7. Se ele te chama para sair e cancela na última hora dando uma desculpinha qualquer.

8. Se depois de um encontro você ligar e ele não retornar, esquece, esse é dos piores.

9. Se você está com ele há mais de 3 meses e ele não quiser assumir compromisso, tome cuidado.

10. Se ele não pára de te ligar, mas nunca arruma um tempo para te ver, corra antes que seja tarde.

Por Karina Conde

 

Tenho vontade de terminar meu casamento e ir morar com uma travesti. Será que por gostar de travesti eu sou gay?

DÚVIDA:

Olá, tudo bem? Eu me chamo Guilherme tenho 32 anos e sou casado, mas tenho muita atração por travestis. Tenho vontade de terminar meu casamento e ir morar com uma travesti. O que será que devo fazer pois, no momento, estou gostando mais de travesti do que de mulher, e isso eu não consigo mais controlar. Será que por gostar de travesti eu sou gay?

LETICIA LANZ RESPONDE:

Caro Guilherme,

Gostar não depõe contra ninguém. Odiar, sim, é fato muito feio e vergonhoso. Ter prazer não é vergonha pra ninguém. Desconforto e desprazer são, sim, coisas muito feias e vergonhosas. Todo mundo devia fazer tudo para ser feliz pois, pessoas infelizes, acabam contribuindo para que outras pessoas sejam infelizes também.

Senti você confuso não apenas quanto ao seu sentimento, mas também – e sobretudo - quanto à sua sexualidade. “Será que eu sou gay?” é algo que parece lhe incomodar muito mais do que a idéia de “correr atrás do seu desejo, fazendo aquilo que lhe dá prazer”. Essa preocupação “mais do que exagerada” pela orientação sexual é muito comum entre homens, cuja educação estimula tanto um “embotamento” dos sentimentos quanto um medo tremendo de “manchar a própria masculinidade” praticando alguma forma de “sexualidade errada”.

Acontece que não existe nenhuma sexualidade certa e nenhuma sexualidade errada. Apenas “convencionou-se” que homens devem fazer sexo com mulheres, assim como mulheres devem fazer sexo com homens. Essa é uma idéia baseada na crença (basicamente religiosa) de que o sexo é algo sujo e pecaminoso, devendo destinar-se exclusivamente à reprodução.

Você, felizmente, está descobrindo que o sexo é uma infinita fonte de prazer existencial. E que, felizmente, vai muito além do simples propósito de reprodução.

As mulheres evoluíram muuuuuuuuuuuuuuuuito nesse sentido. Inclusive, já são capazes de se reproduzirem por si mesmas, sem nenhuma ajuda presencial de um homem. Basta que decidam por ter um filho e se dirijam a um Banco de Sêmen...

Os homens, ao contrário, permanecem na “idade da pedra”, em termos de sexo, sexualidade e prazer.
Sua maior preocupação não é a de “ter prazer” mas a de “manter a imagem da masculinidade”. Morrem de medo de “não serem” ou “deixarem de ser homens”, por terem feito isso ou aquilo que, dentro do vetusto e ultrapassado “código da masculinidade” possa vir a depor contra eles.

Já notou que as mulheres nunca “se pelam” nessa dúvida cruel de se são ou não mulheres por fazerem isso ou aquilo? Elas não estão nem aí. Brincam entre elas, andam de mãos dadas na rua, se beijam, se abraçam, dormem juntas, vestem-se com roupas masculinas, etc, etc, sem jamais “entrar em parafuso” com essa pergunta absolutamente ridícula: será que eu sou gay?

E se você for gay, hein? Que diferença faz? Em que é que o fato de você ser ou não gay vai contribuir para que você seja uma pessoa melhor ou pior nesse mundo? Quem lhe disse que o “certo” é ser “hetero” e o “errado” é ser gay, como você deixa transparecer na sua pergunta tão “perturbadora” quando “desproposital” e nonsense: - será que eu sou gay por gostar de travesti?

Notou que lhe importa muito menos o fato de “gostar” – que deveria ser o seu principal objeto de atenção – do que o fato de “ser gay”, que não tem a menor importância no contexto da sua felicidade e satisfação pessoal nesse mundo?

Será que você está querendo dizer que é preferível sofrer, padecer, reprimir-se e repudiar o seu desejo por travesti do que “correr o risco” de ser reconhecido como “gay” pelos outros? Você não acha muita tolice desprezar o seu “desejo real” em nome da manter uma “fachada” daquilo que a sociedade chama de masculinidade?

Antes de mais nada, diga-me o que é ser homem? E diga-me, também, o que distingue um homem de uma mulher ou de uma travesti? A propósito, o que é masculinidade? O que é feminilidade? Tente responder a essas questões e a sua cabeça vai dar um nó sem tamanho pois, apesar de serem coisas que a gente defende de unhas e dentes no dia a dia, ninguém sabe dizer exatamente o que é, exceto “moralistas”, “pregadores fundamentalistas” e outros embusteiros que baseiam suas conclusões dos seus próprios preconceitos e/ou se baseiam em idéias de cinco mil anos atrás ou mais.

Se a “sociedade” diz que a união deve acontecer entre um homem e uma mulher - e não entre um homem e uma travesti – caberá a você decidir como é que você deseja posicionar-se em relação a isso. Uma coisa é o que a sociedade diz; outra coisa é o que lhe diz o seu coração, o seu corpo e a sua cabeça. Para onde pende o seu “querer” mais íntimo e verdadeiro? O que vale são as suas respostas, não as respostas prontas que a sociedade tem para lhe oferecer.

Você gosta de fazer sexo com travesti? Faça. É isso que deixa você feliz? Pois então, o que está esperando? Ponha de lado essas perguntas tipo “isso é/não é coisa de macho?”, “isso é/não é coisa de gay?”, cujas respostas não terão jamais nenhuma importância concreta na definição da sua felicidade. E daí se for “coisa de gay”? E daí, se você for gay? Será que você será menos “você”, sendo gay, isto é, tendo orientação homossexual? Será que é bom pra você continuar vendendo por aí uma imagem de “macho hetero”, e vivendo uma vida miserável, totalmente infeliz por não estar sendo a pessoa que é e por não estar fazendo aquilo que o seu coração, seu corpo e a sua cabeça desejam?

Amar travestis não é crime e ser gay também não é. E o que importa mesmo é a relação entre duas pessoas humanas, independente de que rótulos elas tenham recebido por parte da sociedade.

A única consideração que eu teria para lhe fazer não tem nada a ver com você gostar de travesti e ser ou não ser gay. Como eu já lhe disse, essas coisas não fazem e não farão a menor diferença na sua história de vida.

O que realmente me chamou a atenção é de você estar casado com uma pessoa, no caso uma mulher, e estar tendo relacionamentos fora do casamento, motivado por insatisfação da vida a dois. Se fosse o contrário, ou seja, se fosse a sua esposa que estivesse se relacionando sexual e/ou afetivamente com outras pessoas você ficaria satisfeito com isso?

Em vez de você se perguntar uma tolice dessas – se é ou não gay por gostar de travestis – deveria se perguntar se é bom pra você permanecer dentro de uma relação sem querer realmente ficar nela. E pior: se é justo “trair” uma relação firmada com outra pessoa e que está lhe servindo apenas de “fachada pública” pois, como você disse, gostaria de terminar seu casamento e ir morar com uma travesti. Fora os eventuais problemas de promiscuidade da sua parte, que podem afetar a sua companheira, não é legal de maneira nenhuma trair os sentimentos ou os desejos de outra pessoa, seja ela uma mulher, um homem ou uma travesti, tal como você está fazendo, permanecendo dentro de um casamento onde você não se sente nem feliz, nem realizado nem satisfeito.

Ser ou não ser gay por gostar de travesti, repito, não tem nada a ver. São só preocupações machistas totalmente bobas e sem sentido. Pare com isso, ouça o seu coração, o seu corpo e a sua cabeça e vá atrás do seu desejo, da sua felicidade.

Agora, se não está bom ficar casado – seja com uma mulher, com um homem ou com uma travesti, pouco importa - se não é isso que você quer, caia fora da relação. Não fique ao lado de alguém só por conveniência, para manter uma “máscara” social aceitável. Isso faz muito mal, tanto pra você quanto pra outra pessoa.

Espero que você reflita sobre tudo isso e vá atrás do seu desejo. Você é a única pessoa que pode fazer por você.

Beijos,

Letícia Lanz

Se você tem alguma dúvida..... mande seu relato, com o maior número de detalhes possíveis e seja atendida no Divã da LANZ - um lugar especial que irá acolher seu coração e te mostrar novos horizontes. Escreva para casadamaite@gmail.com

 

 

Veja as frases picantes que homens gostam de ouvir na hora da transa

Na hora da transa os sentidos ficam aguçados. Tocar, lamber, cheirar e ver são elementos muito especiais para ajudar a ter um bom orgasmo e aproveitar ao máximo o momento a dois. E já que os órgãos dos sentidos desempenham papéis tão importantes no sexo, por que não desenvolver também a fala e a audição? É claro que ficar quieto não impede a relação sexual de acontecer, porém, homens e mulheres podem se excitar (e muito) apenas com frases pronunciadas na intimidade.

Eles geralmente demonstram mais tesão por expressões superpicantes e até mesmo palavrões. Já algumas mulheres preferem elogios à performance e também às partes do corpo, assim como existem as que preferem serem chamadas de "vagabundas" ou quaisquer outros termos mais quentes. Mas não adianta nada dizer por dizer. É preciso ter convicção na declaração, além de conversar com o parceiro fora da transa para saber o que vale e o que não vale entre quatro paredes. De resto, é só soltar a imaginação e curtir o prazer. Confira algumas sugestões para excitar seu parceiro com a "língua solta" e se tornar expert na arte do "sexo narrado".

Os homens gostam de ouvir:

1. Elogios à masculinidade e ao pênis
Para levar um homem às alturas, nada melhor do que um comentário positivo e entusiasmado sobre a performance dele ou, melhor ainda, valorizando as dimensões e o poder do pênis para provocar orgasmos alucinantes em qualquer rapaz. Frases do tipo "Você é demais e me faz gozar muito gostoso" ou "Seu pênis é imenso, o maior do mundo" são bastante apreciadas por eles. Procure tomar cuidado com mel e meiguice em excesso e também com os elogios que você dará ao pênis dele. Diminutivos, por exemplo, em vez de excitá-lo podem, em muitas vezes, fazer com que ele perca a ereção.

2. Gemidos
O gemido pode ser um sinal de aprovação na hora da transa. O homem costuma ficar excitado e empolgado ao perceber que a parceira está interagindo com ele. Além disso, os gemidos podem tornar o clima mais quente.

3. Que têm exclusividade sobre a parceira
Uma boa alternativa para estimular o seu parceiro é dizer que você é somente dele. Você pode, por exemplo, dizer "Sou sua vagabunda exclusiva" ou ainda, "Sou safada só para você". Mas, se você acha que ficará constrangida se ele resolver inverter o jogo e começar a tratá-la de forma vulgar como, por exemplo, chamá-la de "puta", "cachorra" e outros termos, evite estes tipos de frases, que podem soar para ele como um aval para este tipo de tratamento.

4. Frases imperativas
Este pode ser um bom início para sua imersão no mundo do "sexo narrado". Frases imperativas podem agradar ao outro e não requerem muita experiência. Expressões do tipo "Me beija", "Vem pra cá" ou "Vai, isso, isso" podem ser usadas por quem ainda não tem muita imaginação e a "língua solta" afiada. Para quem quer ampliar o repertório, vale ver filmes pornográficos e ler contos eróticos, mas lembre-se de não exagerar na dose. Expressões a exemplo de "me come a noite inteira" podem causar ansiedade no parceiro e fazer até mesmo com que ele broche com medo de não dar conta do recado.

5. Expressões simples e objetivas
Já imaginou vocês dois na cama e de repente você solta a seguinte expressão: "introduza o seu órgão sexual no meu órgão sexual"? Soa estranho, não é mesmo? O que os homens querem é objetividade e frases fáceis de serem compreendidas e uma linguagem mais desinibida e ousada como, por exemplo, "Me fode gostoso".

6. Perceber que estão no comando da transa
Alguns homens gostam de tomar conta da situação e mostrar que mandam no ritmo da transa. Por isso, algumas frases que soam como um pedido podem ajudar a criar um clima mais picante entre quatro paredes. Abuse de expressões com o verbo "deixar" e, se você aproveitar para inserir a palavra "pênis" ou "pau" a combinação poderá se tornar ainda mais poderosa. Exemplos: "Deixa eu lamber esse pau gostoso", "Me deixe ser sua escrava sexual", entre outros.

7. Verbo de ação + Parte do corpo humano + Adjetivo
Esta combinação pode ser bastante excitante e bem simples. Experimente expressões como "Beija meu seio quente", "Aperta minha bundinha gostosa", "lambe minha barriga macia", elas podem proporcionar um resultado muito prazeroso.

 

Redutores de links se multiplicam na web

Se você passou algum tempo na internet nos últimos meses, provavelmente clicou em um link com endereço reduzido na web. Redutores de URLs, que abreviam incômodos endereços da web transformando-os em links pequenos, já existem há anos. O serviço mais popular, TinyURL.com, foi lançado em 2002 por um monociclista chamado Kevin Gilbertson. Mas as ferramentas se tornaram muito populares recentemente, em parte por causa dos sites de microblogagem como Twitter e Facebook, onde mensagens são limitadas em comprimento e cada caractere conta.

Redutores de URL são fáceis de construir, e dezenas de concorrentes surgiram, com nomes minimalistas e econômicos como Bit.ly, Is.gd e Tr.im. Na maioria são ferramentas simples criadas como uma dedicação de amor e sem um real modelo de negócio por trás. Os redutores, no entanto, poderiam ter real valor, além da capacidade de tornar endereços da web mais manejáveis, disse Danny Sullivan, editor do blog Search Engine Land.

Eles têm a habilidade de monitorar o uso - quantas vezes um link específico foi clicado e a localização geográfica dos cliques -, o que poderia ser valioso para anunciantes, canais de notícia e companhias que procuram medir o impacto de um link, tweet ou menção online.

"O elemento da monitoração é muito importante", disse Sullivan. Algumas ferramentas até mesmo destacam comentários postados no Facebook ou FriendFeed sobre um link específico - atributos que ferramentas tradicionais como o Google Analytics podem não conseguir fornecer.

Um popular serviço de encurtamento de links, o Bit.ly, está tentando construir um negócio com esse tipo de informação. A Betaworks Studios é uma incubadora de tecnologia de Nova York que investiu no Tumblr, uma ferramenta de microblogagem; no OMGPOP, um site social de jogos; e no Outside.in, um agregador de notícias hiperlocal. A incubadora desenvolveu o Bit.ly como uma ferramenta interna para uso de seu portfólio de companhias.

"Ele acabou virando muito mais que isso," disse John Borthwick, chefe-executivo da Betaworks. "Todos, da Dell à Demi Moore, estão no Twitter e podem querer monitorar seu sistema social."

Desde que o Bit.ly foi lançado no ano passado, seu volume disparou. A empresa diz que hoje 50 milhões de links do Bit.ly são clicados todas as semanas -- mais que o dobro do início de abril. "E na próxima semana, esperamos chegar a 60 milhões," disse Andrew Weissman, chefe de operações da Betaworks.

O crescimento atraiu investidores. O Bit.ly recentemente anunciou que havia arrecadado US$ 2 milhões de investidores como a Alpha Tech Ventures, o pioneiro no setor de softwares Mitch Kapor e o antigo investidor do Google Ron Conway.

"A web está sem uma ferramenta de realimentação de dados há algum tempo," disse Christopher Sacca, investidor que financiou várias empresas iniciantes na web, como Bit.ly, Twitter e Photobucket.

Como o Bit.ly monitora seus endereços encurtados de URL em tempo real, independente de onde forem postados ¿ mensagens instantâneas, Twitter, Facebook, blogs ou e-mail ¿ o serviço poderia se tornar "uma fonte real de informação sobre como as pessoas estão usando a web," Sacca disse.

Além de monitorar links, o Bit.ly usa um serviço chamado Calais, desenvolvido pela Thomson Reuters, que pode extrair termos semânticos de páginas da web às quais os usuários do Bit.ly são redirecionados. Isso permite que o Bit.ly rastreie os temas mais populares sendo compartilhados pela web e também se foque em uma categoria específica como finanças ou saúde para encontrar os sites mais populares da web compartilhados sobre o tema nas últimas 24 horas.

A empresa espera que a capacidade de monitorar a "distribuição social da informação em tempo real," como Borthwick descreve, possa potencialmente ser relevante ao futuro das buscas na web.

Embora o Bit.ly ainda não saiba ao certo como lucrar com todos esses dados, "existe um real modelo de negócio aqui," Borthwick disse. "Podemos senti-lo."

Apesar de toda a conveniência dos URLs reduzidos, alguns especialistas em segurança da internet temem que eles possam ser usados para camuflar spam e roubo de informações e redirecionar as pessoas a sites mal intencionados.

"Não há como as pessoas saberem para onde estão indo," disse Patrik Runald, conselheiro-chefe de segurança da F-Secure Security Labs, fabricante de softwares de segurança. "Esses serviços são ótimos e servem a um propósito, mas ao mesmo tempo, existe o lado ruim."

E se um site que encurta links fechar, todos os links canalizados através dele se perderão para sempre, Runald disse. O Bit.ly afirma que está desenvolvendo um sistema de arquivamento para evitar que os links sejam perdidos e emprega vários filtros e uma função de pré-visualização no Firefox e no TweetDeck, um aplicativo de desktop do Twitter, para ajudar a reduzir o spam.

Considerando a facilidade de seu uso, a maior ameaça a empresas iniciantes como Bit.ly são as grandes corporações que criarão seus próprios encurtadores personalizados de URLs para reforçarem suas marcas. Digg, StumbleUpon e FriendFeed recentemente lançaram serviços de encurtamento de links, e seria fácil para as grandes redes sociais, como Facebook ou Twitter, criarem seus próprios serviços. Além disso, existe sempre a chance de que um peso-pesado como o Google entre no mercado e destrua a competição.

"Há sempre um risco, mas estamos correndo para nos estabelecer no mercado," disse Weissman. "Estamos dispostos a apostar que a inovação vem de cantos estranhos da internet, como este."

Tradução: Amy Traduções

THE NEW YORK TIMES

 


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